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entrevista

‘A nova Revolução Industrial não vai esperar pelo Brasil’, diz diretor do Fórum Econômico Mundial

Murat Sönmez afirma que é preciso acelerar a entrada na era da indústria 4.0: “O risco de não fazer a automação é muito maior do que fazer”

8 de novembro de 2019
8:41 - atualizado às 10:04
indústria
Imagem: Shutterstock

Diretor do Fórum Econômico Mundial, Murat Sönmez afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que o País precisa acelerar sua entrada na era da indústria 4.0. "O risco de não fazer a automação é muito maior do que fazer." A seguir, os principais trechos da entrevista:

Quais são os resultados do Centro para a Quarta Revolução Industrial até agora?
Temos 38 projetos em andamento. Temos um sobre drones, por exemplo, para pessoas que vivem em vilarejos distantes. Podemos usar drones para fazer entregas? Nosso primeiro piloto foi em Ruanda, onde ajudamos a criar um protocolo há 18 meses. Agora, eles têm a maior rede civil de drones do mundo. São capazes de entregar suprimentos médicos em clínicas no topo de montanhas.

O Brasil parece atrás na indústria 4.0. Como mudar isso?
Não ficar perdendo tempo com a terceira revolução industrial. Olhe para Ruanda. Normalmente, para distribuir sangue, seriam necessários estradas, sistemas de refrigeração, eletricidade. Levaria provavelmente dez anos. Com drones, eles entregam sangue em 45 minutos. Eles pularam a terceira revolução industrial. Se existe um carro disponível, e você tem carroça, você quer o carro, e não o cavalo mais rápido. Em vez de gastar bilhões em infraestrutura, pode gastar uma fração disso com melhores resultados.

Em 2018, o Fórum Econômico Mundial defendeu que o Brasil fizesse reformas estruturais para melhorar crescimento e produtividade. Houve alguma melhora nesse diagnóstico?
Essas reformas vão levar um tempo para serem implementadas. Mas a quarta revolução industrial não vai esperar. Nós temos essa urgência, que é partilhada com o governo estadual (de São Paulo) e federal.

Qual o papel da infraestrutura de 5G na nova fase industrial?
Imagine não ter congestionamento em uma cidade. E você precisa de dados em tempo real para conseguir regular o tráfego. Se você distribuísse sensores na cidade e coletasse os dados em tempo real, você reduziria o congestionamento e o uso de energia apenas usando inteligência artificial em uma rede de 5G.

Como podemos adotar a automação e evitar o desemprego?
Ninguém sabe, não há modelos. Existem previsões, mas ninguém sabe. Melhora a eficiência, mas precisa ver o que acontece com as pessoas que perderam os empregos. É por isso que é importante fazer esses programas pilotos para ver se têm escala. Se você não automatizar, as companhias irão desaparecer. As grandes vão automatizar, reduzir os empregados e ganhar mais eficiência. Mas, para as PMEs, se não adotarem essas tecnologias, elas desaparecerão. O risco de não fazer a automação é muito maior do que fazer.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo 

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