Previdência: rombo global caminha para 400 trilhões de dólares e desafia governos e gestores
Embora a maioria da população esteja convencida da necessidade da reforma das aposentadorias, há resistência às mudanças. Para o governo, porém, importa a economia de quase 1 trilhão de reais nos próximos dez anos

Amizade, felicidade, amor e dor são temas que me interessam. Representam a essência de homens e mulheres aos 10, 20, 40, 60, 80 anos e até mais nesses tempos em que podemos chegar aos 100 e inteiros — com sorte e com a ajuda da moderna medicina, você concorda? Já passei dos 60, já me aposentei, mas penso no futuro e também por isso revisito as “Marguerites”, que li avidamente há mais de três décadas e são exemplos indiscutíveis do tanto que se pode fazer após os fatídicos 60 anos.
Marguerite Yourcenar e Marguerite Duras são escritoras francesas que não nasceram na França e que dedicaram suas vidas aos temas que muito me interessam e antecipei lá em cima: amizade, felicidade, amor e dor. Marguerite Yourcenar nasceu na Bélgica. Marguerite Duras nasceu no Vietnã. A primeira faleceu aos 84 anos; a segunda, aos 82.
Ambas foram reconhecidas por trabalhos que se eternizaram. Yourcenar, nascida Crayencour, publicou seu primeiro romance aos 17 anos, foi a primeira mulher a ocupar um assento na Academia de Letras da França e levou 30 anos para escrever sua obra mais conhecida, “Memórias de Adriano” — uma biografia do imperador romano, escrita na primeira pessoa, que impressiona pela densidade de sentimentos e reconstrução de uma época. Duras, nascida Donnadieu, escreveu mais de 50 livros e foi premiada pelo roteiro de uma obra-prima do cinema francês que nunca saiu de cartaz entre jovens de distintas gerações, “Hiroshima, Meu Amor” — referência à cidade destruída pela bomba atômica, lançada pelos Estados Unidos em agosto de 1945.
[captacao]
As octogenárias “Marguerites” ultrapassaram em quase 30 por cento uma estimativa padrão que prevalece na maioria dos países e considera uma “vida de trabalho” aquela que começa aos 25 anos e termina aos 65.
Eu ainda trabalho, você sabe. Há quatro meses escrevo esta coluna às quintas-feiras. É um privilégio. Para alguns colegas de profissão, mais críticos, eu cometo uma injustiça. Estaria ocupando o lugar de outro trabalhador na folha do INSS ou na folha da Empiricus. Não vejo assim. Cumpri todas as exigências legais e estou capacitada para a atual jornada.
Leia Também
Investing in (and for) Our Future
No estudo “Investing in (and for) Our Future” , publicado pelo Fórum Econômico Mundial, Maha Eltobgy, chefe de investimentos em infraestrutura, e Han Yik, responsável por investidores institucionais, informam que cerca de 40 anos de trabalho dá direito à aposentadoria na maioria dos países.
Veja você que a Nova Previdência, que deve ter seu texto-base aprovado em dois turnos de votação na Câmara até esta sexta-feira, praticamente baliza a aposentadoria no Brasil a parâmetros internacionais. O texto em votação prevê idade mínima para aposentadoria de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. O tempo de contribuição é de 20 anos para homens e 15 para mulheres. Servidores públicos da União — assim como professores e policiais federais — terão outras regras de transição.
Embora a maioria da população esteja convencida da necessidade da reforma das aposentadorias, há resistência às mudanças. Para o governo, porém, importa a economia de quase 1 trilhão de reais nos próximos dez anos.
Os regimes de previdência são reformados ou atualizados ao longo do tempo por uma razão: as pessoas vivem mais, enquanto as taxas de natalidade recuam. “Pela primeira vez, [no mundo] há mais pessoas com mais de 65 anos do que com menos de cinco. E a expectativa de vida dos idosos nunca foi melhor”, diz o estudo do Fórum Econômico, que trata do déficit previdenciário em constante agravamento, inclusive, “porque muitas pessoas simplesmente não economizam o suficiente para a velhice e os regimes públicos de aposentadorias enfrentam dificuldades sem precedentes para equilibrar a entrada de dinheiro, via contribuições, nos sistemas previdenciários e as saídas em pagamento de benefícios”.
Déficits são acumulados mundo afora. No Brasil, o rombo previsto para este ano é de 200 bilhões de reais.
O estudo do Fórum Econômico Mundial é dedicado, especialmente, a formuladores de políticas públicas, patrocinadores de planos de aposentadoria e gestores de ativos. Mas o estudo recomenda que os cidadãos façam suas economias e seus investimentos individuais de olho no futuro em que estarão fora do mercado de trabalho.
EUA e China: uma disputa além das tarifas
Aos gestores dos sistemas de aposentadoria e de seus déficits, o Fórum Econômico recomenda expansão da cobertura para mais indivíduos (que representarão mais contribuintes); uso de tecnologia para tornar a gestão mais eficiente; e otimização de aplicações dos recursos para maximizar o retorno obtido.
O Fórum Econômico explica que planos tradicionais de benefícios definidos vêm dando lugar a planos de contribuição definida. As contribuições em contas individuais devem ser investidas preferencialmente em uma ampla faixa de diferentes ativos — incluídos dinheiro em caixa, títulos, ações. O estudo reconhece que essa gestão impõe desafios e alerta para a necessidade de inovação nos investimentos.
Para o estudo, foram selecionadas oito economias (Índia, China, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Holanda, Reino Unido e Japão) e constatou-se que, em 2015, esse grupo apresentava conjuntamente um rombo de 70 trilhões de dólares nos regimes de aposentadoria. Em 2050, o rombo será de 400 trilhões de dólares. As populações desses oito países reúnem 3,36 bilhões de pessoas — quase a metade da população mundial, de 7,6 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Sobre o Brasil, sinto decepcionar, ficamos de fora do estudo...
Do grupo analisado, Estados Unidos e China são os países que apresentavam os maiores déficits em 2015. Em 2050 não será diferente. Nos Estados Unidos, o rombo passará de 28 trilhões de dólares para 137 trilhões de dólares; e, na China, de 11 trilhões de dólares para 119 trilhões de dólares. Esses dois déficits serão equivalentes a 64 por cento do rombo estimado em 400 trilhões de dólares para as oito economias.
Agora vai!
Com o quórum absoluto de 513 deputados eleitos em outubro, a Câmara aprovou ontem a reforma da Previdência no primeiro turno de votação. Por 379 votos a favor e 131 contrários, o projeto do governo passou. A folga de 71 votos acima do mínimo exigido para chancelar uma emenda à Constituição turbina o prestígio do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desautoriza a avaliação de que o governo é incompetente no quesito articulação e sugere que velhas práticas não foram abandonadas. A liberação de emendas parlamentares trouxe — aos que não tinham — a convicção de que a reforma é essencial para o país andar para a frente, embora não tenha a virtude de bombar o crescimento.
Nesta quinta-feira, serão avaliados os destaques e a votação em segundo turno da proposta, que deve se prolongar até amanhã, sexta-feira. Confirmado o cronograma de Maia, na volta do recesso, em 1º de agosto, a reforma será prioridade no Senado.
Nesta manhã, o Ibovespa abre em alta e supera 107 mil pontos e o dólar declina ao patamar de 3,73 reais. Ontem, o índice chegou a ultrapassar os 106.600 pontos para depois fechar aos 105.817 pontos; o dólar cravou 3,75 reais; os juros desabaram e o CDS de cinco anos caiu a 131 pontos, o menor desde setembro de 2014. Parte desse movimento se deve à euforia que dominou os negócios nas Bolsas americanas, sob forte impacto de declarações de Jerome Powell. O presidente do Fed, o banco central dos Estados Unidos, sinalizou no Congresso que a instituição cortará o juro em 31 de julho.
R$ 1 BILHÃO JÁ FOI RESSARCIDO
Bets: quase R$ 160 milhões ainda não foram devolvidos aos apostadores; veja o prazo final para recuperar o dinheiro
12 de outubro de 2026 - 14:15O EFEITO DOMINÓ DA POLÍTICA
Nobel de Economia de 2026: a dupla que revelou como pequenas decisões ajudam a explicar os rumos da economia e dos juros
12 de outubro de 2026 - 9:06ABRE E FECHA
A bolsa abre hoje? Veja como será o funcionamento da B3, dos bancos, do Pix e dos Correios neste feriado
12 de outubro de 2026 - 5:10DISPUTA POLÍTICA
Split payment opõe Flávio Bolsonaro e governo Lula em debate sobre o caixa das empresas
10 de outubro de 2026 - 15:05ABRE E FECHA
A bolsa abre no feriado de Nossa Senhora Aparecida? Veja como será o funcionamento da B3, dos bancos, do Pix e dos Correios em 12 de outubro
9 de outubro de 2026 - 10:44MÁQUINA AZEITADA
Lotofácil 3800 faz 2 novos milionários e ainda premia um bolão; Mega-Sena 3068 acumula e prêmio agora está em R$ 112 milhões
9 de outubro de 2026 - 6:24PRESSÃO QUE VIROU CONDENAÇÃO
Eduardo Bolsonaro tem prisão decretada e passaportes cancelados por Moraes após condenação no STF
8 de outubro de 2026 - 16:53BUILDINGS SUMMIT 2026
Mercado Livre vê ‘longo caminho’ para o e-commerce no Brasil e aposta em nova fronteira — mas há um obstáculo para o setor
8 de outubro de 2026 - 15:39A CONTA DA GOVERNABILIDADE
A euforia com Flávio Bolsonaro pode virar frustração? Por que uma vitória sobre Lula não é cheque em branco para reformas
8 de outubro de 2026 - 11:38ALTOS PRÊMIOS
Lotofácil 3799 deixa duas pessoas a meio caminho do primeiro milhão de reais no Paraná; +Milionária 396 acumula com bola na trave impressionante
8 de outubro de 2026 - 7:10NO FOGO CRUZADO DAS ELEIÇÕES
Fim da escala 6×1: nova regra pode sair do papel antes do segundo turno? Entenda em que pé está a votação
7 de outubro de 2026 - 17:52ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno? Moody’s compara cenários e aponta os riscos para investidores
7 de outubro de 2026 - 14:05FINANCIAMENTO SUSTENTÁVEL
ETF com selo do BID e que investe na Amazônia Legal? AMAB11 atrai R$ 66 milhões em apenas dois meses
7 de outubro de 2026 - 12:03RECEIO COM A IA
Ray Dalio volta a bater na inteligência artificial e defende que bolha está prestes a estourar. Quais são os sinais?
7 de outubro de 2026 - 11:47TEM PRA TODO MUNDO
Lotofácil 3798 tem 58 ganhadores, mas só um vai embolsar valor milionário; Mega-Sena 3067 acumula e prêmio atinge a marca de R$ 100 milhões
7 de outubro de 2026 - 7:16ESTÁ VALENDO
Primeiro dia sem bets e R$ 1,3 bilhão em saldo: o prazo para a restituição das apostas on-line começará a correr
6 de outubro de 2026 - 19:28SD EXPLICA
O Brasil vai dar calote na dívida pública? Entenda os riscos para os títulos públicos do Tesouro Direto
6 de outubro de 2026 - 11:41PISOU NO FREIO
Quer vender seu carro? Mercado de usados já não paga como antes — e exige atenção aos elétricos
6 de outubro de 2026 - 8:00DE OLHO NOS BOLETOS