Menu
2019-03-27T09:09:28+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Jogo duro

Congresso dá uma surra em Paulo Guedes e no governo

Em votação relâmpago, deputados aprovam emenda à Constituição que contraria tudo o que o ministro da Economia queria para o Orçamento

27 de março de 2019
7:36 - atualizado às 9:09
Rodrigo Maia e Paulo Guedes
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ministro da Economia, Paulo Guedes. - Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Eram 21h30 e chega a mensagem: Viu a votação? Deu ruim...

Respondo: Ruim demais, esmagaram o Paulo Guedes, mas engraçado que o mercado não deu bola para essa votação ao longo do pregão.

Interlocutor: Não viram essa notícia! Eu mesmo só vi depois do pregão. Qual foi o placar final?

Eu: No segundo turno, 453 a seis, no primeiro foi 448 a três.

Interlocutor: Meu Deus, que surra. Estrago de alguns bilhões. Tempos difíceis, vamos ver a reação amanhã (hoje). Quem não sabe brincar, não desce no play...

A conversa acima tem como mote a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que faz o exato oposto do que vinha sendo advogado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, podendo tornar o Orçamento da União ainda mais “engessado”, impositivo, reduzindo o poder da equipe econômica em redefinir alguns gastos.

Depois que Guedes cancelou sua participação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, alegando que seria mais produtivo esperar a designação do relator, ocorreu a reunião de líderes, onde desenterraram essa PEC de 2015, que obriga o governo a executar todos os investimentos do Orçamento e fixa em 1% da receita corrente líquida os dispêndios com as emendas obrigatórias dos deputados.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, negou que a inclusão na pauta de votação fosse uma retaliação ao Palácio do Planalto, depois das rusgas trocadas com o presidente Jair Bolsonaro, sobre o que seria a nova e a velha política e o papel de cada um na articulação da reforma da Previdência.

Segundo Maia, a pauta poderia ser encarada como “o poder legislativo reafirmando suas atribuições”.

No entanto, nada em política acontece por acaso e é sintomático que uma PEC de 2015 saia da gaveta e seja votada em dois turnos, em pouco mais de uma hora, com os congressistas votando até mesmo a chamada quebra de interstício, intervalo regimental de cinco sessões entre a votação em primeiro e segundo turnos.

Na contramão do ministro

Paulo Guedes vinha defendendo uma total desvinculação e desindexação do Orçamento, com consequente aumento no repasse de receita para Estados e municípios. Segundo Guedes, essa revisão do Pacto Federativo devolveria o “protagonismo” à classe política em arbitrar orçamento.

A votação de ontem à noite foi uma demostração de força, mostra quem tem o “protagonismo” e ilustra que o jogo é bruto no Congresso, que sempre foi muito forte como instituição, como “corpo”, mesmo que os partidos ali dentro sejam fracos e impopulares.

Como até o PSL e o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, votaram pela PEC, uma versão aventada é de que o projeto poderia ser parte de um “acordão”, dando mais recursos aos deputados via emendas em troca de apoio posterior.

Outros deputados também comemoraram, e deputado feliz com matéria orçamentária não é bom sinal para o bolso de ninguém. O governo também pode ter fingido que nada aconteceu depois de ver que seria tratorado pelos congressistas.

Uma terceira vertente de interpretação possível é que se essa votação foi um “troco”, um “sacode”, pode ser algo positivo para o governo se preparar para negociar com a Casa do Povo.

O texto ainda tem de passar pelo Senado, onde já conta com a simpatia do presidente Davi Alcolumbre. Aliás, Guedes deve ir à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) às 14 horas falar sobre endividamento dos Estados e planos da área econômica.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

A Bula do Mercado

Mercado aguarda decisão de BCs

Fed e Copom devem manter taxas de juros hoje, mas expectativa é por sinalização de cortes à frente

Ótima notícia por um péssimo motivo

Copom e Fed decidem juros. Se não tem corte, tem aceno, que é quase a mesma coisa

Decisões de política monetária centram atenção nos mercados. Reação pode ser positiva, mas o que motiva a atuação dos BCs não é nada animador

Seu Dinheiro na sua noite

Insiste em zero a zero e eu quero um a um

Você disse que não sabe se não. Mas também não tem certeza que sim. Se Djavan fosse um analista de mercado, representaria o sentimento dos investidores sobre o que vai acontecer com as taxas de juros no país. Para muita gente, não é mais uma questão de “se”, mas de “quando” a Selic vai cair. […]

Tá liberado!

Governo amplia setores autorizados a trabalhar aos domingos e feriados

A partir de hoje, 78 setores estão autorizados a funcionar nesses dias. Entre os novos segmentos está o comércio em geral

Agora vai?

Leilão de ativos da Avianca Brasil acontecerá no dia 10 de julho

Colegiado de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo liberou a decisão sobre a na manhã de ontem

Preenchendo a vaga

À espera de aprovação do nome de Montezano, BNDES nomeia presidente interino

Nome do atual diretor de finanças da instituição, José Flávio Ferreira Ramos, foi indicado para ocupar o posto provisoriamente

O rombo em forma de dados

Mansueto: dos 26 Estados mais DF, 14 gastam acima do limite de 60% com pessoal

Percentual abordado pelo secretário o Tesouro Nacional foi estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal

Olha eles aí outra vez

Deputados favoráveis à reforma da Previdência defendem volta da capitalização e de Estados

Sessão para debates sobre o relatório na comissão especial da reforma da Previdência na Câmara contou com várias defesas dos pontos retirados

negócio fechado

Embraer assina cooperação estratégica com a Elta para desenvolver P600 AEW

Com o acordo, as duas empresas criam um novo segmento de mercado, o de AEW; aeronave de última geração foi concebida para atuar em um novo segmento do mercado

acelerou! (um pouquinho)

Preço médio dos imóveis residenciais sobe 0,29% em maio em 10 capitais, diz associação

A Abecip avaliou, em nota, que as altas nos preços dos imóveis residenciais na maioria das capitais ainda não resultam em uma recomposição dos valores dos imóveis em termos reais.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements