Menu
2019-10-15T08:22:58-03:00
novo quer falar

‘O bolsonarismo foi muito forte, mas está decrescente’, diz Amoêdo

O engenheiro e empresário João Amoêdo rejeita o título de “direita” ao falar sobre a posição de sua legenda no espectro político, avalia que o eleitorado está “virando a página” do antipetismo e faz críticas ao governo Bolsonaro

15 de outubro de 2019
8:22
vac_abr_100420193736
O presidente do partido Novo, João Amoêdo. - Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Reeleito para mais quatro anos à frente do Novo, o engenheiro e empresário João Amoêdo não tem pressa em expandir a sigla que em 2018 elegeu oito deputados federais, 11 estaduais, 1 distrital e um governador. Mesmo depois de receber 2,5% dos votos e ficar em quinto na disputa presidencial, o Novo vai lançar apenas 70 candidatos a prefeito pelo Brasil, num universo de 5.570 municípios. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Amoêdo rejeita o título de "direita" ao falar sobre a posição de sua legenda no espectro político, avalia que o eleitorado está "virando a página" do antipetismo e faz críticas ao governo Bolsonaro.

Onde o Novo se coloca no campo da direita?

Esse rótulo não expressa bem o que o Novo é. As pessoas no Brasil ainda fazem uma associação grande com direita e regime militar, ditadura. Se for para ter um rótulo, preferimos ser um partido liberal mais que de direita. Nosso partido é liberal porque coloca o cidadão como protagonista e não o Estado. Acreditamos na capacidade do cidadão de resolver seus problemas.

A direita brasileira tem grupos com agenda mais conservadora nos costumes. Isso diferencia o Novo de partidos como o PSL?

No caso do Novo, entendemos que a pauta dos costumes é uma definição do cidadão, e não uma imposição do partido.

Acha que o antipetismo estará presente nas eleições de 2020? O bolsonarismo será forte até lá?

As pessoas estão virando a página do antipetismo. O cidadão está preocupado com coerência. O viés ideológico será menor. O bolsonarismo foi muito forte na polarização, mas está decrescente. (Jair) Bolsonaro se isola ao atacar as instituições. Se isola do Congresso, do partido e acaba se restringindo ao núcleo familiar. Esse processo vai continuar e vai desgastar o bolsonarismo.

Como avalia o governo federal?

Alguns ministros têm feito um bom trabalho: Infraestrutura, Agricultura, Justiça. Na pauta econômica, há um alinhamento muito grande com o que Novo defendia, que é a responsabilidade fiscal, reforma da Previdência, liberdade econômica. O lado negativo tem alguns pontos. O primeiro: não existem prioridades. O presidente atua em várias frentes e dá muita ênfase a assuntos que não são prioritários para um País com quase 13 milhões de desempregados. Outra coisa que me incomoda é a questão das instituições. Muitas vezes há ataques às instituições. A gente viu isso em relação a Polícia Federal, imprensa, Supremo, partidos, Congresso. O terceiro ponto é a continuação do debate eleitoral. O Brasil está muito dividido. A gente esperava que, com as eleições, tivesse menos isso do "nós contra eles". Mas o País continua no embate eleitoral. Por último, tem o combate à corrupção. Essa falta de transparência no assunto dos filhos (do presidente) não é uma boa sinalização.

O sr. falou sobre ministros que estão indo bem, mas não citou o do Meio Ambiente, que é filiado ao Novo. Até que ponto as atitudes e discursos do Ricardo Salles respingam no partido?

Ele não é um ministro do partido. É apenas um filiado que foi convidado pelo Bolsonaro para fazer a gestão do meio ambiente. Não tomamos conhecimento do que acontece no ministério. Não interagimos de nenhuma forma com ele. Ricardo é uma pessoa bem preparada, teve experiência na área pública e tem feito coisas que fazem sentido. Mas muitas vezes há um aspecto muito ideológico.

O Novo terá poucos candidatos a prefeito ano que vem. Isso não impede um crescimento mais consistente do partido?

Normalmente, a prática partidária é de abrir vários diretórios e lançar puxadores de voto, mas isso não firma a sigla como instituição nem define uma imagem. Nosso processo é rigoroso porque queremos trazer gente preparada para a política. O processo seletivo está acontecendo em cerca de 70 cidades. Pelos nossos cálculos, estaremos em cidades que vão somar cerca 65 milhões de habitantes. Em 2016, lançamos candidatos em 5 cidades, agora são 70.

O sr. pretende ser candidato novamente em 2022?

Não tenho esse projeto. O projeto hoje é fazer a gestão do partido.

Pelo perfil do Novo, não seria melhor ter uma alternância de poder no comando do partido?

Fizemos um processo seletivo para o diretório. A chapa foi eleita por unanimidade. Ser presidente do Novo é um trabalho voluntário. O estatuto prevê apenas uma reeleição.

Existe possibilidade de o Novo se aproximar de João Doria ou algum outro candidato em 2022?

Muito pouco provável. Nós temos muitos diferenciais em relação à maioria dos partidos, como o fato de não usar Fundo Partidário. O Novo está construindo a sua marca. Tivemos uma estreia muito boa. Em 2022 a ideia é ter um candidato próprio de novo.

O apresentador Luciano Huck tem sido apontado como alguém com chance de liderar uma frente de centro em 2022. Vocês podem estar no mesmo projeto?

É difícil saber porque não conheço as ideias do Luciano e as pautas que ele defende. A gente deve trazer soluções para o Brasil pelas instituições. A gente sempre fica procurando um salvador. Gostaria de saber do Luciano, por exemplo, quais as ideias que ele vai representar. Para mim, ele ainda é uma incógnita.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Exclusivo SD Premium

“Ground Stop”: É hora de se aventurar nas ações do setor aéreo?

Imagine, caro amigo leitor, o quanto não está custando a atual paralisação provocada pelo surto da Covid-19 para os setores aeronáutico e aeroportuário em todo o mundo. Cem bilhões? Duzentos bilhões? Trezentos bilhões? Um trilhão?

Reflexos da pandemia

Com coronavírus, lucro do Iguatemi cai 77,5% no 1º tri, para R$ 12,5 milhões

Operadora de shopping centers viu queda nas vendas, na receita líquida e no Ebitda com fechamento da maioria das lojas no fim de março por conta da pandemia

Atualização do Ministério da Saúde

Brasil tem 391.222 casos confirmados e 24.512 mortes pelo coronavírus

Segundo Ministério da Saúde, 158.593 pacientes foram recuperados

Projeto de ajuda a Estados

Bolsonaro diz não poder mais socorrer Estados e insiste na reabertura da economia

“Nós não podemos continuar socorrendo Estados e municípios que devem no meu entender de forma racional começar a abrir o mercado”, afirmou

seu dinheiro na sua noite

Magalu à prova de coronavírus

No último dia 18 de março, o Ibovespa amargou uma queda de 10,35%, depois de passar pela sexta vez no mês por um circuit breaker – a paralisação que acontece toda vez que o principal índice da bolsa cai mais de 10% durante um pregão. Nesse mesmo dia, as ações do Magazine Luiza registraram uma […]

Condição para socorro financeiro

MP que concede reajuste salarial a policiais e bombeiros no DF é publicada

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro disse que deve sancionar o projeto de socorro a Estados e municípios até amanhã; edição de medida provisória era uma das condições para a sanção

Energia elétrica

Aneel retira de pauta reajuste da Cemig e prorroga vigência de tarifas atuais

Com isso, as tarifas atuais serão prorrogadas até 30 de junho

Pessimismo aumenta

IIF passa a prever que PIB do Brasil terá contração de 6,9% em 2020

Em relatório divulgado nesta terça-feira, 26, a instituição explica que a crise terá efeitos duradouros para o País

Mais alívio no câmbio

R$ 5,35: com uma ajuda do exterior, o dólar zerou os ganhos no mês e virou para queda

O clima tranquilo visto nos mercados globais abriu espaço para mais uma queda no dólar à vista — a sexta nas últimas sete sessões. Com isso, a moeda americana voltou aos níveis do fim de abril, afastando-se cada vez mais do patamar dos R$ 6,00

Títulos públicos

Tesouro Direto tem emissão líquida recorde de R$ 1,57 bilhão em abril

Com a emissão recorde, o estoque do programa fechou abril em R$ 60,24 bilhões, um aumento de 3,1% em relação ao mês anterior (R$ 58,44 bilhões)

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements