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Banco Central passa a apresentar dados sobre o crédito ampliado, que além das operações feitas no sistema financeiro, agrega títulos públicos, privados e operações externas
O Banco Central (BC) passará a apresentar em base mensal estatísticas de crédito ao setor não financeiro no conceito ampliado, que abrange além das operações feitas por bancos e outras instituições financeiras, os créditos obtidos via emissão de títulos da dívida pública e privada, como debêntures, e aqueles concedidos por não residentes.
Os primeiros dados apresentados pelo BC, mostram uma relação crédito sobre o Produto Interno Bruto (PIB) bem maior do que aquela que estamos acostumados a ver mensalmente nas estatísticas da autoridade monetária.
No conceito ampliado, o crédito no país fechou 2018 em R$ 9,446 trilhões, o que representa 138,3% do PIB. Ao considerarmos apenas as operações feitas no âmbito do sistema financeiro nacional (SFN), o valor foi de R$ 3,473 trilhões, ou 50,9% do PIB, que é o número usualmente conhecido.
Entre 2016 e 2018, o crédito no âmbito do SFN teve crescimento nominal de 5,37%, enquanto a emissão de títulos da dívida avançou 30,5%, e os empréstimos classificados como dívida externa subiram 18,2%. Com isso, temos que o crédito ampliado cresceu 17,5% nesse mesmo período.

A abertura dos dados vai nos ajudar a observar um fenômeno que o próprio BC vem destacando em algumas de suas publicações, que trata de uma substituição do SFN pelo mercado de capitais, principalmente, no financiamento às empresas.
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Há um esforço do BC e do governo em fazer um movimento para aprofundar o mercado de capitais como fonte de financiamento e toda essa agenda também conversa com as medidas de ajuste fiscal.
Os temas parecem desconexos, mas a coisa é mais ou menos assim. Como o governo gasta mais do que arrecada, se torna um firme demandante pelos recursos disponíveis na economia. Como tem risco de calote quase zero e títulos públicos são “quase dinheiro” (preferência pela liquidez), o tamanho do Estado no mercado de crédito promove o chamado “crowding out” do setor privado.
Com o Estado reduzindo sua necessidade de financiamento, tenderíamos a ver uma maior oferta de recursos para financiar o setor privado, que faria então o chamado "crowding in". Isso sem falar na taxa de juros. Pois com juros elevados, não tem nada melhor que emprestar para o governo, mas com Selic baixa e estável a coisa começa a mudar de figura.
Em suma, é o que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, vem advogando em praticamente todos os seus discursos públicos: "O mercado precisa se libertar da necessidade de financiar o governo e se voltar para o financiamento ao empreendedorismo."
Pouco mais da metade desses quase R$ 9,5 trilhões, ou 56% para ser mais exato, estão com empresas privadas, públicas e famílias. Já o governo consome os 44% restantes, entre administração pública federal, estadual e municipal. O que reforça os argumentos acima.
Em dezembro de 2018, o maior componente do crédito total foi o de títulos públicos, respondendo por 35% do total, seguido pela carteira do SFN, com 34%. A dívida externa representou 22% do crédito total, enquanto o mercado de capitais e os outros empréstimos corresponderam a 6% e 2%, respectivamente.

Abrindo os dados para empresas e famílias, temos R$ 5,3 trilhões em crédito no fim de 2018, ou 77,7% do PIB. Aqui, a carteira do SFN domina, respondendo por 59% do saldo total. A segunda fonte de financiamento mais relevante é o crédito fornecido por não residentes, com 26%. O mercado de capitais e os outros empréstimos responderam, na ordem, por 11% e 4%, respectivamente.
Já o crédito ampliado ao governo geral, que compreende recursos para custeio e investimento da administração pública (excluída as empresas estatais), foi de R$ 4,1 trilhões em dezembro de 2018, ou 60,6% do PIB.
Segundo o BC, sua maior parcela corresponde aos títulos emitidos no mercado doméstico, com 90%, e adquiridos por residentes e não residentes. As operações de crédito do SFN representam somente 3% desse total.
Dentro do grupo títulos da dívida, estão os papéis emitidos no mercado doméstico por pessoas jurídicas não financeiras e por entidades do setor público, excluídos aqueles detidos por não residentes, que são classificados na dívida externa.
Aqui temos debêntures e instrumentos de securitização, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e direitos creditórios em carteira de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
Há uma natural prevalência dos títulos públicos, que fecharam 2018 somando R$ 3,326 trilhões, ou 48,7% do PIB. Mas observado os demais componentes observamos crescimento relevante e superior ao da dívida pública, que aumentou 28,8% desde 2016.
No segmento de títulos privados, onde entram as debêntures, o valor era de R$ 371 bilhões, ou 5,4% do PIB, ante R$ 256 bilhões no fim a de 2016, avanço de 45%.
Em instrumentos de securitização (CRI, CRA e FIDC), o avanço no período foi de 34%, de R$ 167 bilhões para R$ 224 bilhões, ou 3,3% do PIB.
O conceito aqui abrange ao saldo dos recursos captados no exterior mediante a contratação de empréstimos ou a emissão de títulos. São as operações de crédito concedidas por não residentes para residentes.
Em 2018, a dívida externa total fechou em R$ 2,052 trilhões, ou 30% do PIB. Desse total, tínhamos R$ 1,332 trilhão em empréstimos, contra R$ 1,110 trilhão, em 2016. Outros R$ 312 bilhões em títulos emitidos no mercado externo (R$ 212 bilhões em 2016) e mais R$ 407 bilhões em títulos emitidos no mercado local (R$ 413 bilhões em 2016).
A íntegra do estudo pode encontrada aqui. Esse estudo faz parte da divulgação do Relatório de Economia Bancária, que será apresentado na íntegra na terça-feira da próxima semana. Os dados mais aguardados do REB são os referentes ao spread bancário e à concentração e concorrência no sistema financeiros.
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