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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

Fed corta juros e não descarta novas reduções

Decisão do Federal Reserve (Fed), banco central americano, veio em linha com o esperado pelo mercado. Dois diretores votaram pela manutenção e um por corte de meio ponto. Trump já reclamou

18 de setembro de 2019
15:08 - atualizado às 17:11
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve -

O Federal Reserve (Fed), banco central americano, promoveu uma nova redução no custo do dinheiro nos Estados Unidos e, por consequência, no mundo. A taxa básica de juros caiu de 2% a 2,25% para 1,75% a 2% ao ano.

Novas reduções não estão descartadas, mas ao longo da entrevista de Jerome Powell, a percepção de estabilidade dos juros foi ganhando força, o que levou os índices a operarem em baixa. No entanto, no fim do pregão, os agentes se apegaram à possibilidade de que o Fed tenha de voltar a ampliar o seu balanço para regular as condições de liquidez no mercado, o que fez as bolsas saírem das mínimas.

No fim da jornada, o Dow Jones garantiu alta de 0,13%, aos 27.147 pontos, depois de cair mais de 0,60%. Já o S&P 500 teve valorização de 0,03%, aos 3.006 pontos. Já o Nasdaq ainda fechou em leve queda de 0,11%, aos 8.177 pontos.

O corte de juro era esperado pela maior parte do mercado, mas não houve consenso dentro do colegiado presidido por Jerome Powell. Esther L. George e Eric S. Rosengren votaram por manutenção. E James Bullard queria mais, um corte de meio ponto.

O presidente Donald Trump foi prontamente ao "Twitter" criticar a decisão, falando que o Fed não tem coragem, senso ou visão.

Fala Powell

Em entrevista, o presidente Jerome Powell, usando uma inseparável gravata roxa, disse que o Fed reduziu o juro para manter a economia forte diante de riscos que se apresentam. Entre eles está a guerra comercial, que tem levado empresas a perder a confiança para fazer novos investimentos.

Por outro, lado, disse Powell o consumo e o mercado de trabalho seguem fortes, o que deve garantir ritmo moderado de crescimento, ao redor de 2% neste e no próximo ano.

Sobre o futuro da política monetária, Powell disse que "não vemos como necessário um longo ciclo de cortes" e que as decisões serão tomadas a cada reunião, analisando os dados disponíveis. "Não há um caminho predefinido", disse.

Nas palavras de Powell, se você enxerga problemas no horizonte é melhor tentar se afastar deles. É um princípio que tem funcionado e o Fed tem feito isso, pois tem ajustado o curso de sua política ao longo do ano, primeiro mudando a linguagem e agora fazendo um novo corte de juros.

A ênfase e repetições de Powell de que o comitê vai avaliar os dados para tomar futuras decisões, elevou as apostas de que o movimento de corte tem maior chance de ser interrompido, apesar de o comunicado e Powell falarem que o comitê vai atuar "de forma apropriada" para sustentar a expansão da economia. O que é visto por parte do mercado com um aceno para novas reduções.

"Não vemos uma recessão e não esperamos uma recessão, ajustamos a política para dar suporte ao cenário positivo", disse Powell.

Perguntado se já teríamos chegado ao fim do ajuste, Powell disse que não tem como falar em um ponto específico de parada. “Estamos olhando cuidadosamente. Chegará um momento, creio, no qual acharemos que fizemos o suficiente. Terá momentos em que a economia estará pior e teremos de cortar de forma mais agressiva. Nós não sabemos, vamos olhar as coisas com cuidado, os dados e a situação geral”, disse.

Sobre as críticas de Trump, Powell disse que não vai mudar sua postura de não responder a “oficiais eleitos” e reforçou sua confiança na atuação independe do Fed do controle político direto.

Questionado sobre o risco de ter juros mais elevados nos EUA que o resto do mundo, Powell disse que os mercados financeiros são altamente integrados e que os juros longos americanos estão sendo pressionados para baixo em função do ambiente global de juros baixos.

Segundo Powell, essas taxas globais são um sinal de menor crescimento da economia mundial e da falta de espaço para uso de políticas ou outras ferramentas para mudar esse equilíbrio.

“Isso tem implicação para nós. Isso vai puxar para baixo as taxas americanas. As condições financeiras nos EUA podem ficar mais apertadas em função disso. Tudo isso é levado em consideração”, disse.

Liquidez e reservas

O Fed também anunciou uma redução na taxa de juros sobre o excedente de reservas bancárias, que estava em 2,1%. O novo percentual é de 1,8% e deve ajudar a conter a falta de liquidez que vem assolando o mercado americano nos últimos dias. Situação que obrigou o Fed a fazer dois leilões de “repo”, operações semelhantes às operações compromissadas, de mais de US$ 120 bilhões.

Segundo Powell, esse estresse no mercado de "money-market" foi resultado da saída de recursos do setor privado para o Tesouro, seja para pagamento de impostos ou liquidação de operações com títulos. Ele lembrou que as operações feitas pelo Fed de NY surtiram efeito e que o Fed vai atuar conforme o necessário para manter os juros de mercado ao redor da meta fixada pelo comitê.

Ainda sobre o tema, Powell disse que esses problemas não transbordam para o restante da economia, nem para a condução da política monetária. O Fed viu o problema chegando, mas ele foi maior que o antecipado. Ele voltou a dizer que o Fed tem as ferramentas necessárias para atuar no mercado.

Perguntando novamente sobre o tema, o presidente do Fed não descartou que tenha de retomar um processo mais orgânico de ampliação do balanço da instituição mais cedo do que o estimado.

Segundo alguns analistas, essa chance de termos algo parecido com um "quantitative easing" foi o que levou os mercados a sair das mínimas do dia.

Projeções

Nesta edição, o Fed também apresenta o famoso gráfico dos pontinhos de onde é possível extrair que os membros do colegiado praticamente não esperam mais cortes de juros, apesar da linguagem usada sugerir isso.

Nas projeções, o BC espera crescimento de 2,2% em 2019, 2% em 2020 e 1,9% em 2021, contra 2,1%, 2% e 1,8% em junho. A projeção para a taxa de juros no fim desde ano caiu de 2,4% para 1,9%. Para 2020, temos 1,9%, ante 2,1%, e para 2021 o juro esperado é de 2,1%, contra 2,4%. No lado da inflação, o núcleo de preços ao consumidor fecha o ano em 1,5% (1,5%), sobe a 1,9% em 2020 (1,9%) e vai a 2% em 2021 (2%).

A próxima reunião do Fed acontece em 30 de outubro.

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