Você prefere Bolsonaro no atacado ou no varejo?
Pelo sim, pelo não, melhor é atuar rápido e ao menor custo possível. Nesta terça-feira, o deputado Marcelo Freitas (PSL-MG), relator da reforma da Previdência, vai ler seu parecer na CCJ da Câmara. O texto deve ser votado no dia 17 de abril, mas há um esforço para que a discussão comece dois dias antes (15/4).

Sou do tempo em que o futsal chamava-se futebol de salão. E, acredite, já senti o que é ser técnica de uma seleção com cinco jogadores e dois reservas (agora apenas um, pois meu filho Parris deixou a quadra ainda no primeiro tempo), mas o time segue firme com Daniel, Diego, Dimitri, Jonas, Julio e Nicholas. Essa minha família bate um bolão, mas (fala sério!) está fora de moda. Há quase 40 anos, a minha família era um retrato da brasileira, de quatro filhos ou mais. Tamanho GG. Hoje, o Brasil tem família P ou PP, de dois filhos e olhe lá!
Você tem ideia de quantos carrinhos de supermercado eram necessários para alimentar a galerinha? Se você disse muuuitos... acertou! Comprar tudo o que fosse possível no atacado era a saída para colocar tantos filhos dentro do orçamento doméstico. No varejo, tudo custava mais caro. Ainda é assim. E não importa o que vem no pacote.
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes (Economia) são homens de família! São pais e devem saber das vantagens do atacado. Uma delas é que no atacado, além de mais barata, a compra é mais rápida, o que facilita dar um basta à choradeira dos filhos mais rebeldes. No varejo, é possível ter mais variedade, mas sem a garantia de que todos ficarão satisfeitos.
Pelo sim, pelo não, melhor é atuar rápido e ao menor custo possível. Nesta terça-feira, o deputado Marcelo Freitas (PSL-MG), relator da reforma da Previdência, vai ler seu parecer na CCJ da Câmara. O texto deve ser votado no dia 17 de abril, mas há um esforço para que a discussão comece dois dias antes (15/4) para que a votação não atrase. Em seguida a proposta segue para a comissão especial que avaliará o seu conteúdo.
A reforma da Previdência é o “atacado” em que o governo deve atuar neste momento. Na semana passada, a segunda de bate-boca em comissões da Câmara e do Senado, que tiveram Paulo Guedes como protagonista, parlamentares defenderam que a reforma tributária seja feita antes da previdenciária ou que seja analisada ao mesmo tempo.
A reforma tributária também pode ser encaixada do “atacado” do governo. Mas sem que essas duas grandes revisões de normas tenham deslanchado, estão sendo preparadas medidas para ativar a economia.
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As medidas em estudo, que podem ser vistas como o “varejo” da atuação do governo, devem ser lançadas em 60, 180 e até 360 dias, com o objetivo de reduzir a burocracia para as empresas tornando-as mais competitivas externa e internamente. Governos anteriores tentaram fazer milagres semelhantes, mas fracassaram quanto à consistência da atividade despertada.
Reforma tributária a caminho
O governo garante ter como prioridade a reforma das aposentadorias e reconhece que ela sofrerá alguma desidratação no Congresso para ser aprovada. Esse ajuste da proposta tomará algum tempo da equipe econômica e dos parlamentares. Agora, imagine você, a confusão que pode acontecer, caso as duas reformas venham a exigir grande atenção dos políticos. Aí corre-se o risco de não aprovar nem uma e nem a outra, o que seria o pior dos mundos.
Na semana passada, o MDB encaminhou à Câmara uma proposta de reforma de impostos baseada nos princípios defendidos pelo economista Bernard Appy. Diretor do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Appy é um dos maiores especialistas brasileiros em tributação.
Ele defende um imposto único cobrado sobre o consumo e que pode vir a desonerar exportações e investimentos. O economista prefere, porém, que o texto seja votado apenas depois da reforma da Previdência, para evitar concorrência entre as duas propostas.
Embora o mercado financeiro acredite que a reforma da Previdência deverá ser aprovada pelo Congresso até o início do segundo semestre, principalmente após o presidente Jair Bolsonaro entrar na articulação política, gestores com quem conversei na semana passada avaliam que as expectativas quanto à trajetória da taxa de juros estão mudando. A ideia de que o Copom poderia cortar a Selic em breve perde terreno para a perspectiva de um período maior de manutenção em 6,50 por cento.
Em se tratando de juro, não dá para começar a semana sem parabenizar a repórter Julia Wiltgen, do Seu Dinheiro, pela excepcional apuração sobre o retorno do Tesouro Selic, que vinha rendendo menos que a poupança no curto prazo em certas situações. Em resposta às colocações certeiras feita por ela, o Tesouro reduziu o spread do Tesouro Selic.
Segundo simulações da instituição, o Tesouro Selic passa a ter retorno igual ou maior que a poupança, mesmo em prazos menores, com exceção dos primeiros três dias de aplicação, quando o spread gera perdas nominais para o investidor que faz resgate antecipado.
Em sua coluna de domingo, a repórter lembra que não é possível afirmar categoricamente que uma aplicação é melhor que outra em todos os cenários e para qualquer perfil. Julia lembra que existem alternativas para aplicação de reservas de emergência e elege como curinga os fundos de renda fixa conservadora, desde que tenham liquidez diária e rendimento de cerca de 100 por cento do CDI, já descontada a taxa de administração.
Fique ligado!
O governo Bolsonaro completa 100 dias nesta semana. Ontem, ao lembrar do evento, o jornal Folha de S.Paulo publicou pesquisa Datafolha em que o atual governo é ruim ou péssimo para 30 por cento dos brasileiros, índice semelhante ao daqueles que consideram ótimo ou bom (32 por cento) ou regular (33 por cento). Não souberam opinar 4 por centro dos 2.086 entrevistados com mais de 16 anos em 130 municípios nos dias 2 e 3 de abril.
A pesquisa mostrou também que para 61 por cento dos brasileiros o presidente fez menos do que se esperava. Em compensação, 59 por cento acreditam que o presidente terá um desempenho ótimo ou bom daqui para a frente.
Essa expectativa está longe de ser negativa, especialmente se considerarmos que, nas últimas duas semanas, o governo ficou sob uma saraivada de críticas quanto a dificuldades na articulação política.
As últimas sessões da Bolsa foram de recuperação e o Ibovespa encerrou a sexta-feira (5) em alta de 0,83 por cento, para 97.108 pontos, o que elevou o ganho da semana a 1,8 por cento. O dólar voltou a subir, na sexta, em 0,38 por cento, para 3,87 reais. Na semana passada, a moeda brasileira caiu 1,1 por cento.
Nesta segunda-feira, deve repercutir positivamente nos mercados a informação de que a Caixa Econômica Federal definiu o sindicato de bancos que coordenará a oferta subsequente (“follow-on”) de ações detidas na Petrobras. De acordo com o Valor, os coordenadores serão Caixa, Morgan Stanley, UBS, XP Investimentos e Bank of America (BofA). Ainda segundo o Valor, o líder do sindicato será o BofA. Além das ações da Petrobras, a Caixa pretende vender participações detidas direta e indiretamente no Banco do Brasil e na Alupar. Ao todo, a oferta pode movimentar quase 13 bilhões de reais.
No exterior, o clima pesa por três variáveis: a expectativa com o desfecho da negociação entre EUA e China em torno de questões comerciais, o encaminhamento do Brexit pelo parlamento britânico e a pressão do presidente Donald Trump sobre o Federal Reserve (Fed) para aliviar a política monetária.
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