Reservas são vistas como seguro e não se fala em mudar isso, diz presidente do BC
Campos Neto mencionou que o que se lê sobre os altos custos para se manter as reservas internacionais no Brasil "não é a realidade" e que nos últimos 15 anos, os custos se igualaram às receitas

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse em entrevista à TV Bloomberg, em Washington, onde participa de reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), que as reservas internacionais no Brasil são vistas como "um seguro que têm servido o Brasil bem e não estamos falando em mudar isso agora".
Campos Neto mencionou que o que se lê sobre os altos custos para se manter as reservas internacionais no Brasil "não é a realidade" e que nos últimos 15 anos, os custos se igualaram às receitas.
Ele ressaltou ainda que as reservas aumentaram US$ 100 bilhões nos últimos 10 anos.
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Mercado de trabalho
Perguntando sobre o mercado de trabalho, Campos Neto disse que o emprego começa a mostrar sinais de melhora. "Achamos que essa melhora vai continuar", disse ele, mencionando que a geração de emprego no Brasil tem sido batido recorde. "É uma tendência."
Selic
O presidente do Banco Central disse ainda que há espaço para corte de juros. "Nos últimos comunicados mencionamos que há espaço para corte adicional. Decidimos isso em cada reunião", ressaltou o dirigente, observando que o BC leva em conta o cenário externo, a evolução das reformas e a situação local em termos de crescimento econômico e inflação.
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"Para o BC, é importante ter credibilidade, porque o BC tem poder sobre o curto prazo, mas necessitamos da credibilidade para ter certeza que isso seja sentido em toda a curva de juros", afirmou na entrevista, destacando que é importante que a ponta longa também fique dentro de "um bom limite".
Magnitude
Questionando sobre o quanto o BC precisaria cortar juros, Campos Neto disse que nunca sabe isso de antemão, pois depende de uma série de fatores. "A primeira pergunta que nos fazemos é se é preciso ter política estimulativa e a resposta é sim", disse ele, afirmando que a segunda pergunta é o quão estimulativa deve ser essa política, e aí o BC avalia os fatores mencionados acima.
"Achamos que agora temos espaço para juros menores, mas isso vai depender da evolução do cenário", afirmou Campos Neto.
Expectativa sobre a economia
O presidente do BC disse que os agentes estão se tornando mais otimistas sobre a economia, embora ainda exista ociosidade. Ele observou que o Brasil teve alguns choques neste ano e no passado recente, como a crise na Argentina, a desaceleração da economia mundial e a tragédia de Brumadinho (MG), mas se recupera. "Olhando para frente, começamos a ver elementos que nos dizem que as pessoas vão revisar para cima as projeções de crescimento", comentou, mencionando a melhora do mercado de emprego.
Campos Neto destacou também que alguns setores que estavam sob estresse, como o de construção civil, que é gerador de empregos, estão "decolando". Mesmo assim, ele ressaltou que a ociosidade na economia está se reduzindo de forma "muito lenta", porque a recessão foi muito profunda.
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