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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Análise

Decepção ou desalinhamento de expectativas na fala de Bolsonaro?

Esperado discurso em Davos gera críticas negativas de parte do mercado por não trazer “novidades” com relação à agenda de reformas

Eduardo Campos
Eduardo Campos
22 de janeiro de 2019
17:32 - atualizado às 17:16
Jair Bolsonaro Davos 22 01 19
Presidente Jair Bolsonaro durante Sessão Plenária do Fórum Econômico Mundial. - Imagem: Alan Santos/PR

Para parte do mercado e outros observadores da economia brasileira, o esperado discurso de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), foi mais um típico caso de “a montanha pariu um rato”.

O problema parece estar na questão das expectativas. Sem novidades relevantes no front econômico doméstico e com um carregado noticiário político negativo para a família Bolsonaro, todas as fichas estavam depositadas nessa apresentação do “novo Brasil” ao mercado financeiro internacional.

Mas a fala do presidente foi “mais do mesmo” na visão de um público que já “comprou” a carta de intenções do novo governo com relação a reformas e ajustes. E a fala de Bolsonaro foi mesmo uma reafirmação de princípios e vetores que serão perseguidos por sua equipe.

Particularmente creio que não poderia ser muito diferente. Ainda assim, o presidente poderia ter sido mais enfático nas suas colocações sobre economia e reformas, mas não existe “se” na história.

Há uma natural ansiedade com relação ao detalhamento das reformas, que empresas serão privatizadas, como fica o sistema tributário e afins. A “barra” de expectativas com relação ao governo está bem elevada, por assim dizer, e parece difícil que as “realidades” que venham a ser produzidas no curto prazo serão capazes de satisfazer ou aplacar essa agonia.

Assistimos a mais um clássico descasamento de tempos. O tempo do mercado, que tenta antecipar o futuro auscultando o presente, e o tempo da política, que varia conforme o cenário.

Com 22 dias no cargo e ainda tateando a “máquina do Executivo”, Bolsonaro e sua equipe parecem estar tomando conhecimento da abissal diferença imposta por Brasília entre fazer planos e “mudar a realidade”.

Até o vice e presidente em exercício, Hamilton Mourão, entrou em cena para dizer que lá em Davos “o cara fala do geral” e que o detalhamento acontece quando vai se discutir com o Congresso.

Mais “eventos decepcionantes” devem acontecer, pois o presidente entra de licença médica ao voltar da Suíça e seu aval é necessário para o desenho final da reforma da Previdência que se planeja apresentar ao Congresso no início do ano legislativo em fevereiro.

O que governo pode tentar fazer nesse ínterim é coordenar melhor as expectativas, o que exigirá um esforço de comunicação com o mercado e com a população, algo que faz falta desde a campanha eleitoral.

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