Ex-presidentes do IBGE divulgam carta de protesto contra mudança no Censo 2020
Eles acusam a atual direção do instituto de improvisação e alertam para o risco de o próximo Censo deixar de fora 10 milhões de domicílios

Cinco ex-presidentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se reuniram para divulgar uma carta de protesto à gestão do órgão no atual governo, principalmente, no que diz respeito à realização do Censo Demográfico 2020. A carta é assinada por líderes do instituto em diferentes governos - Eurico Borba (presidente em 1992 e 1993), Eduardo Nunes (de 2003 a 2011), Wasmália Bivar (de 2011 a 2016), Paulo Rabello de Castro (em 2016 e 2017) e Roberto Olinto (de 2017 a 2019).
Eles acusam a atual direção do instituto de improvisação e alertam para o risco de o próximo Censo deixar de fora 10 milhões de domicílios. "A atitude do atual governo, secundada por seu ministro da Economia e não refreada pela atual presidente do IBGE, tem sido de dúvida e de negação à capacidade de concepção e realização do Censo 2020 por este que é um dos órgãos de mais irretocável reputação e confiabilidade do Estado brasileiro", traz a carta, endereçada às lideranças do Congresso, municipais e empresariais.
O corte no questionário da pesquisa foi anunciado pela presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, no fim de maio. Além de reduzir o número de perguntas, o governo diminuiu o orçamento do Censo, de R$ 3,1 bilhões para R$ 2,3 bilhões. Com as medidas, alguns funcionários entregaram seus cargos.
Na carta divulgada nesta segunda-feira, 15, os ex-presidentes pedem a mobilização da sociedade para evitar as mudanças no Censo. Eles destacam que prefeitos, vereadores e deputados recorrem ao IBGE com frequência pedindo a atualização dos dados da população dos seus municípios. Essas informações são consideradas no cálculo de repartição de impostos no Brasil.
Presente à entrevista coletiva de lançamento da carta, Olinto destacou que já existe uma proposta de revisão do Censo elaborada durante três anos por técnicos do IBGE. Já Bivar criticou o fato de uma única pessoa, a atual presidente do instituto, propor individualmente um questionário sem ouvir os funcionários técnicos. "Nos parece improvisação. Isso jamais aconteceu", acrescentou. Para Rabello de Castro, a intenção do atual governo é "ideológica, para acabar com a inteligência brasileira".
Olinto acrescentou ainda que a condução das pesquisas pela atual direção tem desqualificado o instituto de estatística. "A Pnad Contínua virou uma lixeira das pesquisas, não tem sustentação para tanto. Não é a mais adequada, por exemplo, para discutir o autismo", afirmou, em resposta ao posicionamento de Susana Guerra de que utilizará a pesquisa para levantar informações sobre o autismo.
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Segundo os ex-presidentes, o orçamento do Censo 2020 é insuficiente. Eles avaliam que o Censo demográfico está sendo resumido a uma contagem da população. Os afetados, de acordo com o grupo, serão os ministérios que devem ser impossibilitados de planejar o futuro. "A sociedade brasileira não pode abrir mão de se conhecer. O IBGE não pode ser responsabilizado por uma política obscura. Todos nós lidamos com o problema de falta e recurso. Não é um problema novo. Não dizemos amém a quem nos pôs no cargo. Servimos ao público e não a quem está no poder", afirmou Nunes.
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