O que a Amazon, de Jeff Bezos, quer no Brasil?
Gigante varejista dos Estados Unidos avança no Brasil com lançamento do serviço Prime, mas o que isso significa para o setor do varejo e a concorrência?

Em sete anos no País, a Amazon, fundada pelo bilionário Jeff Bezos, vem fazendo uma expansão sem pressa. Começou com livros digitais, chegou aos físicos, abriu novas categorias e um centro de distribuição na Grande São Paulo.
Mas na semana passada o lançamento do Amazon Prime causou um abalo nas ações das mais poderosas varejistas locais. Isso porque, com o Prime, a Amazon implanta por aqui o pilar de sua estratégia. O plano consiste em estar presente nos momentos do cliente de lazer para ser lembrada quando ele decidir comprar.
De acordo com o presidente da companhia de Jeff Bezos no Brasil, Alex Szapiro, o negócio se baseia na recorrência. "A gente olha o ciclo da vida do consumidor", diz o executivo.
[captacao]
Ele explica que, ao contrário de uma academia de ginástica, que lucra quando as pessoas pagam o plano sem treinar, a Amazon quer que os clientes usem seus serviços o máximo possível. "Quanto mais usar, maior será a chance de ele consumir."
Sem ameaças, no momento
A maioria dos analistas diz que, pelo menos por enquanto, a Amazon não é uma ameaça iminente para as rivais. A fatia de mercado da americana é hoje equivalente a uma fração do domínio de empresas como Mercado Livre, B2W (Americanas.com) e Magazine Luiza.
Leia Também
JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
Ainda assim, as ações de empresas de e-commerce negociadas em Bolsa caíram mais de 4% no dia do lançamento do Amazon Prime. As varejistas recuperaram parte das perdas ao longo da semana.
Apesar de disputar a liderança na venda de livros no País, a empresa de Jeff Bezos só agora está chegando ao "top 10" do mercado nacional, segundo dados da consultoria Euromonitor.
Em 2018, a Amazon ainda estava na 11.ª posição. Mais uma vez, com uma mãozinha da concorrência. Já que o Walmart fechou a operação de e-commerce em março (e posteriormente mudou sua marca para Grupo Big).
O frete grátis da empresa de Jeff Bezos
Outra questão levantada por analistas e fontes de mercado é que, por si, a oferta de frete grátis do Amazon Prime pode não ser tão atraente assim para o público brasileiro.
Segundo o jornal Estadão apurou, companhias como Magazine Luiza, por exemplo, não cobram frete para 70% das entregas - e não cobram assinatura para isso.
A distribuição dos grupos nacionais também é mais bem estruturada. O Magazine, além de 12 centros de distribuição, usa suas 1,1 mil lojas como pontos de coleta de mercadoria.
A companhia de Jeff Bezos tem o CD de Cajamar e estaria planejando outro para o Nordeste - informação que a empresa não confirma.
Passo importante
Segundo o analista Thiago Macruz, do Itaú BBA, o lançamento do Amazon Prime é um passo importante rumo a uma posição mais relevante no mercado brasileiro. "O Prime gera fidelização, pois inclui os streamings, que têm grande percepção de valor", ressalta.
O serviço chega ao Brasil por valor inferior ao dos EUA. Por lá, o pacote custa US$ 12,99 (mais de R$ 50).
Macruz lembra, no entanto, que a Amazon precisa provar que consegue ganhar volume não só em produtos que ela mesma entrega, mas também para os que vende em marketplace.
Para o especialista, o movimento das ações na semana passada estaria mais ligado ao poder da Amazon no mundo do que por aqui. "Ela vale quase US$ 1 trilhão. Se achar interessante, poderá gastar uns bilhões para crescer por aqui."
Horizonte
O presidente da Amazon Brasil afirma que não há previsão de esforço para comprar mercado daqui. "Gasto muito pouco tempo olhando nossa participação", diz Szapiro. "Posso me dar ao luxo de projetar o que a Amazon vai ser no Brasil daqui a 10, 20, 30 anos."
Embora analistas apostem que o próximo grande movimento da empresa de Jeff Bezos será nos eletrônicos, o executivo não confirma. "Estaremos em todos os segmentos em que fizer sentido - e com profundidade."
"Profundidade" quer dizer estoque variado, que vai além dos itens mais vendidos. Afinal, outra forma de fidelizar o cliente, diz o executivo, é fazer com que ele venha à Amazon para necessidades específicas.
É o que a empresa de Jeff Bezos tem feito em livros, diz Marcos Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). "A Amazon ajuda as editoras a girar o catálogo, e não só lançamentos."
Procuradas, B2W, Via Varejo, Americanas e Magazine Luiza não se pronunciaram.
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo
REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) tenta ganhar fôlego com aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões; veja o que muda para acionistas
21 de outubro de 2026 - 20:42BALANÇO DO 3T26
Bradsaúde (SAUD3): lucro sobe 14,4% e dividendos chegam a R$ 1 bilhão, mas ‘dor de cabeça’ volta a atacar
21 de outubro de 2026 - 18:34TEM MAIS POR VIR
A festa ainda não acabou: B3 (B3SA3) pode subir mais 27% e pagar bons dividendos, diz Santander
21 de outubro de 2026 - 16:23VISÃO DE GESTORES
“Parece que não pode ver um real sobrando”: por que acordo com o Einstein reacende dúvidas sobre uso do caixa da Ânima (ANIM3)
21 de outubro de 2026 - 14:45BALANÇO DECEPCIONOU?
WEG (WEGE3) cai mais de 7% com balanço pressionado por dólar e tarifas; exagero ou sinal de alerta?
21 de outubro de 2026 - 14:19FORA DO AR
Bons resultados da Netflix (NFLX) vêm de ‘ajuste de última hora’, e futuro preocupa, diz analista; veja os números
21 de outubro de 2026 - 14:07OPORTUNIDADE OU ARMADILHA
O pior já passou? Bradsaúde (SAUD3) encara custos maiores e lucro pressionado no 3T26. É hora de fugir ou comprar?
21 de outubro de 2026 - 11:13PRÉVIA DO BALANÇO
Bradesco (BBDC4) chega ao balanço com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, mas ainda precisa convencer que a virada veio para ficar
21 de outubro de 2026 - 6:13DE OLHO NA SELIC
Vamos (VAMO3) já subiu 106% no ano com a ajuda do trade eleitoral. Ainda há espaço para ganhar mais?
20 de outubro de 2026 - 18:45PÁGINA VIRADA
Americanas (AMER3) vira a página da recuperação judicial, mira nova fase e dispara 25% na B3; o que esperar da varejista?
20 de outubro de 2026 - 17:23NEGÓCIO DA CHINA?
Inter (INTR) ri, enquanto Wiz (WIZC3) chora: entenda a operação que fez as ações de seguradora despencarem 20%
20 de outubro de 2026 - 16:25Saiu caro demais?
Ânima (ANIM3) fecha parceria com o Einstein, mas preço acende alerta entre analistas e ações caem mais de 11% na B3; entenda
20 de outubro de 2026 - 16:09PRÉVIA DOS BALANÇOS
Nem todo bancão vai sair ileso: o que esperar dos balanços de Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil no 3T26
20 de outubro de 2026 - 6:12CONTA EM ABERTO
Raízen (RAIZ4): recuperação extrajudicial avançou, mas credores estão longe de saber quanto vão recuperar no fim do processo, diz BB Investimentos
17 de outubro de 2026 - 15:02NOVA FASE
Tem ações da Braskem? Nova oferta da controladora permite venda dos papéis, mas nem todo acionista pode participar; entenda
17 de outubro de 2026 - 11:01FIQUE POR DENTRO
A noite na bolsa: os anúncios de Cosan (CSAN3), Rede D´Or (RDOR3), XP(XPBR31) e mais
16 de outubro de 2026 - 19:51APOSTA RENOVADA
O Itaú (ITUB4) quer mais energia: bancão injeta mais R$ 1,77 bilhão em subsidiária da Eneva (ENEV3)
16 de outubro de 2026 - 11:09FORA DE CIRCULAÇÃO
Banco Central decreta liquidação da cooperativa de crédito Credipaiva após “grave violação” de regras
16 de outubro de 2026 - 9:26MERCADO EM EXPANSÃO
Rival da B3 quer estrear em 2027 e promete reduzir custos e ampliar opções para quem investe em ações, ETFs e FIIs
15 de outubro de 2026 - 17:10DOS MIMOS ÀS PROTEÍNAS