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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
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Tô casando com vocês!

A semana que passou marcou uma grave crise entre o Congresso e Bolsonaro. As fichas, agora, estão na sensatez de Paulo Guedes

Eduardo Campos
Eduardo Campos
31 de março de 2019
13:28
Bolsonaro tô casando com vocês congresso
Presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados no dia de sua posse. "Tô casando com vocês", disse. - Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Enquanto assinava seu termo de posse como presidente, no Congresso Nacional, Jair Bolsonaro disse aos parlamentares em tom bem-humorado: “Tô casando com vocês”.

Ao longo desses 90 dias de mandato estamos vendo as alegrias e tristezas desse novo casal, as naturais dores da convivência. Mas a semana que passou marcou uma grave crise marital.

Rodrigo Maia, representando o Congresso, disse que chega! “Você precisa mudar, me ajudar para esse casamento dar certo! Sai desse 'Twitter'! Além disso, esses seus filhos de outro casamento não me respeitam. Ou melhor, não respeitam ninguém, e ainda tem esse seu amigo filósofo com grave fixação fálica e anal!”

Do outro lado da cozinha, Bolsonaro responde: “Calma lá. Esse casamento foi arranjado pelas urnas com um contrato muito claro. Acabar com velhas práticas que colaram essa Casa abaixo. Não vou ceder. Já estou conversando com seus amigos todos, me dá um tempo. Aqui no 'Twitter' estou dando satisfação a quem bancou essa união! Fora que não tenho vocação para presidiário. Olha o que aconteceu com seus ex-maridos...”

Sem gostar da reposta, o Congresso remexe o passado e do fundo da gaveta saca uma PEC e coloca no meio da sala, só para mostrar quem manda. Bolsonaro não se abala, até ajuda a colocar o trambolho no recinto e fala que gosta da exótica novidade: “Eu sempre gostei, só tinha esquecido mesmo!”

Enquanto a temperatura da discussão aumentava, o vizinho que torce para tudo dar certo, o mercado, assiste horrorizado e fraqueja na sua convicção de que o tal casamento vai dar certo. Dá um sacode na filha Bolsa enquanto manda o filho Dólar subir pro quarto.

No meio tempo, a turma do deixa disso, que também atende por Paulo Guedes, entra em cena: “Calma gente! É um problema de comunicação. Um está vindo de um relacionamento antigo, com alguns vícios de coalizão. O outro chega trazendo um viés liberal que sempre passou longe dessa Casa. Vamos conversar. Eu vou descer aí e ver como posso ajudar. Ele é turrão, mas bem-intencionado, ele me ouve.”

Com a entrada em cena da sensatez, o vizinho mercado se acalma. Manda o filho Dólar descer do quarto, e dá uma alisada na filha Bolsa, que tem um potencial incrível pela frente.

E mais ou menos assim encerrou a semana. Todos ficam, agora, de olhos abertos e ouvidos aguçados esperando se o diálogo entre o casal, mediado pela sensatez, vai fazer o casamento dar certo.

Na cabeça do mercado, não tem como esse casamento não gerar seu primeiro rebento, a reforma da Previdência. Vai ser no amor ou vai pela dor, com bolsa apanhando, dólar subindo e juros nas alturas. Segure a peruca, pois vai chacoalhar.

O que não se sabe é que cara terá esse filho. Se vem com a cifra do R$ 1 trilhão, demandada pela sensatez, ou se fica mais parecido com o irmão que não vingou e que foi deixado de lado por ter metade do tamanho. O que é certo é que filho feio não tem pai.

Os mais afoitos, que pouco entendem de como a banda toca por aqui, temem uma separação litigiosa. Mas os lados envolvidos sabem que se isso acontecer, não haverá patrimônio ou bens para dividir.

Nova crises maritais virão. É natural que isso aconteça, pois há uma transição de relacionamento, a tal nova política, que ainda ninguém sabe como vai funcionar.

Como a crise veio cedo e foi muito aguda, a sensatez (Paulo Guedes) não pode falhar nessa pacificação. Se a sensatez se desentender com Bolsonaro, fica aberto o espaço para o desespero voltar.

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