Governo busca sintonia fina
O mercado financeiro não comprou o alívio global dos ativos de risco - vindo do tom suave do Federal Reserve e dos estímulos monetários da China - e sabe que ainda existem muitas incertezas. Com isso, os investidores tendem a evitar posições mais arriscadas e elevar o vaivém dos negócios, tanto no Brasil quanto no […]

O mercado financeiro não comprou o alívio global dos ativos de risco - vindo do tom suave do Federal Reserve e dos estímulos monetários da China - e sabe que ainda existem muitas incertezas. Com isso, os investidores tendem a evitar posições mais arriscadas e elevar o vaivém dos negócios, tanto no Brasil quanto no exterior.
Por aqui, após a fala desencontrada entre o presidente e a equipe econômica na semana passada, os investidores não se convenceram da tentativa de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes de afinar o discurso. Ontem, durante a posse dos novos chefes dos bancos públicos, os dois mostraram que não há desentendimento entre eles.
Hoje, Bolsonaro comanda uma nova reunião ministerial, às 9h. E a expectativa é de que haja maior coesão nas propostas (e nas declarações), de modo a evitar que surjam novos ruídos e mal-entendidos. A ideia é de que esses encontros com os 22 ministros sejam semanais, sempre às terças-feiras.
Na pauta do dia, o governo deve avançar nas discussões sobre as propostas a serem adotadas nas próximas semanas; a liberação de recursos; e a revisão de contratos e normas burocráticas, visando maior eficiência.
A percepção no mercado financeiro ainda é de que existe uma curva de aprendizado do novo governo. Mas é preciso monitorar se tais desencontros irão afetar o andamento de temas relevantes, como o anúncio de medidas econômicas. Por isso, ainda se espera maior alinhamento no núcleo forte do novo governo.
Novo rali?
Seja como for, uma nova rodada de melhora dos ativos locais vai depender de sinalizações positivas na economia, colocando em prática a agenda de reformas. Só assim, o dólar deve ganhar força na trajetória de queda, buscando a faixa de R$ 3,60, enquanto a Bolsa brasileira terá mais consistência no nível dos 90 mil pontos.
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Ontem, os negócios locais interromperam o rali de ano novo. A moeda norte-americana registrou a primeira alta do ano, após ser negociada abaixo de R$ 3,70 durante o pregão; o Ibovespa realizou lucros e teve a primeira sessão negativa de 2019, enquanto os juros futuros embutiram prêmios.
Ainda assim, a boa vontade do mercado doméstico com o novo governo deve durar até o fim do primeiro trimestre, após o carnaval e da eleição para as presidências na Câmara e no Senado. A partir deste momento, o governo deverá entregar medidas concretas, com reais chances de aprovação, para não perder credibilidade.
Esse calendário é algo que precisa ser levado em consideração para definir a posição dos investidores nos ativos locais. Por ora, ainda há muita nebulosidade e a tendência é de que haja um posicionamento mais cauteloso, até que o cenário doméstico fique mais claro. Obviamente, sem descartar a cena externa.
Guerra ou Trégua?
Lá fora, a provocação dos Estados Unidos, com um navio destróier de mísseis navegando no sul do Mar da China em meio à retomada das negociações comerciais entre os dois países, turvou a perspectiva de um acordo duradouro. Afinal, essa retórica diplomática é tão relevante quanto o fim da tarifas em produtos.
Além disso, autoridades norte-americanas insistem em dizer que a dependência da economia chinesa à dos EUA é muito maior do que o inverso. Para Pequim, a declaração soa como se a prosperidade da China fosse um presente de Washington - e não uma relação de ganha-ganha.
Mas ainda há inúmeras razões para acreditar em uma boa relação comercial sino-americana. O problema é que, após a trégua de 90 dias assinada ao final de novembro, o tempo está passando e o mundo segue ansioso por uma solução mutuamente aceitável, capaz de manter o sistema internacional de comércio.
Como pano de fundo ao tema, estão os temores de desaceleração da economia global versus a possibilidade de o Federal Reserve elevar os juros norte-americanos mais duas vezes neste ano. Afinal, os EUA têm mostrado certa resiliência no crescimento econômico, enquanto a atividade no restante do mundo perde tração.
À espera de novidades, as bolsas na Ásia encerraram a sessão de hoje de modo misto. Xangai caiu 0,3%, enquanto Hong Kong subiu 0,2% e Tóquio liderou a alta na região, com +0,8%. Em Nova York, os índices futuros das bolsas amanheceram em alta, o que anima a abertura do pregão europeu.
Wall Street está no aguardo de um pronunciamento hoje do presidente Donald Trump sobre segurança na fronteira, à medida que a paralisação do governo (shutdown) avança, sem sinais de desfecho. As atividades federais estão interrompidas há três semanas, em meio à falta de acordo no orçamento sobre a liberação de verba para a construção de um muro na fronteira com o México.
Nos demais mercados, o petróleo tipo WTI sustenta-se levemente abaixo de US$ 48, com o dólar medindo forças em relação às moedas rivais, ao passo que o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) está estável, ligeiramente abaixo de 2,7%.
Atividade brasileira em destaque
A agenda econômica do dia ganha força e traz o resultado da produção industrial em novembro (9h). A previsão é de ligeira estabilidade da atividade em relação a outubro, quando interrompeu três meses seguidos de queda, o que pode limitar a retomada da economia brasileira ao final do ano passado.
Antes, é a vez do resultado final de 2018 do IGP-DI (8h). A estimativa é de que a taxa nova negativa em dezembro (-0,6%) alivie a alta no acumulado do ano passado (+6,9%). O índice reflete o comportamento dos preços em geral na economia, tanto no atacado, no varejo e na construção civil.
Já no exterior, o calendário do dia nos EUA traz dados de novembro da balança comercial (11h30), sobre o total de vagas de emprego disponíveis (13h) e em relação ao crédito ao consumidor (18h). Na zona do euro, merece atenção o índice de sentimento econômico e da confiança do consumidor na região em dezembro.
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