Otimismo com a Previdência dá força ao Ibovespa; dólar cai a R$ 3,85
Os mercados brasileiros tiveram um dia positivo, mostrando otimismo com o relatório da reforma da Previdência. O Ibovespa fechou em alta e o dólar recuou

Um assunto concentrou as atenções dos mercados brasileiros nesta quinta-feira (13): o texto do relator da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara, Samuel Moreira. A expectativa quanto ao teor do documento — e, consequentemente, a economia a ser gerada — era grande. E os agentes financeiros gostaram do que viram.
Desde a manhã, notícias já davam conta de que o relatório implicaria em economias de mais de R$ 900 milhões em dez anos, o que trouxe tranquilidade às negociações por aqui. Durante a tarde, tanto o Ibovespa quanto o dólar à vista perderam força, mas ainda terminaram o dia com saldo positivo.
O principal índice da bolsa brasileira chegou a subir 1,31% na máxima do dia, batendo os 99.364,48 pontos, mas, ao fim do pregão, registrou alta de 0,46%, aos 98.773,70 pontos. O dólar à vista passou por movimento semelhante: terminou em queda de 0,31%, a R$ 3,8549, após tocar os R$ 3,8352 (-0,82%) na mínima.
A expectativa era particularmente grande porque diversos boatos corriam entre as mesas de operação. Dois agentes do mercado financeiro me disseram ontem que esses rumores apontavam que, após as alterações promovidas pelo relator, a revisão das regras da aposentadoria gerariam economias de cerca de R$ 800 bilhões em dez anos.
Só que, com os sinais de que a cifra oficial ficaria acima desse número, o mercado se animou. No meio da tarde, após concluir a leitura do parecer na comissão especial, o próprio Moreira foi ao Twitter para afirmar que a economia previsa é de R$ 1,13 trilhão.
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Esse montante, segundo o relator, é composto por R$ 913,4 bilhões em dez anos, mais cerca de R$ 217 bilhões com o fim de repasse da arrecadação do PIS/Pasep destinada ao BNDES. Um economista me disse que, em linhas gerais, o conteúdo do texto agradou o mercado — ele ainda classificou a economia total como "bastante robusta"
"Qualquer coisa acima de R$ 700 bilhões já é positiva", me disse um analista. Uma cifra oficial era aguardada ansiosamente porque servirá como ponto de partida para os cálculos — afinal, a reforma ainda poderá passar por novas alterações na comissão especial e no plenário da Câmara, e tais mudanças podem desidratar mais o texto.
Mas um aspecto do texto apresentado pelo relator afetou negativamente um setor específico da bolsa: o de bancos. E, com as ações desse segmento no campo negativo, o Ibovespa acabou perdendo parte do ímpeto de alta.
Bancos estressados
A cautela envolvendo os bancos se deve à um detalhe do texto apresentado por Moreira na comissão especial da Câmara: o relator propõe a elevação da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 15% para 20%, medida que afeta diretamente o setor bancário.
Itaú Unibanco PN (ITUB4) caiu 1,79%, Banco do Brasil ON (BBAS3) recuou 1,59% e as units do Santander Brasil (SANB11) tiveram perda de 1,34%, todas despontando entre as maiores quedas do Ibovespa. Bradesco PN (BBDC4) e Bradesco ON (BBDC3) tiveram baixas de 1,09% e 1,07%, respectivamente.
Tensão no Oriente Médio
Um evento no golfo do Omã mexeu com as cotações do petróleo nesta quinta-feira. Explosões atingiram dois navios petroleiros que atravessavam as águas da regão — os relatos são desencontrados, mas os Estados Unidos acusam o Irã de ter atacado as embarcações.
Nesse cenário de incertezas geopolíticas, as cotações do petróleo chegaram a subir mais de 4% hoje, tanto o Brent quanto o WTI. Ao fim do dia, esse movimento tinha perdido parte do ímpeto: o Brent fechou em alta de 2,23%, enquanto o WTI teve ganho de 2,22%.
Os avanços no petróleo deram força aos ativos da Petrobras: os papéis ON (PETR4) fecharam em alta de 1,36% enquanto os PNs (PETR4) subiram 1,23%. Mas outros fatores também influenciaram o comportamento das ações da estatal ao longo do dia.
Os mercados repercutiram a informação de que a Petrobras não terá mais uma periodicidade definida para promover reajustes nos preços de óleo diesel e gasolina. Tal medida, de acordo com a estatal, permitirá uma queda imediata nos valores do diesel — mas, por outro lado, a falta de periodicidade tende a diminuir a previsibilidade em relação à geração de receita, trazendo cautela aos agentes financeiros.
Além disso, a companhia informou ter recebido propostas finais pelos polos Enchova e Pampo, com preço superior à US$ 1 bilhão, considerando pagamentos firmes e contingentes.
Calmaria nas bolsas de NY
Lá fora, os mercados acionários americanos passaram o dia no campo positivo: o Dow Jones (+0,39%), o S&P 500 (+0,43%) e o Nasdaq (+0,57%) subiram em bloco — as principais praças da Europa tiveram comportamento semelhante.
Em linhas gerais, a dinâmica dos mercados externos segue a mesma dos últimos dias. Por um lado, os temores relacionados à guerra comercial continuam trazendo cautela às negociações, mas, por outro, a perspectiva de um novo corte de juros por parte do Federal reserve (Fed) traz algum otimismo aos agentes.
Juros caem
As curvas de juros tiveram um novo dia de correção negativa, na esteira do comportamento do dólar e do otimismo em relação à Previdência. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caíram de 6,18% para 6,07%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2025 recuaram de 7,11% para 7,01% e as para janeiro de 2025 foram e 7,63% para 7,54%.
Minério em alta
O dia foi bastante positivo no mercado de commodities. Além dos ganhos do petróleo, também chamou a atenção o bom desempenho do minério de ferro, que subiu 3,34% hoje no porto chinês de Qingdao.
Os ganhos do minério estão relacionados aos temores de problemas na oferta dessa commodity pela Austrália. E, nesse contexto, as mineradoras e siderúrgicas tiveram um dia positivo no Ibovespa.
Vale ON (VALE3), por exemplo, subiu 0,70%. Entre as empresas do setor de siderurgia, destaque para Gerdau PN (GGBR4), em alta de 1,31%, e Usiminas PNA (USIM5), com ganho de 1,48% — CSN ON (CSNA3) virou e agora fechou em queda de 0,47%.
Magalu x Centauro
A assembleia de acionistas da Netshoes que irá decidir o futuro da empresa está marcada para esta sexta-feira (14). Mas, até lá, muita coisa ainda pode acontecer — e o Magazine Luiza e a Centauro continuam disputando acirradamente a compra do site de artigos esportivos.
Desta vez, quem se movimentou foi o Magalu: a empresa elevou sua proposta pela Netshoes a US$ 3,70 por ação, igualando a oferta atual da Centauro. Mas essa disputa não será decidida apenas pelos valores na mesa, já que a Netshoes está numa situação financeira delicada — assim, o timing para o fechamento da operação é decisivo.
E, nesse segundo aspecto, o Magalu tem ventagem, já que o Cade já deu sinal verde para uma operação de compra da Netshoes — uma transação com a Centauro ainda deve ser analisada do zero pela autoridade concorrencial. Desta maneira, com ambas oferecendo o mesmo valor, o Magazine Luiza parece estar na dianteira dessa corrida.
Nesse contexto, as ações ON do Magalu (MGLU3) subiram 3,20%, enquanto os papéis ON da Centauro (CNTO3) avançaram 0,43%. Em Nova York, os ativos da Netshoes (NETS) tiveram alta de 10,47%, a R$ 3,80.
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