Menu
2019-03-11T17:40:27-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Reformas

Até quando dura esse renovado otimismo com a Previdência?

Sentimento do mercado melhorou desde o fim da semana passada, mas é só isso, sentimento

11 de março de 2019
12:51 - atualizado às 17:40
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro ao lado do Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia - Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Depois de enxergar o copo meio vazio com relação à reforma da Previdência, os mercados abrem a semana enxergando o copo meio cheio. Mas é só isso mesmo, uma questão de percepção, de “sentimento de mercado”, já que nada de concreto aconteceu e revezes na tramitação do texto são inevitáveis.

A melhora de percepção partiu do que parece ser uma mudança de postura do presidente Jair Bolsonaro, que usou suas redes sociais e uma live no “Facebook” para defender o texto em sua integralidade.

Depois, o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, deu importante contribuição com entrevista ao “Estadão”. O ponto que mais chamou atenção foi a menção aos 48 votos que faltariam e também a sinalização que outras medidas serão tomadas, como a revisão do pacto federativo.

Sobre esses dois pontos, alguns amigos de mercado com os quais conversei têm elogios e reparos. A atuação de Bolsonaro é, sem dúvida, positiva, mas o presidente é uma “metralhadora” no “Twitter”, intercalando pontos relevantes da agenda econômica, com questões da sua agenda de costumes e ataques à imprensa. Assim, fica difícil, por ora, estimar um resultado dessa atuação.

Já a contagem de votos de Guedes pode ser vista como um “número aleatório”, pois a percepção é que essa etapa nem sequer começou, tento em vista que as comissões necessárias ao andamento da reforma não foram formalizadas. E, mesmo com isso, é difícil ainda montar um “mapa de forças” entre partidos e bancadas, em função dos muitos grupos de interesse que vão atuar contra e favoravelmente aos mais de 80 pontos distintos abordados no texto.

É a política

No lado mais prático da coisa, o “Estadão” também nos informa que após reunião no sábado, Bolsonaro autorizou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) a organizar e encaminhar pedidos de nomeação para o segundo escalão do governo. A exigência a Maia seria que os nomes tenham boa reputação.

Esse é um ponto importante, pois parece colocar em choque a ideia de “velha política” com a “nova política” pregada por Bolsonaro na sua campanha. O assunto também esteve presente na entrevista de Paulo Guedes, que falou que a “nova política terá de valorizar os partidos”, mas eles não podem ser “mercenários”, mas sim temáticos e programáticos.

O ministro fala, ainda, desse “choque do antigo com o novo e não adianta acusar o governo de não querer fazer política como antigamente”. Ele reitera que “fomos eleitos para não fazer”, pois o jeito antigo está na cadeia e perdendo eleição. Mas assume, também, que ainda “não sabemos” qual é esse jeito novo, que “vamos aprender juntos”.

Guedes também afirma que está certa a ideia de valorizar os partidos, mas que negociar cargos “não está certo se for isso”.

É dessa curva de aprendizagem de uma pretendida “nova política” que devem surgir os revezes ao andamento não só para Previdência, mas de toda a agenda do governo. O Congresso dá sinais claros de que quer seguir no “velho modelo” e está ganhando essa disputa, pois Maia vai negociar cargos.

A questão é até que ponto o governo vai ceder, pois parece claro que as opções eram ceder algo ou partir para uma “ruptura” com o “velho modelo”, podendo resultar em total paralisia da agenda do governo.

Por outro lado, se ceder demais, o presidente vai contra os anseios da base que o elegeu e, aí sim, poderíamos ver a pressão das redes que o elegeram atuando em direção contrária.

No meio desse impasse de Palácios e gabinetes está a economia real, que continua patinando e sofrendo revisões para baixo nas estimativas de crescimento, e a massa de desempregados.

Esses conflitos envolvendo um governo que tenta formar uma base, um mercado que "quer acreditar", mas precisa ver uma estabilização da questão fiscal, com o lado real da economia, vão se intensificar, com reflexo direto no preço dos ativos financeiros.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Prévias operacionais

Cyrela tem crescimento de 46% em lançamentos e 58% em vendas no 3º trimestre

Segundo as prévias operacionais, construtora lançou R$ 2,589 bilhões e vendeu R$ 2,456 bilhões no período

fechamento do dia

Lá em cima, de novo: Ibovespa é puxado por bancos, alívio fiscal e NY e fecha acima dos 100 mil pontos

Principal índice acionário da B3 avança quase 2% e fecha acima da importante marca psicológica após mais de um mês. Dólar registra queda durante maior parte da sessão, mas vira em minutos finais com indefinição sobre pacote de estímulos

Vem novo rali pela frente?

Bitcoin volta ao patamar dos US$ 12 mil pela primeira vez desde agosto

Depois de dois meses longe das máximas, mas ainda bem acima dos patamares pré-crise, o ativo parece ter recuperado fôlego e chegou a ser negociado a US$ 12.047,10 nesta terça-feira.

Empréstimos sem autorização

C6 Bank é notificado pelo Procon-SP por operações de crédito não solicitadas

O órgão afirma que foram registradas 149 queixas contra o C6 no mês passado e comparou com maio, quando apenas uma reclamação foi registrada

Retomada

BR Distribuidora, Cosan e Ultrapar: o que esperar dos resultados do terceiro trimestre

Depois de ficarem com os postos às moscas no auge da pandemia do coronavírus, as distribuidoras de combustíveis devem voltar a ter resultados melhores, segundo o Credit Suisse

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies