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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

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O Ibovespa pisou no acelerador e garantiu mais dois recordes nesta segunda-feira

Notícias animadoras no front da guerra comercial, somadas à expectativa em relação ao pacote de medidas do ministro Paulo Guedes, fizeram o Ibovespa renovar as máximas de fechamento e intradiária

Victor Aguiar
Victor Aguiar
4 de novembro de 2019
10:36 - atualizado às 10:50
Lewis Hamilton
Imagem: Shutterstock

Lewis Hamilton sagrou-se campeão da temporada 2019 da Fórmula 1 neste fim de semana — o sexto título vencido pelo inglês. Mas engana-se quem pensa que o piloto da Mercedes lutou ferozmente na corrida deste domingo (3): sabendo que não precisava de muito para garantir o hexa, Hamilton apenas administrou o ritmo. Algo parecido com o que o Ibovespa fez hoje.

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Eu explico: o inglês tinha uma ampla vantagem sobre seus concorrentes e, assim, não precisava pisar fundo e assumir riscos desnecessários — vai que, numa disputa por posição, ele se envolve num acidente. Assim, Hamilton cruzou a linha de chegada num confortável segundo lugar — mais que suficiente para sacramentar o título.

O Ibovespa, assim como o campeão da Fórmula 1, acelerou apenas o suficiente para colocar mais um troféu na estante: o índice brasileiro ate chegou a subir 1,07% mais cedo, tocando os 109.352,13 pontos, mas, ao fim da corrida, marcava 108.779,33 pontos — uma alta mais modesta, de 0,54%.

Em ambos os casos, o Ibovespa chegou a novos recordes: em termos de fechamento, o índice superou a máxima anterior, de 108,407,54 pontos, registrada na última quarta-feira (30). Os 109.352,13 pontos registrados ao longo da sessão de hoje também representam um marco histórico, já que o nível dos 109 mil pontos nunca tinha sido atingido.

Administrar a vantagem, não queimar combustível à toa e saber balancear a relação entre risco e retorno: tanto Hamilton quanto o Ibovespa adotaram a mesma estratégia — e se deram bem.

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Tanque cheio

O índice brasileiro acompanhou os mercados acionários globais: lá fora, o Dow Jones (+0,42%), o S&P 500 (+0,38%) e o Nasdaq (+0,56%) também fecharam o dia em no campo positivo. E o combustível das bolsas globais foi o novo avanço nas tratativas comerciais entre Washington e Pequim.

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No último domingo (3), autoridades americanas afirmaram que as empresas de tecnologia do país poderão voltar a se relacionar com a chinesa Huawei "muito em breve" — o setor de telecomunicações é um dos pontos mais sensíveis na escalada dos atritos entre as duas potências.

No meio do ano, o governo americano acusou a Huawei e outras companhias chinesas de usarem seus produtos para coletar informações sensíveis sobre a rede de tecnologia do país.

Vale lembrar que a empresa chinesa é um dos principais players globais no setor de telecomunicações, estando na dianteira do desenvolvimento de tecnologias 5G — assim, ao impedir que as companhias americanas se relacionassem com a Huawei, a Casa Branca inibiu os trabalhos dos chineses.

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Desta maneira, a sinalização de que os vetos podem cair num futuro próximo aumenta a percepção de que EUA e China estão mais perto de fechar um acordo e amenizar as tensões na guerra comercial — o que, consequentemente, diminui a aversão ao risco nos mercados financeiros, dando força às bolsas no mundo.

No entanto, por mais que as indicações do governo americano agradem os mercados, agentes financeiros ponderaram que essa medida, por si só, não foi capaz de sustentar o Ibovespa acima dos 109 mil pontos. "Qualquer coisa que mexe com a China e diminui o risco e recessão por lá é sentido por aqui", diz um operador. "Mas ainda falta um tempero mais forte para a bolsa ganhar força".

Por aqui, os agentes financeiros aguardam maiores informações quanto ao pacote de medidas elaborado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes — há a expectativa de que as medidas de estímulo sejam entregues ao Congresso nesta terça-feira (5).

De acordo com o Broadcast — o serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado —, o pacote elaborado por Guedes contará com cinco eixos para conter os gastos do governo federal: PEC Emergencial, reforma administrativa, PEC DDD, pacto federativo e plano de ajuda a Estados.

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"Já tem alguns detalhes do pacote do Guedes por aí, mas vai ser difícil para o Congresso votar alguma coisa ainda nesse ano", diz o operador. "Então, o mercado acabou ficando mais preguiçoso hoje".

Pisando no acelerador

As sinalizações mais promissoras no front da guerra comercial deram força às ações de empresas mais dependentes do mercado chinês, caso da Vale e das siderúrgicas. Com a diminuição dos atritos, há o entendimento de que a economia do gigante asiático poderá se recuperar, impulsionando o consumo de aço e minério de ferro.

Nesse cenário, Vale ON (VALE3) subiu 2,50%, CSN ON (CSNA3) avançou 1,93%, Gerdau PN (GGBR4) teve ganho de 4,31% e Usiminas PNA (USIM5) valorizou 2,16%, todas entre as maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira.

Outro destaque de alta foi o setor de frigoríficos, em meio à notícia de que a China habilitou sete plantas de Santa catarina para a exportação de miúdos suínos. Assim, JBS ON (JBSS3) subiu 2,93%, BRF ON (BRFS3) teve ganho de 3,27% e Marfrig ON (MRFG3) avançou 1,85%.

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Parando nos boxes

Na ponta negativa, Grupo NotreDame Intermédica ON (GNDI3) recuou 2,73% e teve um dos piores desempenhso do Ibovespa nesta segunda-feira. A empresa acertou a compra do grupo Clinipam — uma operadora de saúde que atua na região Sul — por R$ 2,6 bilhões.

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Entre as maiores quedas do índice, destaque ainda para Magazine Luiza ON (MGLU3), com queda de 4,79%; Yduqs ON (YDUQ3), em baixa de 2,94%; e BB Seguridade ON (BBSE3), com queda de 2,39% — esta última reportou um lucro líquido ajustado d R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre deste ano, cifra 21,3% maior em relação ao mesmo período de 2018.

Dólar e juros curtos correndo

No mercado de câmbio, o dólar à vista fechou em alta de 0,41%, a R$ 4,0112 — no exterior, a divisa americana ganhou força em relação às moedas de países emergentes, como o peso mexicano e o peso chileno. Mais cedo, no entanto, o dólar chegou a cair 0,47%, tocando os R$ 3,9763.

Esse tom negativo visto no câmbio na primeira parte da sessão se deve à notícia de que o Tesouro irá realizar uma nova emissão externa. Essa informação, no entanto, não foi capaz e sustentar a moeda em terreno negativo por muito tempo.

O viés de alta do dólar também foi sentido no mercado de juros, especialmente na ponta curta. Os DIs com vencimento em janeiro de 2021, por exemplo, subiram de 4,46% para 4,49%, enquanto os para janeiro de 2023 avançaram de 5,37% para 5,42%; na ponta longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2025 foram de 5,98% para 5,99%.

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Nesta terça-feira (5), será divulgada a ata da última reunião do Copom — na ocasião, a autoridade monetária promoveu mais um corte de 0,5 ponto na taxa básica de juros, levando a Selic ao novo piso histórico de 5% ao ano. Assim, o mercado estará atento ao documento, buscando pistas quanto aos próximos passos do BC.

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