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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Descoordenação

Reforma da Previdência: Quem precisa de oposição?

Jair Bolsonaro fala além da conta e mostra a falta de sintonia do governo em torno do seu tema fundamental

28 de fevereiro de 2019
15:50 - atualizado às 16:28
Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro - Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Em conversa com jornalistas, o presidente Jair Bolsonaro falou que a idade mínima de 62 anos para as mulheres, proposta na reforma da Previdência, é um ponto passível de mudança, segundo nos relata o “Valor Econômico”.  A fala não caiu bem no mercado e denota que ainda falta uma estratégia e coordenação para tratar do tema no governo.

Eventuais modificações na proposta encaminhada ao Congresso não são problema, a questão é quem fala sobre elas, e as declarações de Bolsonaro destoam completamente dos acenos que vinham sendo dados por outros membros de seu governo.

Ontem, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, defendeu o texto original, falando que a economia de R$ 1 trilhão era uma “cláusula pétrea” e “inegociável”, postura que fez coro com o já dito pelo ministro da Econômica, Paulo Guedes.

A fala do presidente, que foi até o Congresso levar sua proposta, também bate de frente com o dito pelo secretário Especial da Previdência, Rogério Marinho, de que o Congresso deve aperfeiçoar a reforma, “mas o projeto que o governo defende é o que ele mandou”.

Não é segredo que as propostas enviadas pelo Executivo ao Legislativo sempre têm uma “gordura” para ser “queimada” no trâmite legislativo. Falei da possibilidade de redução das idades de mulheres para 60 anos e homens para 62 faz duas semanas, contra os originais 62/65.

Podemos até ponderar que o presidente tentou fazer um aceno de boa vontade para negociações. Mas essa “dieta” é um trabalho a ser feito pelos parlamentares, notadamente os da oposição.

Não pega bem o chefe do Executivo ficar apontando as “gorduras” do seu próprio projeto. Ele perde alavancagem política e também deixa de ter para quem “apontar o dedo” caso a proposta seja muito desidratada.

Como me disse um amigo com experiência nos bastidores de Brasília: “Idade mínima é o mínimo. Nem tem conversa. Não tem estratégia de nada, parece. Bolsonaro não tem que mudar nada. Deixe os caras discutirem. Assim, enfraquece o Guedes”.

Estava indo bem...

Ilustrando que em política o máximo que conseguimos ver são “fotografias”, mas nunca o “filme” dos acontecimentos, escrevi, no domingo, que até aquele momento a reforma caminhava melhor que o esperado. Mas que o bom entendimento entre Bolsonaro e Guedes tinha de persistir, pois estávamos entrando na delicada fase de barganha política, interesses contrariados e “fake news”.

O jogo político começou nesta semana, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) fazendo um alerta e um pedido para o presidente. Vimos que deste então a movimentação política se acentuou, com reuniões de líderes políticos e encontros com bancadas.

Bolsonaro também se comprometeu a atuar nas redes sociais e “defender” a proposta, mas parece que faltou combinar uma estratégia com o resto do time. Melhor que tivesse continuado "menos atuante". Ou como falou um outro bem-humorado conhecido: “Até quarta de cinzas não sobra nada da Previdência”.

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