Com alívio no cenário político, Ibovespa descola do exterior e sobe mais de 1%
O noticiário político melhorou o humor dos mercados brasileiros e impulsionou o Ibovespa de volta ao patamar dos 95 mil pontos. O dólar também respirou, recuando aos R$ 3,93

Os mercados americanos seguem preocupados com os atritos comerciais entre Estados Unidos e China. Mas o clima pesado lá fora não contaminou as negociações por aqui: o Ibovespa e o dólar tiveram forte alívio nesta quarta-feira. E o noticiário local, tanto político quanto corporativo, foi a chave para que o Brasil descolasse do exterior.
O principal índice da bolsa brasileira chegou a subir mais de 2% no melhor momento do dia, aos 96.311,89 pontos. Acabou perdendo parte da força ao longo da tarde, mas ainda encerrou a sessão com ganho de 1,28%, aos 95.596,61 pontos.
O desempenho do Ibovespa foi muito superior ao das bolsas de Nova York: o Dow Jones teve leve alta de 0,01%, mas o S&P 500 (-0,16%) e o Nasdaq (-0,26%) não resistiram e engataram o terceiro pregão seguido no vermelho.
[captacao]
E isso porque Brasília voltou ao radar do mercado — e trazendo sinais positivos. O aval dado pelo Palácio do Planalto para a recriação dos ministérios das Cidades e da Integração Nacional foi entendido como um indício de que a articulação política ao redor da reforma da Previdência começa a dar passos mais largos.
A leitura é a de que o governo poderá usar as novas pastas para agradar o Centrão, aumentando sua base de apoio no Congresso. "É um bom sinal, em termos de conversa com o Legislativo", diz Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos. "O mercado animou e precificou a notícia, descolando do exterior".
Leia Também
Além disso, a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na sessão da comissão especial da Câmara também contribuiu para melhorar o ambiente — afinal, os deputados da base aliada do governo se organizaram para 'blindar' o ministro e evitar embates acalorados, como os da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
E, até o momento, a participação de Guedes não trouxe grandes novidades em termos de discurso, mas também sem maiores embates com a oposição — durante sua fala inicial na comissão especial, o ministro praticamente não foi interrompido, ocorrendo apenas pedidos de silêncio no plenário do colegiado.
Essa relativa tranquilidade na comissão especial, somada à percepção de avanço na articulação política, elevou a confiança do mercado e permitiu que o Ibovespa recuperasse parte das perdas dos últimos dois dias. Com o desempenho de hoje, o índice passou a acumular queda de 0,43% desde segunda-feira.
O dólar à vista acompanhou a bolsa e respirou: a moeda americana fechou em queda de 0,91%, a R$ 3,9331 — na mínima, chegou a cair 1,1%, a R$ 3,9259.
Por fim, as curvas de juros também tiveram uma sessão de forte alívio: os DIs para janeiro de 2020 caíram de 6,44% para 6,43%, e os para janeiro de 2021 recuaram de 7,04% para 7,00%. Na ponta longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 tiveram baixa de 8,18% para 8,10%, e as para janeiro de 2025 foram de 8,70% para 8,61%.
Além do alívio no dólar e da descompressão no cenário político, a expectativa em relação à reunião do Copom também influenciou o comportamento dos DIs. A autoridade monetária decide nesta quarta-feira a taxa Selic, e o mercado aguarda possíveis sinalizações a respeito dos próximos passos do BC.
A fraqueza mostrada pela economia brasileira e os sucessivos cortes na projeção de crescimento do PIB no boletim Focus aumentam a expectativa quanto a uma possível retomada dos cortes nos juros no futuro, e essa perspectiva afeta o comportamento dos DIs desde o início da semana.
Exterior segue cauteloso
Lá fora, a guerra comercial continua concentrando a atenção dos mercados, e qualquer sinalização dos governos americano ou chinês em relação ao tema pode influenciar o rumo das negociações.
E os dados mais fracos da balança comercial da China em abril — as exportações do pais asiático recuaram 2,7% em relação ao mesmo mês de 2018, enquanto as importações subira 4% — trazem ainda mais cautela à mesa, uma vez que há a percepção de que um aprofundamento do conflito com os americanos pode causar grandes impactos à economia chinesa.
Nesse contexto, as bolsas americanas até chegaram a operar em alta durante a tarde, mas perderam força na reta final do pregão. No mercado de câmbio, o dólar perdeu terreno ante a maioria das moedas emergentes, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o rublo russo.
Petrobras em destaque
Por aqui, o noticiário corporativo também exerceu papel importante. Os mercados repercutiram o balanço trimestral da Petrobras, que reportou lucro líquido de R$ 4 bilhões entre janeiro e março deste ano, uma queda de 42% ante o mesmo intervalo de 2018.
Os resultados da estatal, contudo, sofreram uma série de ajustes para se adequar às normas contábeis internacionais (IFRS). As mudanças envolveram a forma como a empresa contabiliza os contratos de arrendamento mercantil (leasing) de suas plataformas e embarcações usadas na exploração de petróleo.
Mesmo com a queda no lucro, as ações da Petrobras fecharam em alta: os papéis ON (PETR3) subiram 3,42% e as PNs (PETR4) avançaram 3,87%, dando força ao Ibovespa como um todo. Analistas ponderaram que, apesar do balanço mais fraco, a perspectiva para a estatal em 2019 segue positiva.
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou em teleconferência com analistas que o resultado financeiro da empresa no primeiro trimestre não foi brilhante, mas que "as notícias são boas em abril e no futuro". O executivo também destacou a redução no endividamento da empresa.
Para o gestor de uma asset paulista, que os números da Petrobras ficaram dentro do esperado. "Já imaginávamos preços realizados mais baixos e paradas", diz. "A parte qualitativa positiva foi a queda no custo de produção".
Vale em alerta
Já as ações ON da Vale (VALE3) caíram 1,41%, com o mercado reagindo negativamente aos dados operacionais da empresa no primeiro trimestre de 2019. Ao todo, a produção de minério de ferro pela companhia entre janeiro e março deste ano alcançou 72,870 milhões de toneladas, 11% abaixo do reportado um ano antes.
A perda, segundo a Vale, reflete principalmente os impactos decorrentes da ruptura da barragem de Brumadinho e da sazonalidade climática mais forte do que a usual. A mineradora divulgará seu balanço trimestral nesta quinta-feira (9), após o fechamento dos mercados.
Os dados foram considerados mais fracos que o esperado pelo Bradesco BBI. Como resultado, a instituição reduziu em 8% sua projeção para o Ebitda da Vale no primeiro trimestre deste ano, para US$3,97 bilhões.
Pão de Açúcar despenca
As ações preferenciais do Pão de Açúcar (PCAR4) despencaram na reta final do pregão, encerrando o dia com perda de 7,43%.
A derrocada dos papéis está relacionada a uma notícia publicada pelo blog do jornalista Lauro Jardim, de O Globo: segundo a matéria, o Casino, que é o dono do Grupo Pão de Açúcar, Assai e Via Varejo no Brasil, deve anunciar proposta para combinar os seus ativos na América Latina com o Grupo Êxito, que é colombiano.
Os papéis ON da Via Varejo (VVAR3) também reagiram mal e terminaram o pregão em queda de 4,03%.
Aéreas decolam
Com a queda expressiva do dólar, as ações da Azul e da Gol tiveram um dia bastante positivo — o câmbio tem um papel importante para o desempenho das empresas aéreas, já que grande parte de seus custos é dolarizado.
Assim, os papéis PN da Azul (AZUL4) fecharam em alta de 4,88%, enquanto as ações PN da Gol (GOLL4) subiram 4,34%. No caso da Azul, os ganhos foram ainda maiores porque o Cade resolveu se manifestar a respeito do imbróglio envolvendo o futuro da Avianca — e a sinalização pode ser entendida como favorável à companhia
O órgão defende que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) distribua os slots da Avianca para uma nova empresa, ou, se isso não for possível, entre companhias com menor participação de mercado. No aeroporto de Congonhas, o mais disputado do País, a Azul é a menor empresa, com 5% dos slots.
Outros balanços
Ainda na safra de resultados trimestrais, outras três empresas que integram o Ibovespa reportaram seus números desde o fechamento de ontem: a Iguatemi, a Tim e a Gerdau.
A siderúrgica trouxe dados mais fracos de vendas e produção de aço no trimestre, mas ainda assim conseguiu reportar lucro de R$ 453 milhões, leve alta de 1% na base anual — as ações PN da empresa (GGBR4) reagem bem aos números e avançam 1,97%.
Já a Iguatemi viu seu lucro líquido cair 4,6% na mesma base de comparação, para R$ 55,453 milhões, mas registrou crescimento de 2,9% no Ebitda, para R$ 129,4 milhões. Com isso, os papéis ON da operadora de shoppings (IGTA3) subiram 3,15%.
Por fim, as ações ON da Tim (TIMP3) caíram 4,53% — a empresa encerrou o primeiro trimestre de 2019 com lucro líquido de R$ 220 milhões, queda de 10,4% em relação aos três primeiros meses do ano passado.
SOB O MESMO TETO
Um galpão, dois problemas: fundo imobiliário enfrenta recuperação judicial entre locatárias; contratos somam 11,2% da receita
6 de novembro de 2026 - 14:22FUNDOS IMOBILIÁRIOS
GARE11 vende portfólio de imóveis por R$ 792 milhões para reduzir dependência do Carrefour
6 de novembro de 2026 - 10:55FII DO MÊS
A Selic estacionou, e este é o fundo imobiliário mais indicado por analistas para surfar a pausa
6 de novembro de 2026 - 6:11MAIS INCERTEZA COM 'ONDA AZUL'
A guerra no Irã vai acabar? O que as eleições nos EUA podem mudar no preço do petróleo
5 de novembro de 2026 - 19:37DA FESTA AO ENTERRO
‘Onda azul’ na urna, ‘onda vermelha’ na bolsa: o fantasma que derrubou Wall Street após a vitória democrata
5 de novembro de 2026 - 19:09PROMOÇÃO?
Fundos imobiliários vivem maior desconto da história. Pechincha ou armadilha?
5 de novembro de 2026 - 18:01AÇÃO DO MÊS
É hora de ser defensivo: veja a ação mais recomendada para proteger a sua carteira no pós-eleição
5 de novembro de 2026 - 11:57REFORÇO NO CAIXA
Fundo imobiliário pode embolsar R$ 160 milhões com venda de fatias de shoppings; veja ganho por cota
5 de novembro de 2026 - 9:15REAÇÃO AO RESULTADO
Nem todo mundo quer comprar Itaú: por que ITUB4 ainda não convenceu todos os analistas após o 3T26
4 de novembro de 2026 - 16:23VIRADA HISTÓRICA
‘Onda azul’ faz Wall Street disparar, mas vitória democrata pode trazer nova dor de cabeça para Trump
4 de novembro de 2026 - 14:01VISÃO DO GESTOR
O mercado desistiu do Brasil? Gestores reduzem apostas em bolsa e reforçam dólar antes do Copom
4 de novembro de 2026 - 13:15CHAVES NA MÃO
Fundo imobiliário BTLG11 embolsa R$ 56 milhões com venda de fatia de galpão; veja lucro por cota e detalhes da operação
4 de novembro de 2026 - 9:56BOLSA SOB PRESSÃO
Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir
3 de novembro de 2026 - 14:02SD ENTREVISTA
Dólar dispara, bolsa cai e Itaú muda a estratégia: chefe de recomendações do banco diz onde investir após as eleições
3 de novembro de 2026 - 13:29REDUÇÃO DA ALAVANCAGEM
Alívio na dívida? CSN (CSNA3) sobe 4% com avanço na venda da divisão de cimentos — mas ainda há desafios no radar
3 de novembro de 2026 - 12:49EX-PACMAN DOS FIIS?
Após onda de compras, ‘Pacman dos FIIs’ coloca imóveis à venda por R$ 530 milhões; veja lucro por cota
3 de novembro de 2026 - 9:39FIM DA GUERRA?
Petróleo fecha em queda de mais de 7% com expectativa de acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
2 de novembro de 2026 - 16:19TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO