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2019-04-04T14:12:19-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Fórum Econômico Mundial

Bolsonaro dará mensagem de combate ao crime, respeito às leis e responsabilidade fiscal

Assessor internacional do presidente também avalia que após Davos, mundo sairá mais convicto de uma “refundação da economia” brasileira

22 de janeiro de 2019
11:08 - atualizado às 14:12
Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, Sergio Moro e Ernesto Araújo.
Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, Sergio Moro e Ernesto Araújo. - Imagem: Alan Santos/PR

O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Jair Bolsonaro, Filipe G. Martins, usou sua conta no “Twitter” para explicar qual a mensagem o governo quer deixar ao participar do Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, Suíça.

Segundo o assessor, ao escolher Davos como primeiro destino internacional, Bolsonaro demostra seu compromisso com a agenda econômica e a disposição de engajar o Brasil nas grandes discussões que determinarão os rumos do mundo neste século.

“Sua mensagem será uma defesa do combate ao crime e à corrupção; do respeito ao império das leis; da redução de gastos e da diminuição do Estado; da responsabilidade com as contas públicas e com as reformas estruturais; da desburocratização e da liberdade”, escreveu Martins.

Podemos inferir que essa linha da mensagem tem o “dedo” do ministro da Economia, Paulo Guedes, pois são pontos defendidos pelo ministro desde o período de campanha e reafirmados no seu discurso de posse.

Na avaliação de Martins, após o evento, o mundo sairá ainda mais convicto de que Bolsonaro trabalhará pela estabilidade macroeconômica, com equilíbrio das contas públicas, inflação baixa, juros de mercado, flutuação cambial e reforma tributária com o objetivo de reduzir a carga fiscal de modo sustentado.

Aqui temos uma defesa do chamado tripé macroeconômico e a reafirmação de algo que também constará nas falas de Guedes, que é “tirar o Estado do cangote de quem produz”.

Martins segue dizendo que haverá maior convicção que o governo trabalhará pela competitividade, com a eliminação de carteis e monopólios, privatização de empresas públicas, abertura dos setores financeiro e de comunicações, eliminação de regulações e diminuição da burocracia.

No lado do comércio internacional, a mensagem que se quer passar é que a política externa será caracterizada pela abertura econômica e liberalização comercial “com a firme disposição de fazer comércio com o mundo todo, sem qualquer viés ideológico”.

Por fim, diz o assessor, o “presidente demonstrará que a refundação da economia brasileira -- essencialmente patrimonialista e oligárquica desde a sua fundação -- só será possível devido a grande mobilização popular causada por sua agenda conservadora”.

Transmitir e convencer que todas essas mensagens são para valer não parece tarefa fácil. Essa missão começa com a fala do próprio presidente, prevista para as 12h30, e deve ser reforçada pelos outros ministros que também estão em Davos.

A expectativa com o discurso presidencial é grande, incluindo algumas expectativas pouco condizentes com a realidade, como um detalhamento da reforma da Previdência. Esse não seria o fórum adequado para falar de idade mínima, sistema de capitalização e participação ou não de militares. Esse tema deve ficar para volta e pelo pouco que se sabe, a intenção é apresentar um texto primeiro aos parlamentares, no que seria um importante gesto político.

O desafio do presidente não será apenas reafirmar compromissos com uma agenda econômica liberal, mas também tentar galgar a simpatia de parte da comunidade internacional, que mantém uma visão de que sua chegada ao poder seria uma “ameaça à democracia”, como se martelou com relativo sucesso durante o período de campanha eleitoral.

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