Menu
2019-12-23T07:50:02-03:00
Investimentos

Fundos imobiliários batem recordes, mas altas devem ser menores em 2020

Puxado pelo ciclo de corte do juro (Selic), fundos imobiliários se valorizaram com a migração de investidores que buscam alternativas à renda fixa

23 de dezembro de 2019
7:49 - atualizado às 7:50
imóveis
Imagem: Divulgação

A indústria de fundos de investimento imobiliários, os FIIs, teve forte aquecimento neste ano. Puxado pelo ciclo de corte do juro (Selic), que caiu para 4,5% ao ano, o setor se beneficiou com a queda nas taxas para financiamento imobiliário e com a migração de investidores que buscam alternativas à renda fixa.

As novas emissões desses fundos levantaram mais de R$ 34 bilhões em captações até novembro, ante R$ 11 bilhões em 2018. Só as pessoas físicas ficaram com 52,8% das novas cotas, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Especialistas, porém, alertam para riscos em 2020. Com tanto crescimento em um ano, é esperada uma oscilação maior nos fundos imobiliários daqui para frente, sem desconsiderar uma correção em determinados fundos que adquiriram “muita gordura” em 2019.

Segundo levantamento da Economática, dos 100 fundos com maior liquidez, 85% operam em alta, boa parte acima de 10% de rendimento de um ano para outro. Esse dado, na opinião dos gestores do mercado financeiro, sugere que haverá movimento de correção em 2020.

“Em média, os fundos vinham com oscilação de 10% de um ano para outro, em anos muito positivos. Crescimentos maiores que isso, mesmo em 2019, não se justificam, já que não houve ganho de patrimônio líquido que sustente tamanha valorização”, diz o gestor de um grande banco multinacional, que preferiu não se identificar.

A animação com FIIs ficou explícita no crescimento do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix). Com alta de 29,7%, chegou a passar, em alguns momentos, o Ibovespa, cesta com as principais ações negociadas na Bolsa.

“O segmento de FIIs que teve a maior valorização foi o de ativos logísticos, com alta de mais de 50%, se ajustarmos o indicador aos dividendos distribuídos”, diz Anita Scal, sócia da área de investimentos imobiliários da Rio Bravo.

Se comparada à valorização que os imóveis que dão lastro aos FIIs tiveram neste ano, porém, a alta dos fundos pode parecer exagerada. De um ano para cá, os preços subiram, na média, 0,7%, segundo levantamento do coordenador do Laboratório de Finanças do Insper, Michel Viriato, feito a pedido do Estado.

“Os preços dos imóveis demoram a reagir. Os donos não baixam facilmente e, assim, quando há recuperação econômica ainda estão quase no mesmo patamar pré-crise. Dessa maneira, a valorização será menor que a de fundos que se desvalorizaram durante a crise.”

Viriato diz que a liquidez dos fundos e as vantagens dos cotistas não arcarem com custos da vacância dos imóveis - como água, luz e condomínio - e ainda receberem dividendos com isenção de Imposto de Renda são fatores essenciais para a maior valorização desse investimento.

Mesmo assim, ele não vê para os próximos meses crescimento tão acentuado quanto o deste ano. “Ainda vejo dois anos de alta, mas como o crescimento neste ano foi muito forte, nos próximos deve ser algo entre 10% a 15%, e abaixo do Ibovespa.”

A especialista em fundos imobiliários do Itaú BBA, Larissa Nappo, explica que FIIs são o primeiro passo de muitos investidores para fora da renda fixa. “Eles são atrativos pela isenção de IR e o acesso de fluxo de caixa, pois são obrigados a distribuir aos cotistas 95% dos dividendos.”

Para ela, correções pontuais de alguns fundos podem ocorrer em 2020 mas, no geral, ela espera continuidade no crescimento. “Como o principal fator de alta, que é o patamar de juros, deve continuar, vejo um cenário ainda favorável.”

O sócio-diretor da Valora Investimentos, Alessandro Vedrossi, diz que o reajuste esperado para os aluguéis, motivado pela redução de imóveis vagos, pode motivar novas altas para a categoria. “Os preços estavam depreciados. Ainda há espaço para subir.” Mas, por ser um contato inicial com um tipo diferente de produto financeiro, vale a pena o investidor prestar atenção em algumas dicas.

“É importante saber no que se está investindo. Quais são os ativos do fundo, os imóveis? Como é a vacância? Como foram os últimos dividendos? Se for um fundo de papéis de dívidas do setor imobiliário é preciso avaliar a classificação de risco e compará-la com a valorização que prometem”, diz Daniel Chinzarian, analista de fundos imobiliários da Guide Investimentos.

Ele também chama atenção para o risco de comprar FIIs com um só imóvel e um inquilino. Num curto prazo pode render acima da média, “mas se o inquilino sair, pode penalizar o cotista”. Além disso, é bom evitar fundo novo e buscar os estabelecidos, com dados para serem analisados.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

MUDANÇA DE CARGO

Marinho anuncia que secretário Leonardo Rolim será novo presidente do INSS

Atualmente, 1,3 milhão de solicitações de benefício estão sem análise há mais de 45 dias, prazo legal para que o INSS dê uma resposta

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

O que fazer diante do coronavírus

Caro leitor, A essa altura, você talvez já saiba que o coronavírus causa infecções do trato respiratório superior, cujos sintomas principais são coriza, dor de garganta e febre. A doença pode chegar ao trato respiratório inferior, o que é mais comum em pessoas com doenças cardiopulmonares, com sistema imunológico comprometido ou idosos. Você também já […]

De volta aos 116 mil pontos

Dia de correção: Ibovespa se recupera e fecha em alta de mais de 1,5%; dólar cai a R$ 4,19

Após amargar perdas de mais de 3% na segunda-feira, o Ibovespa teve um dia de alívio e encerrou com ganhos firmes, acompanhando o tom de maior calmaria no exterior. O coronavírus, no entanto, segue trazendo cautela às negociações

VEM, CHINESES

Doria diz que continua estimulando chineses a comprar instalações da Ford

No ano passado, Doria tentou ajudar o grupo brasileiro Caoa a comprar a planta da Ford e chegou a convocar uma coletiva de imprensa para anunciar um acerto entre as duas empresas. No entanto, as negociações não prosperam

DÍVIDA

Dívida pública federal sobe 1,03% em dezembro, e fecha 2019 em R$ 4,248 trilhões

A DPF inclui a dívida interna e externa. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu 1,22% em dezembro fechou o ano em R$ 4,033 trilhões

DE OLHO NOS GASTOS

Gasto de estrangeiro fica estagnado

Apesar do aumento no volume de pessoas de países com isenção de visto que vieram ao Brasil, isso não se refletiu no montante total de gastos dos turistas de fora

AVALIAÇÃO NEGATIVA

Após aumento de custos e queda nos lucros, Credit Suisse corta preço-alvo para ações da Cielo

Entre os pontos de atenção citados pelos analistas no relatório está a queda de margens, que alcançaram os menores níveis já vistos

as queridinhas dos jovens

Apple, Amazon e Tesla estão entre as ações preferidas dos millennials; confira ranking

Empresa diz ter analisado 734 mil contas de investimento de americanos com idade média de 31 anos

Azul, JBS, Cielo e Petrobras: os destaques do Ibovespa nesta terça-feira

O mercado reagiu positivamente às novidades anunciadas pela Azul em sua gestão de frota — e, como resultado, as ações da companhia aérea dispararam. Já a Cielo teve um dia intenso na bolsa, em meio à divulgação do balanço trimestral da companhia

motivo de preocupação dos mercados

Brasil investiga caso suspeito de coronavírus

Caso a infecção por coronavírus seja confirmada, o nível de alerta no país sobe para de Emergência de Saúde Pública Nacional, quando há a possibilidade de o vírus já estar em circulação no país

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements