Menu
2019-02-28T12:15:09-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Política Monetária

Roberto Campos Neto toma posse como presidente do Banco Central

Em cerimônia reservada, Bolsonaro empossa novo presidente. Transmissão de cargo será no dia 13 de março

28 de fevereiro de 2019
9:47 - atualizado às 12:15
Campos Neto – Bolsonaro e Guedes 280219
Jair Bolsonaro durante posse do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com o ministro da Economia, Paulo Guedes. - Imagem: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro deu posse, em cerimônia reservada, a Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central (BC). A transmissão de cargo ocorrerá no dia 13 de março, às 15 horas. É nesse evento que Campos Neto faz seu discurso inaugural e Ilan Goldfajn sua despedida.

Campos Neto e dois novos diretores tiveram suas indicações aprovada na terça-feira pelo Senado. Em sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Campos Neto acenou continuidade da política monetária ao reforçar “cautela, serenidade e perseverança” como valores que devem ser preservados e aprimorados.

Os termos estão sendo utilizados pelo agora ex-presidente Ilan Goldfajn para reforçar que o BC não se pauta por mudanças de curto prazo, mas sim por alterações em tendências das variáveis econômicas.

Campos Neto também determinou como prioridades alinhadas às metas de 100 dias de governo, a fixação de critérios para o exercício de cargo de dirigente em instituições financeiras públicas e a lei de autonomia do Banco Central.

Ilan Goldfajn

Ilan chegou ao BC em junho de 2016 com inflação de quase 11% e juros de 14,25% ao ano e disse que levar o IPCA para as metas era desafiador, mas crível. Naquele momento, gente de peso no mercado chegou a sugerir que ele mudasse as metas para não descumprir o regime. Mas a inflação fechou o ano em 6,29%, dentro da banda de tolerância.

Em outubro de 2016, após o início da convergência das expectativas de inflação à meta, Ilan deu início a um ciclo de corte de juros que se encerrou há exatamente um ano, com a Selic fixada em nova mínima histórica de 6,5% ao ano.

No seu turno também foi retomado o processo de redução da própria meta de inflação, que estava estacionada em 4,5% desde 2005. Agora em 2019, a meta foi ajustada para 4,25%, caindo para 4% em 2020 e 3,75% em 2021. Em junho, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá a meta de 2022.

Também ao longo do seu mantado, o BC lançou a “Agenda BC mais”, conjunto de medidas que buscam ampliar a competição no mercado financeiro, reduzir o custo de observância das regras do BC, simplificar e aprofundar o mercado de crédito e estimular a inclusão financeira.

Entre redução e simplificação de compulsórios, maior competição no mercado de cartões e regulação das fintechs, uma das medidas mais relevantes foi a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), que substituiu a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Essa mudança do crédito subsidiado já mostra resultados, com empresas acessando mais o mercado de capitais e em condições mais favoráveis que o crédito bancário e mesmo melhores que antiga TJLP vigente até então.

A TLP tem outro efeito pouco palpável, mas não menos relevante, que é chamar o empresariado a observar e cobrar pelo equilíbrio macroeconômico, pois o preço dos financiamentos passeou a depender disso e não mais da vontade do governo de plantão. Até então, bastava conhecer as pessoas certas aqui em Brasília para ter crédito a juro real negativo, mesmo com taxa de mercado beirando os 10% em termos reais.

Ilan sai do BC bem avaliado pelo mercado tendo reconstruído a confiança no regime de metas. Política monetária também é a arte de fazer com que o mercado e os demais agentes econômicos acreditem que o BC vai atuar, cortando ou subindo os juros, para manter a inflação na meta.

A discussão recente envolvendo a atuação de Ilan é se ele não poderia ter sido um pouco mais ousado na redução do juro, tendo em vista que a atividade não reage, como o PIB de 2018 mostra, e inflação caiu abaixo da meta em 2017, ficando em 2,95%, e também se manteve comportada em 2018, ao marcar 2,95%, mesmo com choques externos, greve de caminhoneiros e eleições.

Ainda assim, a tríade cautela, serenidade e perseverança parece ter funcionado muito bem.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

CORONAVÍRUS

Xi Jinping alerta para a ‘grave situação’ criada pela disseminação ‘acelerada’ do novo coronavírus

Até agora, as autoridades disseram que a doença já infectou mais de 1.300 pessoas e matou 41. Mas a Comissão Nacional de Saúde anunciou que 237 pacientes estão em condições graves

ECONOMIA

‘Recessão profunda torna retomada lenta’, diz economista do Insper

“Um ponto a se considerar é que, somando com os resultados de 2018, já são quase 1,2 milhão de empregos desde a crise. O mercado de trabalho demorou para responder, porque a recessão foi muito profunda, mas está respondendo”, falou Sergio Fripo

AINDA SOBRE A 'CAIXA-PRETA'

TCU dá 20 dias para BNDES explicar auditoria milionária da ‘caixa-preta’

Após um ano e dez meses focado em oito operações com as empresas JBS, Bertin, Eldorado Brasil Celulose, a auditoria não apontou nenhuma irregularidade

DE OLHO NA VALE

Vale paga multas ao governo mineiro, mas questiona cobranças do Ibama

De acordo com dados da Semad, foram aplicados até o momento 11 autos de infração em decorrência do rompimento da barragem no dia 25 de janeiro de 2019

OLHO NAS STARTUPS

Volume de aportes em startups do País cresce 80% e atinge US$ 2,7 bi em 2019

O número de aportes, por sua vez, cresceu 8,3% na comparação com 2018, mas não bateu recordes – em 2017, foram 263 investimentos no País, mas com valor individual menor, totalizando US$ 905 milhões

ACORDOS

Bolsonaro assina 15 acordos com a Índia e fala que comércio poderá superar US$ 50 bilhões até 2022

O principal acordo assinado é o de cooperação e facilitação de investimentos (ACFI), segundo o jornal Folha de S.Paulo

MAIS LIDAS DO SEU DINHEIRO

MAIS LIDAS: O sonho da aposentadoria rápida

Caro leitor, O que te assusta mais: o coronavírus ou a fila do INSS? Não tenho dúvidas de que a nova doença foi o assunto da semana no mundo todo, mas o desejo de se aposentar rápido – e sem depender do governo – foi o que bombou aqui no Seu Dinheiro.  O projeto Aposente-se aos […]

DE OLHO NA TECNOLOGIA

Toyota investe US$ 394 milhões em companhia de táxi aéreo elétrico, Joby Aviation

Parecida a um drone, a aeronave tem capacidade para quatro passageiros mais o piloto, possui seis hélices, um alcance de 150 milhas (aproximadamente 240 km) e pode voar até 200 milhas por hora (cerca de 320 km/h)

POLÍTICA

Em Davos, Doria se ‘afasta’ de Bolsonaro

Nesses 12 meses de intervalo, o clima entre os dois não apenas esfriou como houve troca de farpas tendo como pano de fundo o cenário político de 2022

EMPREGO

Em 1º ano, Bolsonaro gera mais vagas que Temer, mas fica atrás de Lula e Dilma

Com a economia ganhando tração a partir do segundo semestre do ano passado, o Caged registrou saldo positivo de 644.079 vagas com carteira assinada em 2019

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements