Preços do petróleo disparam após ataques na Arábia Saudita
Duas grandes refinarias da empresa petrolífera Aramco foram atacadas no último sábado, 14; oferta de petróleo no mundo pode sofrer uma queda de até 5%; neste domingo, contratos futuros chegaram a saltar 19%

Os ataques que a companhia petrolífera saudita Aramco sofreu no último sábado, 14, só não causaram um abalo nas bolsas de valores de imediato porque elas estavam fechadas.
Mas, nesta segunda, os contratos futuros de petróleo tipo Brent chegaram a saltar mais de 19%, a US$ 71,95 - maior alta intradiária desde 14 de janeiro de 1991, disse a Reuters.
Já os contratos futuros de petróleo do tipo WTI subiram mais de 15% - maior alta desde 22 de junho de 1998, a US$ 63,34 por barril, ainda de acordo com a agência.
Segundo os especialistas, devido à redução da produção da Aramco, a oferta de petróleo no mercado mundial pode sofrer uma queda de até 5%.
Bob McNally, da consultora Rapidian Energy, calcula que se a redução durar uma semana os preços poderão mesmo subir de US$ 15 a US$ 20 dólares por barril e voltar, assim, a superar a emblemática marca dos US$ 100.
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EUA
O chefe do Departamento de Estado norte-americano, Mike Pompeo, ignorou a responsabilidade no ataque de ontem admitida por parte dos rebeldes houthis e acusou o Irã. Acrescentou mesmo uma ameaçadora advertência de que o Irã deve pagar o preço das suas agressões.
Em Teerã, Pompeo obteve uma resposta dura, acusando-o de mentir e negando envolvimento iraniano na ação dos houthis, que beneficiam do seu apoio genérico mas não necessariamente em cada uma das operações que empreendem.
Contudo, Christyan Malek, um analista do JP Morgan Bank citado pela Reuters, sugere que a escalada retórica não corresponde a danos reais causados aos interesses norte-americanos.
Para ele, o ocorrido pode não constituir prova segura de que tenha falhado o projeto de uma cúpula entre Donald Trump e o líder iraniano Rohani.
Fiel da balança
Segundo Malek, o golpe sofrido pela Arábia Saudita coloca os Estados Unidos, atualmente com cerca de 15% da produção mundial, na posição de fiel da balança. Além de único país que pode efetivamente dosar a sua oferta com um intuito estabilizador do mercado mundial.
Mesmo que os EUA só temporariamente fiquem com a "faca e o queijo na mão", isto poderá trazer às suas petrolíferas ganhos astronômicos.
Por isso mesmo, os dois outros países com reservas capazes de beneficiarem da situação - Venezuela e Irã - são objeto de um embargo que lhes levanta grandes dificuldades.
*Com Agência Brasil e RTP (emissora pública de televisão de Portugal)
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