Menu
2019-06-21T11:51:57+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Crise no golfo do Omã

A tensão no Oriente Médio voltou a subir — e mexeu com o preço do petróleo

Explosões misteriosas atingiram dois petroleiros que atravessavam o golfo do Omã. Sem saber ao certo o que aconteceu, o mercado assumiu uma postura defensiva — e os preços do petróleo foram para o alto

13 de junho de 2019
15:16 - atualizado às 11:51
Barril de petróleo e mapa mundi
O petróleo chegou a subir mais de 4% nesta quinta-feira (13), tanto o Brent quanto o WTI - Imagem: Shutterstock

Questões geopolíticas trouxeram apreensão aos mercados globais nesta quinta-feira (13). Mas, desta vez, a tensão não foi gerada por algum tweet do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou por alguma indireta veiculada pela imprensa estatal chinesa.

Não, nada de guerra comercial: hoje, a preocupação esteve relacionada ao Oriente Médio.

As informações ainda são desencontradas. O que se sabe até agora é que dois petroleiros que navegavam pelo golfo do Omã foram afetados por explosões nesta madrugada — alguns relatos na imprensa internacional falam de ataques com torpedos ou minas, mas não há confirmações oficiais sobre o que aconteceu.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

E, em meio à incerteza, a aversão ao risco tomou conta do mercado, provocando uma disparada dos preços do petróleo. Afinal, o golfo do Omã é passagem obrigatória para os navios que deixam o golfo Pérsico, principal região produtora da commodity no mundo.

Entre as nações que dependem do golfo do Omã para escoar sua produção de petróleo estão Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Irã, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e o próprio Omã. E o incidente com os petroleiros, não totalmente esclarecido, gerou dúvidas quanto a eventuais diminuições na oferta da commodity.

Como resultado, o barril do petróleo tipo Brent para entrega em agosto chegou a subir 4,45% nesta quinta-feira, a US$ 62,64, enquanto o barril do WTI para julho bateu os US$ 53,45, uma alta de 4,51%. Vale lembrar que, ontem, o WTI fechou na menor cotação desde janeiro, a US$ 51,14.

Ao fim do dia, o movimento de alta da commodity já havia suavizado um pouco: o Brent terminou com ganho de 2,23%, a US$ 61,31, enquanto o WTI avançou de 2,22%, US$ 52,28.

O que se sabe?

Explosões afetaram dois navios petroleiros que passavam pelo golfo do Omã — um de uma companhia norueguesa e outro de uma empresa japonesa. Ambos ficaram parcialmente destruídos e suas tripulações foram resgatadas por outras embarcações que passavam pela região.

As imagens são impressionantes. A Press TV, uma rede de televisão iraniana, divulgou imagens aéreas de um dos navios ainda em chamas após as explosões:

No meio da tarde, os Estados Unidos se pronunciaram e culparam o Irã pelo ocorrido. "Esses ataques são uma ameaça à paz e segurança internacional, uma investida flagrante à liberdade de navegação e [promovem] uma escalada inaceitável na tensão por parte do Irã", disse o secretário de Estado do país, Mike Pompeo, via Twitter.

Pompeo fez uma declaração oficial pouco depois das 15h (horário de Brasília). Entre outros pontos, ele disse que os Estados Unidos vão "defender suas forças e interesses", e irão permanecer ao lado dos parceiros e aliados "para proteger o comércio global e a estabilidade na região".

Tensão geopolítica

As relações entre Estados Unidos e Irã vêm se deteriorando há meses e trazendo apreensão ao Oriente Médio. Essa espiral negativa teve início ainda no ano passado, quando o governo americano abandonou um acordo firmado pela administração Obama com as autoridades de Teerã.

Esse pacto determinava que as sanções internacionais aos iranianos seriam reduzidas caso o governo local se comprometesse a limitar suas atividades nucleares. Trump, contudo, desfez o acordo e retomou as barreiras contra o país.

Em maio, o governo dos Emirados Árabes Unidos acusou o governo do Irã de sabotar quatro embarcações do país. Na ocasião, o governo americano enviou navios e aviões militares ao golfo Pérsico — Trump ainda afirmou que o Irã estaria cometendo um erro caso fizesse "qualquer coisa" que afetasse os interesses de Washington na região.

Tendo esse pano de fundo em mente, suspeitas de que as explosões que atingiram os petroleiros nesta quinta-feira teriam sido causadas por algum ataque promovido pelo governo iraniano começaram a ganhar força no mercado e nas redes sociais — e a declaração de Pompeo deu ainda mais força a essa tese.

Outros países e entidades, contudo, hesitam em apontar o Irã como responsável. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou "qualquer ataque contra embarcações civis", mas ressaltou que "os fatos devem ser apurados e as responsabilidades, estabelecidas", sem citar nenhum país como potencial autor do ocorrido no golfo do Omã.

Momento delicado

A situação ganha contornos ainda mais complicados porque o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, encontra-se no Irã para uma visita oficial — em pauta, está uma tentativa de reduzir as tensões entre americanos e iranianos.

Abe e o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, estiveram reunidos nesta quinta-feira. Segundo relatos da imprensa iraniana, Khamenei refutou qualquer diálogo a respeito da situação com os Estados Unidos, afirmando que Trump "é uma pessoa que não é digna de resposta ou mensagem".

Já o primeiro-ministro do Japão assumiu um tom mais conciliador no Twitter ao relatar seu encontro com o presidente do Irã, Hassan Rohani:

"Tive uma cúpula com o presidente Rohani. Pela paz no Oriente Médio e no mundo, o Japão continuará a desempenhar seu papel, sem desistir", disse Abe. "Estou convencido de que as conversas de hoje serão o primeiro passo".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também usou o Twitter para se manifestar sobre o imbróglio — ele endossou o posicionamento oficial de Pompeo, mas não fez nenhum ataque direto ao Irã em sua conta pessoal.

Num tom relativamente tranquilo, Trump agradeceu os esforços do primeiro-ministro japonês, mas refutou o fechamento de um acordo:

"Apesar de estimar muito [o ato] do primeiro-minstro Abe, que foi ao Irã encontrar-se com o aiatolá Ali Khamenei, eu pessoalmente sindo que ainda é muito cedo para sequer pensar em fechar um acordo. Eles não estão prontos, e nós também não", sentenciou Trump.

*Com agências internacionais

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Entrevista

Ex-diretor do BC diz que só o corte de juro não destrava economia do país

José Júlio Senna, economista do Ibre-FGV, diz que empresários já têm à disposição dinheiro mais barato. “E nem por essa razão há fila de empresários querendo tomar crédito.”

A Bula do Mercado

Semana promete novidades sobre guerra comercial e Previdência

Donald Trump e Xi Jinping devem se reunir durante o G20 para tratar da disputa tarifária e a comissão especial na Câmara deve votar o parecer da reforma da Previdência

Vídeo

Como investidor, eu devo me preocupar com o Brexit?

No próximo domingo (23), a escolha pelo Brexit completa três anos, mas o processo ainda se arrasta, e a saída do Reino Unido da Unidão Europeia foi adiada para outubro; mas qual o impacto que isso pode ter no seu bolso?

ENTREVISTA

“Assistimos a um parlamentarismo branco na reforma”, diz economista

O economista Fabio Giambiagi, especialista no tema, está “relativamente otimista” com a aprovação da mudança constitucional

Bancos públicos

CPI vê falhas no BNDES em operações no exterior

Entre os principais pontos levantados até agora estão ausência de critérios para rebaixamento de risco antes de conceder o crédito e a falta de auditoria para fiscalizar a aplicação do dinheiro

Agricultura

Chinês Qu Dongyu é eleito diretor-geral da FAO; Tereza Cristina comemora

O vice-ministro chinês assume o mandato a partir de 1º de agosto, no lugar do brasileiro José Graziano da Silva, que ocupa o cargo desde 2012

Pedido negado

Fachin nega habeas a ex-dirigente da Petrobras condenado a 10 anos na Lava Jato

Em fevereiro de 2018, o ex-gerente da estatal petrolífera foi condenado pelo então juiz federal Sérgio Moro

PRAGMATISMO

O ex-comunista que tem fé na reforma da Previdência

O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, diz agradar ao mesmo tempo o governo e a oposição

DEIXA VOAR

Carrefour vende controle de suas atividades na China para Suning.com

A transação, que será paga em dinheiro, avalia o Carrefour China em um valor de empresa de 1,4 bilhão de euros

RALI

Bitcoin ultrapassa US$ 10 mil e vai ainda mais longe. O que explica?

Alguns fatores têm catalisado a alta do preço das criptomoedas nos últimos dias. Desde o início do ano, o bitcoin bateu com folga os principais índices do mercado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements