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Presidente do BC

Ilan reforça que reformas são ‘fundamentais’ para juros baixos e inflação controlada

Durante evento na Febraban Presidente do Banco Central cobrou realização de reformas para reequilíbrio das contas públicas

4 de dezembro de 2018
14:07 - atualizado às 13:41
Ex-presidente do BC, Ilan Goldfajn
Ex-presidente do BC, Ilan Goldfajn - Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, ressaltou que a economia brasileira, embora se recupere de maneira gradual, tem crescido continuamente. Ele participou de evento na Federação Brasileiro de Bancos (Febraban) nesta terça-feira, 4.

"O PIB cresceu 0,8% no terceiro trimestre. Foi a sétima variação positiva seguida a cada semestre. Isso não acontecia desde 2011. O cenário é desafiador, mas na margem vemos estabilidade", observou.

Goldfajn disse ainda que a recuperação econômica foi possível graças à queda dos juros e ao controle da inflação. Segundo ele, a inflação está ancorada e a expectativa é que isso se mantenha em 2019 e 2020.

O presidente do BC aproveitou o discurso para mais uma vez cobrar a realização de reformas que reequilibrem as contas públicas.

"A aprovação e implementação de reformas e ajustes são fundamentais para sustentabilidade desse ambiente [de juros baixos e inflação controlada]. Temos enfatizado que a conquista da inflação e de juros baixos depende de avançar nesse processo", afirmou.

Goldfajn lembrou também que em 2018 os emergentes tiveram que enfrentar aversão ao risco e fuga de capital, em razão do aumento das taxas de juros nos Estados Unidos. Disse ainda que a realocação do portfólio do investidor global depreciou moedas e elevou o prêmio de risco. "Os prêmios de risco se estabilizaram, mas em níveis aquém dos vigentes no início do ano", declarou.

"Não obstante às incertezas, Brasil mostrou que tem amortecedores robustos para enfrentar choques", disse.

Guardia quer Previdência no Top 1

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, resolveu transformar seu discurso no evento da Febraban em um apelo para que o próximo governo comece o ajuste fiscal com a reforma da Previdência. "É o cerne do problema".

Na visão do ministro, o Brasil ainda tem a chance de fazer um ajuste fiscal gradual e, sabendo de suas vulnerabilidades, precisa enfrentá-las antes que o cenário externo "fique ainda mais adverso".

"Outras economias não conseguiram realizar um ajuste fiscal, e isso leva a medidas urgentes de curto prazo, que no Brasil acabariam reforçando as distorções que temos", disse Guardia, que ressaltou que, na reunião do G-20, o tom era de preocupação com 2019.

Guardia também disse que seria um erro revogar o teto de gasto, que se tornou uma espécie de garantia aos investidores internacionais de que haverá algum controle de despesas. E, para que o teto seja respeitado, é necessário realizar a reforma da Previdência. "A manutenção do teto é crível pelos próximos quatro anos, pelo menos até o próximo governo", disse.

Para o ministro, a continuidade do processo de reformas vai exigir um diálogo entre os poderes Judiciário e Legislativo. Também afirmou que os governos estaduais precisam controlar os gastos, que ainda crescem mais que a inflação.

*Com Estadão Conteúdo 

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