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Estadão Conteúdo
Um pé fora

Contrária a atos pró-Bolsonaro, Janaina Paschoal ameaça deixar o PSL

Candidata mais votada na Assembleia Legislativa de São Paulo, a advogada sinalizou a possível desfiliação em uma mensagem enviada a um grupo de WhatsApp

20 de maio de 2019
19:54 - atualizado às 19:02
Janaina Paschoal
Janaina Paschoal - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após criticar publicamente a organização dos atos de apoio ao governo Jair Bolsonaro previstos para o dia 26 de maio, a deputada estadual Janaina Paschoal ameaçou deixar o PSL, partido do presidente.

Candidata mais votada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a advogada sinalizou a possível desfiliação em uma mensagem enviada nesta segunda-feira, 20, no grupo de WhatsApp da bancada do partido no Legislativo paulista.

"Amigos, vocês estão sendo cegos. Estou saindo do grupo, vou ver como faço para sair da bancada. Acho que os ajudei na eleição, mas preciso pensar no país. Isso tudo é responsabilidade", escreveu a parlamentar na mensagem reproduzida pela site O Antagonista e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo com deputados do PSL.

Em seguida, ela deixou o grupo, Janaina foi a deputada estadual mais votada da história do País, com 2 milhões de votos, o que ajudou o PSL a ter a maior bancada da Assembleia, com 15 deputados.

Nos últimos dias, a deputada que ficou conhecida por ter sido uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente cassada Dilma Rousseff (PT), em 2016, publicou uma série de mensagens no Twitter na qual afirma ser contra os atos que estão sendo convocados para apoiar o presidente Bolsonaro no dia 26 de maio.

Para ela, é um erro os políticos do PSL se envolverem na organização das manifestações pró-governo pouco mais de uma semana após os atos que ocorreram em mais de 250 cidades do País contra os cortes feitos na Educação.

"Pelo amor de Deus, parem as convocações! Essas pessoas precisam de um choque de realidade. Não tem sentido quem está com o poder convocar manifestações! Raciocinem! Eu só peço o básico! Reflitam!", escreveu no fim de semana.

"Àqueles que amam o Brasil, eu rogo: não se permitam usar! Não me calei diante dos crimes da esquerda, não me calarei diante da irresponsabilidade da direita", afirmou Janaina.

O Estado tentou contato com a deputada pelo telefone celular, mas não obteve resposta. No gabinete dela na Alesp, uma assessora informou que ela não daria entrevistas a respeito.

Janaina se filiou ao PSL em abril de 2018 e chegou a ser cotada para ser vice na chapa de Bolsonaro na corrida presidencial, mas declinou alegando motivos pessoais. Em março deste ano, ela foi derrotada por Cauê Macris (PSDB) na eleição da presidência da Assembleia Legislativa.

O líder do PSL na Alesp, Gil Diniz, confirmou que Janaina sinalizou sua saída do partido sem apresentar justificativas além das críticas públicas que fez à organização dos atos e ao comportamento do próprio presidente nas redes sociais, como compartilhar um vídeo no Facebook do pastor congolês Steve Kunda dizendo que Bolsonaro era um político "estabelecido por Deus" para guiar o país.

"Ela realmente disso isso (sair do partido), pela discordância das manifestações de apoio ao presidente e às reformas. A maior parte da bancada concorda com as manifestações convocadas pela população. Não tem nada sendo feito de cima para baixo, não vamos pagar pão com mortadela nem ônibus para ninguém. Se a população quiser ir às ruas defender as reformas e o governo é direito das pessoas em uma democracia. Eu concordo com a manifestação, ela não", disse Gil Diniz.

Para ele, Janaina já dá sinais a algum tempo de que gostaria de deixar o partido. "Não é uma atitude que você toma do dia para a noite. Não foi uma coisa impulsiva. Acho que ela já vinha pensando nisso e externou isso hoje dentro da bancada", completou o líder do PSL, que disse que irá defender a permanência do mandato dela caso ela decida mesmo deixar a legenda.

"Vou defender dentro da bancada que ninguém peça a expulsão dela do partido ou o mandato. Ela foi a mais votada e o mandato dela é mais do que legítimo".

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