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Olivia Bulla

Olivia Bulla

Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).

A Bula do Mercado

Governo busca sintonia fina

Olivia Bulla
Olivia Bulla
8 de janeiro de 2019
5:33 - atualizado às 13:45
Bolsonaro comanda nova reunião ministerial e a expectativa é de coesão nas propostas, após ruídos da semana passada -

O mercado financeiro não comprou o alívio global dos ativos de risco - vindo do tom suave do Federal Reserve e dos estímulos monetários da China - e sabe que ainda existem muitas incertezas. Com isso, os investidores tendem a evitar posições mais arriscadas e elevar o vaivém dos negócios, tanto no Brasil quanto no exterior.

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Por aqui, após a fala desencontrada entre o presidente e a equipe econômica na semana passada, os investidores não se convenceram da tentativa de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes de afinar o discurso. Ontem, durante a posse dos novos chefes dos bancos públicos, os dois mostraram que não há desentendimento entre eles.

Hoje, Bolsonaro comanda uma nova reunião ministerial, às 9h. E a expectativa é de que haja maior coesão nas propostas (e nas declarações), de modo a evitar que surjam novos ruídos e mal-entendidos. A ideia é de que esses encontros com os 22 ministros sejam semanais, sempre às terças-feiras.

Na pauta do dia, o governo deve avançar nas discussões sobre as propostas a serem adotadas nas próximas semanas; a liberação de recursos; e a revisão de contratos e normas burocráticas, visando maior eficiência.

A percepção no mercado financeiro ainda é de que existe uma curva de aprendizado do novo governo. Mas é preciso monitorar se tais desencontros irão afetar o andamento de temas relevantes, como o anúncio de medidas econômicas. Por isso, ainda se espera maior alinhamento no núcleo forte do novo governo.

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Novo rali?

Seja como for, uma nova rodada de melhora dos ativos locais vai depender de sinalizações positivas na economia, colocando em prática a agenda de reformas. Só assim, o dólar deve ganhar força na trajetória de queda, buscando a faixa de R$ 3,60, enquanto a Bolsa brasileira terá mais consistência no nível dos 90 mil pontos.

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Ontem, os negócios locais interromperam o rali de ano novo. A moeda norte-americana registrou a primeira alta do ano, após ser negociada abaixo de R$ 3,70 durante o pregão; o Ibovespa realizou lucros e teve a primeira sessão negativa de 2019, enquanto os juros futuros embutiram prêmios.

Ainda assim, a boa vontade do mercado doméstico com o novo governo deve durar até o fim do primeiro trimestre, após o carnaval e da eleição para as presidências na Câmara e no Senado. A partir deste momento, o governo deverá entregar medidas concretas, com reais chances de aprovação, para não perder credibilidade.

Esse calendário é algo que precisa ser levado em consideração para definir a posição dos investidores nos ativos locais. Por ora, ainda há muita nebulosidade e a tendência é de que haja um posicionamento mais cauteloso, até que o cenário doméstico fique mais claro. Obviamente, sem descartar a cena externa.

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Guerra ou Trégua?

Lá fora, a provocação dos Estados Unidos, com um navio destróier de mísseis navegando no sul do Mar da China em meio à retomada das negociações comerciais entre os dois países, turvou a perspectiva de um acordo duradouro. Afinal, essa retórica diplomática é tão relevante quanto o fim da tarifas em produtos.

Além disso, autoridades norte-americanas insistem em dizer que a dependência da economia chinesa à dos EUA é muito maior do que o inverso. Para Pequim, a declaração soa como se a prosperidade da China fosse um presente de Washington - e não uma relação de ganha-ganha.

Mas ainda há inúmeras razões para acreditar em uma boa relação comercial sino-americana. O problema é que, após a trégua de 90 dias assinada ao final de novembro, o tempo está passando e o mundo segue ansioso por uma solução mutuamente aceitável, capaz de manter o sistema internacional de comércio.

Como pano de fundo ao tema, estão os temores de desaceleração da economia global versus a possibilidade de o Federal Reserve elevar os juros norte-americanos mais duas vezes neste ano. Afinal, os EUA têm mostrado certa resiliência no crescimento econômico, enquanto a atividade no restante do mundo perde tração.

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À espera de novidades, as bolsas na Ásia encerraram a sessão de hoje de modo misto. Xangai caiu 0,3%, enquanto Hong Kong subiu 0,2% e Tóquio liderou a alta na região, com +0,8%. Em Nova York, os índices futuros das bolsas amanheceram em alta, o que anima a abertura do pregão europeu.

Wall Street está no aguardo de um pronunciamento hoje do presidente Donald Trump sobre segurança na fronteira, à medida que a paralisação do governo (shutdown) avança, sem sinais de desfecho. As atividades federais estão interrompidas há três semanas, em meio à falta de acordo no orçamento sobre a liberação de verba para a construção de um muro na fronteira com o México.

Nos demais mercados, o petróleo tipo WTI sustenta-se levemente abaixo de US$ 48, com o dólar medindo forças em relação às moedas rivais, ao passo que o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) está estável, ligeiramente abaixo de 2,7%.

Atividade brasileira em destaque

A agenda econômica do dia ganha força e traz o resultado da produção industrial em novembro (9h). A previsão é de ligeira estabilidade da atividade em relação a outubro, quando interrompeu três meses seguidos de queda, o que pode limitar a retomada da economia brasileira ao final do ano passado.

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Antes, é a vez do resultado final de 2018 do IGP-DI (8h). A estimativa é de que a taxa nova negativa em dezembro (-0,6%) alivie a alta no acumulado do ano passado (+6,9%). O índice reflete o comportamento dos preços em geral na economia, tanto no atacado, no varejo e na construção civil.

Já no exterior, o calendário do dia nos EUA traz dados de novembro da balança comercial (11h30), sobre o total de vagas de emprego disponíveis (13h) e em relação ao crédito ao consumidor (18h). Na zona do euro, merece atenção o índice de sentimento econômico e da confiança do consumidor na região em dezembro.

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