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Estadão Conteúdo
Dedo na ferida

“Unidade progressista” reúne líderes de esquerda para explorar desgaste do governo

Juntos, PT, PSB, PCdoB e Psol querem fazer uma ofensiva e aproveitar o desgaste precoce de Jair Bolsonaro

26 de março de 2019
17:56 - atualizado às 14:00
Fernando Haddad, oposição
Fernando Haddad - Imagem: Shutterstock

Lideranças de quatro dos principais partidos de esquerda se reuniram nesta terça-feira, 26, em Brasília, para criar uma frente com os objetivos de unir as forças de oposição e explorar o desgaste precoce do governo Jair Bolsonaro. A iniciativa já é vista como o principal passo da esquerda em direção à unidade desde o início do governo.

Os primeiros alvos do grupo batizado como Unidade Progressista, formado pelos ex-presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) além do governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), do ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) e da ex-candidata a vice-presidente Sonia Guajajara (PSOL), são o projeto de reforma da Previdência enviado pelo governo ao Congresso e a defesa feita por Bolsonaro do golpe que derrubou o presidente João Goulart em 1964 e mergulhou o país em mais de duas décadas de ditadura militar.

O encontro não teve a participação formal dos partidos. Os também ex-presidenciáveis Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) declinaram dos convites mas serão chamados para os próximos encontros da frente, que serão mensais.

"É um grupo tático de intervenção na conjuntura, uma espécie de 'think tank' progressista, um iniciativa de articulação para ocupar o espaço político deixado pelo desgaste do governo e não deixar um vazio. Do jeito que está, daqui a pouco alguém começa a falar em golpismo", resumiu Flávio Dino.

O governador do Maranhão negou que o objetivo seja a criação de um novo partido político e que o foco do grupo seja a eleição de 2022. "Eu, particularmente, não vejo isso (novo partido). É mais para fortalecer a ideia de frente, de aliança", afirmou.

O grupo aprovou uma carta na qual critica o projeto de reforma da Previdência enviado pelo governo ao Congresso (Dino e outros governadores do Nordeste defendem uma reforma, mas em outros moldes), a decisão de Bolsonaro de incentivar comemorações pelo golpe de 1964, atitudes que condenaram "antinacionais" do presidente em sua viagem aos EUA e defendem a "isonomia" jurídica ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Lava Jato, além da unidade da esquerda.

Até o final da semana a Unidade Progressista deve divulgar outra carta sobre o apoio de Bolsonaro ao golpe militar de 1964. "Ao defender o golpe o presidente adota uma postura agressiva não só à esquerda mas a toda a democracia", disse Dino.

Segundo ele, o objetivo inicial é criar um campo de diálogo entre as forças de esquerda sem o "peso" dos partidos políticos, cujas decisões precisam passar por instâncias de direção e burocráticas. De acordo com Guilherme Boulos, a unidade é o único caminho da esquerda para evitar o avanço da agenda de Bolsonaro.

"Nós só vamos conseguir derrotar os retrocessos do Bolsonaro com muita unidade da oposição. Esta reunião foi um esforço de unidade", disse ele.

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