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2019-10-14T14:28:52-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Queda de braço

Com o aval da OMC, os Estados Unidos vão impor tarifas sobre importações da União Europeia

O governo dos Estados Unidos venceu uma disputa com a União Europeia na OMC e, como resultado, irá sobretaxar US$ 7,5 bilhões em importações do bloco econômico

2 de outubro de 2019
19:02 - atualizado às 14:28
Estados Unidos e União Europeia
Estados Unidos e União Europeia - Imagem: Shutterstock

O cenário das disputas comerciais no mundo ganhou mais um desdobramento nesta quarta-feira (2): há pouco, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou que o país irá adotar tarifas adicionais sobre US$ 7,5 bilhões em importações da União Europeia.

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Mas essa sobretaxação sobre os produtos do bloco europeu ocorre num contexto diferente da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Desta vez, a ação do governo americano ocorreu com o aval da Organização Mundial do Comércio (OMC), que deu ganho de causa a Washington num processo movido contra a União Europeia.

No processo, os EUA acusavam as autoridades da UE de fornecerem subsídios aos aviões da Airbus, o que estaria prejudicando as exportações de aeronaves da Boeing e das demais empresas americanas do setor. Os debates sobre o caso se estenderam por quase 15 anos, chegando a uma conclusão nesta quarta-feira.

Com a decisão, a OMC permitiu que o governo americano impusesse tarifas sobre US$ 7,5 bilhões em importações da União Europeia, de modo a compensar as perdas decorrentes dos subsídios à Airbus. E as autoridades do país já manifestaram a intenção de colocar em prática as retaliações.

"Os EUA começarão a aplicar as tarifas aprovadas pela OMC sobre alguns produtos da União Euripeia a partir de 18 de outubro. Esperamos entrar em negociações com a UE para resolver esse tema de maneira a beneficiar os trabalhadores americanos", disse Robert Lighthizer, representante do USTR, em nota.

A OMC calculou a quantia de US$ 7,5 bilhões com base nos impactos negativos que os subsídios da UE causaram à divisão de aviação comercial da Boeing, não só em relação à competição dentro da Europa, mas também nos mercados da Austrália, China, Coréia do Sul, Cingapura e Emirados Árabes Unidos.

A decisão da OMC é definitiva e não cabe recurso por parte da União Europeia — assim, o bloco europeu não poderá adotar sobretaxas retaliatórias.

De acordo com o USTR, a maior parte das tarifas irá incidir em produtos da França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, os países responsáveis pelos subsídios à Airbus. "Apesar de termos autorização para aplicar taxas de 100% sobre os bens, no momento os aumentos ficarão limitados a 10% em aeronaves comerciais e 25% em produtos agrícolas", diz o escritório.

A lista completa de artigos da União Europeia que serão sobretaxados pelos Estados Unidos pode ser vista aqui.

Nesta quinta-feira, 3, o presidente dos EUA comemorou a decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) de permitir que o governo americano adote medidas retaliatórias contra a União Europeia. "Os EUA ganharam um prêmio de US$ 7,5 bilhões da OMC contra a União Europeia", postou em sua conta no Twitter.

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