Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2019-03-16T10:13:15-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
Ministro promete "choque"

Promessa de energia barata de Guedes anima a indústria

Mesmo sem um plano ainda estruturado, o ministro tornou o assunto público e deixou claro que não vai aceitar propostas intervencionistas

16 de março de 2019
10:13
Gif com o ministro Paulo Guedes
Anúncio de Guedes pegou alguns de seus auxiliares de surpresa - Imagem: Giphy

Anunciada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como uma das medidas para retomar o crescimento do País, o "choque da energia barata" já movimenta a indústria. Sob a liderança da Associação Brasileira de Grandes Consumidores (Abrace), empresários têm levantado dados para a equipe econômica na esperança de acelerar as iniciativas para abrir o mercado de gás e acabar com o monopólio da Petrobras na área.

Mesmo sem um plano ainda estruturado, Guedes tornou o assunto público, deixando claro que não vai aceitar propostas intervencionistas que criem ou ampliem subsídios, como a famosa Medida Provisória 579, de 2012. Lançada pela ex-presidente Dilma Rousseff, ela reduziu a conta de luz em 20% em 2012, mas acabou resultando num reajuste de 50% em 2015. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, plataforma de notícias em tempo real do Grupo Estado, o ministro afirmou que deseja promover um "choque liberal na energia", com o aumento da concorrência e fomentando investimentos no setor. Seu foco, afirmou, é baratear em até 50% o custo do gás natural para "reindustrializar" o País.

O anúncio de Guedes pegou alguns de seus auxiliares de surpresa, já que o tema ainda não está maduro dentro da equipe econômica. Há, por ora, iniciativas que já vinham sendo tocadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), com regulamentações do setor, e pela Petrobras, com a venda de ativos.

A fala de Guedes, porém, foi suficiente para animar o setor privado. Em carta assinada por 15 associações, o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, reconhece que medidas de intervenção e o uso de estruturas estatais para financiar o setor já se esgotaram e se mostraram ineficientes. O grupo defende medidas que elevem a competição e a competitividade no setor, além do enfrentamento de questões como privilégios e subsídios que, na avaliação dele, elevaram o insumo a um nível "insustentável". "Não é uma redução de custos por mágica, mas por mérito", disse.

Segundo a Abrace, cada R$ 1 a menos no custo da energia representa um aumento da riqueza nacional de quase R$ 4 bilhões em dez anos. "Preços competitivos de gás e energia podem agregar 1% de crescimento anual ao PIB e gerar 12 milhões de empregos no mesmo período", diz o documento. A entidade destaca que, para a indústria, a energia aumentou três vezes mais que a inflação desde 2000. No caso do gás, o aumento foi quase sete vezes superior à inflação no período.

Para Pedrosa, o ministro tem liderança para promover a modernização do setor, com apoio de governadores e do setor privado. A carta é assinada por associações de indústrias de alimentos, cloro, têxtil, vidro, ferroligas, cerâmica, veículos, mineração, aço e de defesa do consumidor.

O presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Milton Rego, disse que o custo da energia é essencial para o setor. Segundo ele, o Brasil produziu no ano passado 700 mil toneladas de alumínio, menos da metade dos 1,7 milhão de 2008. "Temos de abrir o mercado. Casos como vimos em São Paulo, com reajuste da ordem de 30%, acontecem porque temos pouquíssimos players no mercado, e eles compram tudo de uma empresa só: a Petrobras."

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, disse que o setor é o maior consumidor de gás do País. "Não queremos energia barata, mas, sim, energia competitiva. Somos totalmente contra mais subsídios e intervenções", disse Figueiredo.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, disse que a ideia do ministro é bem-vinda, mas também levanta preocupações. "Só vamos baixar o preço se houver aumento de oferta. Não é com a caneta do ministro, do regulador ou do presidente. Já vivemos isso antes e sabemos quem paga a conta no final", disse, em referência à MP 579.

O presidente da Abegás, Augusto Salomon, disse esperar que o governo cumpra os contratos de concessão com as distribuidoras até o fim. Ele destacou que os próprios Estados têm participação relevante nessas empresas.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, reconheceu que o gás é um custo importante para a indústria e que o tema está sendo debatido com o governo. "Estamos trabalhando com os Ministérios da Economia, de Minas e Energia e ANP para mudar esse ambiente, esse arcabouço institucional, tanto no que diz respeito às regulações, às leis e, principalmente à Constituição, para que esse potencial de riqueza do Brasil seja explorado", disse.

*Com Estadão Conteúdo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Balanço do mês

Bitcoin, ouro e dólar se recuperam em julho, enquanto bolsa é um dos piores investimentos do mês

Fundos imobiliários também se saíram bem, depois que tributação dos seus rendimentos foi retirada da reforma do imposto de renda

próximos anos

Eletrobras aprova em conselho plano de negócios com desinvestimentos de R$ 41 milhões

Entre as medidas previstas está a avaliação de oportunidades para efetuar a gestão dos passivos provenientes de dívidas do Sistema Eletrobras

temporada de resultados

Lucro da Alpargatas, dona da marca Havaianas, cresce 228,7%, R$ 111 milhões

Receita líquida da companhia saltou 71,4% sobre igual intervalo de 2020, para R$ 1,095 bilhão, ao mesmo tempo em que os volumes registraram crescimento de 57%

seu dinheiro na sua noite

As corridas da bolsa e do dólar — e a frustração dos investidores na linha de chegada de julho

Nove em cada dez operadores do mercado financeiro juram, de pés juntos, que o último pregão do mês costuma ser positivo. Ora essas, é a data limite para o fechamento das lâminas de desempenho mensal dos fundos e das carteiras de investimento — e é claro que todo mundo quer estampar o melhor resultado possível. […]

decisão temporária

CVM suspende oferta de recebíveis que financiaria cooperativas do MST

Decisão da autarquia vale por 30 dias; CVM diz que a oferta não apresenta informações consideradas essenciais para os investidores

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies