Menu
2019-05-22T12:24:10-03:00
Ameaça de greve no ar

Por que o governo teme tanto os caminhoneiros

Desequilíbrio no transporte brasileiro é uma herança do baixo investimento na infraestrutura do País nas últimas décadas e das escolhas que o governo fez pelo modal rodoviário

22 de maio de 2019
12:24
greve, greve dos caminhoneiros
Greve de caminhoneiros - Imagem: Marcelo Pinto/APlateia/Fotos Públicas

A dependência do Brasil pelo transporte rodoviário tem dado cada vez mais força para os caminhoneiros. Hoje, no País, o transporte de quase 82% da carga (exceto grãos e minério) é feito por caminhão, segundo estudo do professor Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral. O desequilíbrio da matriz é agravado pelo baixo estoque da indústria e do varejo - o que eleva o risco de desabastecimento no caso de uma greve mais prolongada. Por isso, o governo treme a cada nova ameaça de greve, como a de maio de 2018.

Pelo levantamento da Dom Cabral, os supermercados trabalham com estoque médio de 10 dias; os postos de combustíveis, 5 dias; a cadeia de carne, que envolve a criação e a engorda dos animais, 7 dias; e a indústria de máquinas e equipamentos, 5 dias. "Uma paralisação mais longa desabastece linhas de produção e chega rapidamente à população", diz o professor.

Nos postos, segmento mais afetado na greve do ano passado, a estrutura de estocagem é limitada, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Gouveia. Segundo ele, em áreas urbanas, a capacidade de armazenagem está entre 10 mil e 15 mil litros de combustível - o que eleva a dependência do setor pelos caminhões.

Baixo investimento

O desequilíbrio no transporte brasileiro é uma herança do baixo investimento na infraestrutura do País nas últimas décadas e das escolhas que o governo fez pelo modal rodoviário. "Desde a década de 80, todos os governos incentivaram a indústria automobilística, o que elevou o número de caminhões na economia", afirma Resende.

O aumento do número de veículos, no entanto, não foi acompanhado pela expansão da infraestrutura. Em 15 anos, a média de investimento em transportes representou apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) - segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o País teria de investir anualmente 2,26% do PIB durante uma década para melhorar e expandir o transporte nacional.

O resultado do baixo investimento é que apenas 12% da malha rodoviária nacional é pavimentada. Em 14 anos, esse porcentual avançou apenas um ponto porcentual. Além disso, a qualidade de 57% da malha existente é considerada regular, ruim ou péssima. "E isso aumenta o custo operacional do transporte", afirma o presidente da Abdib, Venilton Tadini.

Somado a tudo isso, diz ele, há o fato de que a densidade relativa (km de estrada em relação à área territorial) da malha rodoviária brasileira é pequena comparada a outros países com a dimensão territorial semelhante. Segundo dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), nos Estados Unidos, a densidade é de 431 km por 1.000 km² de área; na China, 359 km; Rússia, 54,3 km; e o Brasil, 24,8 km. "O frete é resultado da combinação entre a baixa densidade rodoviária e a qualidade ruim das estradas", diz Tadini.

Mudar esse cenário depende de investimento e de uma política de diversificação do transporte, como hidrovias, ferrovias e cabotagem (transporte pela costa do País). "Se quer resultado no curto prazo, invista em rodovias e hidrovias e na cabotagem que trazem retorno mais rápido. No médio prazo, invista em ferrovias", diz o presidente da CNT, Vander Costa.

O especialista em infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Matheus de Castro, é mais pessimista. Para ele, a dependência do modal rodoviário é tão elevada que não tem como ser solucionada nem no médio prazo. "Isso é fruto de uma série de escolhas (de governos) e resultado de baixo investimento em infraestrutura." Segundo Castro, para as ferrovias avançarem no País, é necessário melhorar a integração entre elas, para que uma concessionária possa transitar na malha de outra. "Hoje as concessões ferroviárias atuam de forma isolada."

Procurado, o Ministério de Infraestrutura, que toca as negociações com os caminhoneiros, apenas respondeu sobre as medidas que vem adotando para melhorar o dia a dia dos motoristas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

projeções da corretora

XP Investimentos amplia cobertura e recomenda compra para dois FIIs de lajes corporativas

Cotas dos fundos PVBI11 e RECT11 têm potencial de alta de no mínimo 12% e oferecem rendimento de dividendo de até 8,4%

pandemia no país

Covid-19: Brasil acumula 4,4 milhões de casos e 134,9 mil mortes

O Brasil chegou a 4.455.386 casos de covid-19 desde o início da pandemia. Em 24 horas desde o boletim de ontem (16), foram registrados 36.303 novos diagnósticos positivos

seu dinheiro na sua noite

A inflação da Helena

Na semana passada, minha filha veio me perguntar sobre o aumento do preço do arroz. Ou melhor, bem ao estilo dela, nem me deu tempo de responder e trouxe na ponta da língua as razões para a disparada, incluindo a alta do dólar. A conversa me pegou de surpresa. A Helena completa 10 anos nesta […]

Bluechips salvam o dia

Ibovespa descola-se de ressaca global pós-overdose de bancos centrais e fecha em leve alta; dólar cai

Apesar da melhora pontual na bolsa brasileira, os investidores mantiveram um pé atrás pela ausência de sinalização de novas medidas de estímulo pelo Fed

larry kudlow

Casa Branca pede estímulos do Congresso para pequenos negócios nos EUA

“Um estímulo do Congresso aos pequenos negócios seria ainda melhor” para a recuperação econômica, afirmou o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements