🔴 [EVENTO GRATUITO] COMPRAR OU VENDER VALE3? INSCREVA-SE AQUI

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
O mundo do juro baixo

Queda de juro torna a vida do poupador mais difícil, mas é bem-vinda, diz Ilan Goldfajn

Para o ex-presidente do Banco Central, não haverá recuperação global forte, os EUA vão desacelerar e juro ficará baixo por um bom tempo, com dólar alto. E não adianta esperar o dinheiro gringo: nós mesmos vamos ter que investir na economia real, e isso vai ser bom

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
4 de dezembro de 2019
11:25 - atualizado às 13:00
Ilan Goldfajn
Ilan Goldfajn, ex-presidente do BC - Imagem: Julia Wiltgen/SeuDinheiro

“De vez em quando alguém me para na rua da diz ‘obrigado pelo bom trabalho que você fez no Banco Central... mas você destruiu minha poupança, hein?’”.

O ex-presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, já começou sua apresentação nesta manhã, em evento da Western Asset em São Paulo, com esse storytelling, depois de ser responsabilizado pelo juro baixo no Brasil.

De fato, foi durante seu mandato no BC entre junho de 2016 e fevereiro de 2019 que a nossa inflação, antes alta, voltou para a meta, e o recente ciclo de cortes na Selic se iniciou.

Mas ele lembrou que o trabalho de política monetária dos bancos centrais é um trabalho de reação para tentar equilibrar os desejos de consumo, poupança e investimento das pessoas e instituições.

Afinal, a redução dos juros no Brasil é fruto de mudanças estruturais tanto aqui quanto no exterior.

“Vivemos num mundo de juros baixos. Temos 15 trilhões de dólares aplicados em juro negativo hoje”, lembrou Ilan, que hoje é presidente do Conselho do Credit Suisse no Brasil.

Lá fora, investidores não desejam tomar risco - a demanda é por ativos seguros, apesar do retorno baixo. Há menos ímpeto para investimento e crescimento e mais ímpeto por poupar em segurança.

Além disso, a inflação no mundo caiu de forma importante nos últimos dez anos. Não só pela menor demanda por consumo com uma população mais velha e avessa à risco, como também pelo desenvolvimento tecnológico que mantém os preços baixos e parecidos em todo o mundo globalizado.

Já no Brasil, a queda nos gastos do governo e as reformas, depois de dez anos de política fiscal expansionista, possibilitaram um juro mais baixo. “Despesa do governo caindo no Brasil é uma revolução”, disse Ilan Goldfajn.

Num cenário como esse, continuou, vamos ter que conviver com juro baixo por um bom tempo. Não é que pequenos ajustes nos juros e flutuações nos preços dos ativos não vão acontecer. Mas o patamar mudou.

Já o dólar deve mesmo ficar num patamar mais alto por um prazo mais longo. “Nosso câmbio deve ficar mais depreciado nos próximos dez anos do que esteve na última década”, disse o ex-presidente do BC. “Quando o juro fica mais baixo, o câmbio fica mais depreciado, é natural.”

Não adianta esperar o gringo

E, nesse cenário, nem adianta ficar contando muito com o dinheiro do gringo. O mundo está devagar mesmo, e assim deve continuar.

“Não consigo ver uma recuperação global muito forte. Os Estados Unidos vão desacelerar, porque o desemprego lá já está muito baixo. E conflitos e incertezas vão existir”, avaliou Ilan.

Nesse contexto, apesar dos juros baixos, a demanda do estrangeiro é por ativos seguros, não pelo investimento em ativos de risco, como os do mundo emergente. O “convidado especial” não vai vir da forma que esperamos. “A festa é boa, mas é nossa.”

E como ficamos nós, os órfãos do CDI?

O poupador, como eu e você, ficou órfão do juro alto. “De fato, a queda dos juros torna a vida do poupador mais difícil. Mas ela é bem-vinda”, disse Ilan Goldfajn.

Com juro alto, o poupador ganhava uma rentabilidade maior, mas também pagava uma conta maior pela política fiscal expansionista, financiando o governo. Aquele passado não era, afinal, maravilhoso. “A poupança do país não era maior quando o juro era mais alto”, lembrou.

Ele reforçou que, agora, com o juro baixo, há um estímulo à economia real, com maior participação do capital privado, maior eficiência e produtividade, gerando um retorno mais sustentável, o que é bom para o país.

“Fora que o Brasil é um país carente de todo tipo de investimento, então o potencial de retorno é alto”, observou. O problema, admitiu, é haver segurança institucional para o ativo real - empresa, imóvel, investimento em infraestrutura - poder dar este retorno.

“O desafio do mercado financeiro é estruturar os ativos de forma a dar essa segurança para o investidor. E o investidor está vindo. Ele não está acostumado a ter um retorno de 5% ao ano. Ele quer mais”, completou.

Compartilhe

E o teto de gastos?

‘Responsabilidade social não significa irresponsabilidade fiscal’, diz Goldfajn, ex-presidente do BC

1 de novembro de 2021 - 7:06

Atual presidente do conselho do Credit Suisse no país, Ilan Goldfajn vê com preocupação os recentes movimentos do governo no front fiscal

Abafando rumores

CEO Global do Credit Suisse nega suposta venda da filial brasileira em vídeo

27 de maio de 2021 - 15:08

As expectativas para a eventual negociação cresceram após a notícia de que José Olympio deixaria a presidência do banco após 10 anos no cargo

Plano pró-Brasil pegou mal

Brasil pode perder uma segunda década consecutiva de crescimento com medidas atuais, diz ex-BC

27 de abril de 2020 - 7:47

O ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o governo deve assegurar que os recursos estão chegando aos mais necessitados e que não é o momento de grandes obras públicas

ECONOMIA

Ilan Goldfajn: ‘O mais importante hoje é a persistência nas reformas’

15 de dezembro de 2019 - 15:54

O economista, hoje presidente do conselho do Credit Suisse, afirma estar otimista, pois vários obstáculos, como a taxa de juros elevada, já foram retirados do caminho

cara nova no banco suíço

Ex-presidente do BC, Ilan Goldfajn vai para o Credit Suisse

5 de setembro de 2019 - 10:52

Economista atuará com clientes corporativos e pessoas físicas de alta e altíssima renda da instituição; ele assume o cargo no próximo dia 16

Análise

E não é que a inflação sumiu do discurso do Banco Central?

15 de março de 2019 - 5:17

Roberto Campos Neto usou o termo “inflação” apenas sete vezes no seu discurso. Ilan, quando chegou ao BC, falou em “inflação” 17 vezes e os contextos são bem diferentes. Isso mostra que embate CDI x Ibovespa morreu faz tempo

Política Monetária

Será que Campos Neto tira do bolso alguma indicação sobre a Selic?

13 de março de 2019 - 8:21

Presidente do Banco Central discursa em cerimônia de transmissão de cargo e mercado, ou parte dele, espera algum aceno sobre taxa básica de juros

Política Monetária

Roberto Campos Neto toma posse como presidente do Banco Central

28 de fevereiro de 2019 - 9:47

Em cerimônia reservada, Bolsonaro empossa novo presidente. Transmissão de cargo será no dia 13 de março

Reformas

Para presidente do BC, reforma da Previdência é “abrangente” e injustiças “estão sendo tratadas”

21 de fevereiro de 2019 - 13:30

Ilan Goldfajn reforçou que na visão do BC, quanto maior a economia da reforma, melhor será para administrar a inflação

De saída do BC...

Para Ilan Goldfajn, é preciso cautela para baixar ainda mais a Selic

14 de fevereiro de 2019 - 11:45

Principal preocupação do presidente do Banco Central é o desequilíbrio das contas públicas, diante da indefinição da aprovação das reformas

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Continuar e fechar