Qual a chance de um “super” El Niño acontecer?
El Niño tem chance de chegar antes do esperado, e mais forte do que nunca. Fenômeno gera alerta no Sul do Brasil.

O El Niño está se formando mais rápido do que o esperado em 2026, e há maiores chances dele se intensificar durante o segundo semestre do ano. Quem recém-divulgou isso foi O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, o NOAA CPC.
Segundo o órgão, há 61% de possibilidade de que o El Niño apresente os seus primeiros sinais durante maio-julho. Para o final do ano, a probabilidade de o evento climático já ter se formado sobe para mais de 90%.
Há um risco adicional de que o evento alcance intensidade forte, potencialmente rara em termos históricos.
O El Niño consiste no aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico — consequência do enfraquecimento dos ventos das áreas tropicais do planeta. No Brasil, ele influencia a umidade e temperatura das regiões, afetando a vida da população e a economia do país.
Por outro lado, meteorologistas brasileiros afirmam que ainda existem incertezas perante a previsão do fenômeno. Em 2024, ele ganhou destaque por ter sido um grande fator das enchentes do Rio Grande do Sul.
Como será em 2026?
O NOAA CPC afirmou que as chances de um “super” El Niño são enormes, mas a previsibilidade do fenômeno permanece ambígua. Isso porque os índices da intensidade variam bastante dentro do cenário apresentado.
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Entre outubro e dezembro, os relatórios indicam probabilidade de 27% de um El Niño moderado, 20% para forte e 13% para muito forte. No entanto, ainda existe 16% de chance de que o fenômeno não se desenvolva tão significativamente.
O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) reforça essa ambiguidade ao divulgar uma amplitude de 1,6 °C entre o mínimo e o máximo previstos para a temperatura da água.
Segundo a instituição, essa grande variação dificultaria a antecipação de resultados.
Com esses dados, o diretor substituto do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), Pedro Ivo Camarinha, dá o seu veredito. Ele afirma ao G1 que o cenário mais plausível ainda é o de um El Niño moderado, iniciando a partir de setembro.
Camarinha ainda diz que não é possível definir a intensidade do evento, visto que esse tipo de previsão segue probabilidades.
O que se sabe, de fato, é a ocorrência do El Niño: de dois a cada sete anos, podendo durar até dez meses.
E no Brasil?
O El Ninõ impacta todas as regiões brasileiras, sobretudo o regime de chuvas e a cadeia produtiva da economia — fortemente dependente do setor agrícola.
No Norte e Nordeste, são causadas secas prolongadas, o que compromete o nível de água de rios e reservatórios. Assim, o consumo humano e a geração de energia hidrelétrica são duramente afetados, bem como a logística fluvial, essencial para a entrega de safra.
Já no Sudeste e Centro-Oeste, a temperatura média das regiões é elevada, e os chamados “veranicos” — períodos secos e muito quentes no meio da estação chuvosa — se tornam comuns. Isso desregula o plantio das principais commodities brasileiras, como soja e milho.
Nesse caso, as safras de verão 2026/27 da região Matopiba (que compõe os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e Centro-Oeste correm risco. A falta de umidade no solo pode afetar o plantio inicial das culturas, reduzindo a rentabilidade do campo ao forçar replantios caros e arriscados.
O caso do Sul
No Sul, o efeito do El Niño é diferente: as frentes frias tendem a se intensificar e o transporte de umidade é aumentado, favorecendo a ocorrência de chuvas frequentes e tempestades. Isso eleva significativamente o risco de inundações e deslizamentos.
A situação chama a atenção de especialistas climáticos e das Defesas Civis dos estados sulistas, sobretudo após as enchentes de 2024. Em 2026, o fenômeno se desenvolve antes do previsto, com impactos inicialmente esperados para setembro, mas que já poderão ser sentidos a partir de julho.
Em Santa Catarina, espera-se instabilidade climática desde junho, acompanhada de volumes mais elevados de chuva e risco de enchentes, especialmente em regiões vulneráveis como o Vale do Itajaí. O inverno também pode apresentar características atípicas, com episódios de frio menos intensos e de curta duração.
No Rio Grande do Sul, o El Niño antecipado acende um alerta, já que costuma elevar o volume de chuvas e ampliar o risco de alagamentos e deslizamentos. As projeções indicam tempestades mais fortes em junho e julho.
O excesso de umidade também preocupa produtores de trigo e aveia da região, pois o encharcamento do solo favorece a proliferação de fungos, assim como dificulta o tráfego de máquinas nas colheiras. Isso acaba comprometendo a qualidade final dos grãos.
Diante desse contexto, especialistas destacam que o comportamento do clima nas próximas semanas será decisivo para definir a intensidade dos impactos. Órgãos de monitoramento estaduais, como a Defesa Civil de Santa Catarina, já atuam com cenários preventivos.
*Sob supervisão de Renan Dantas.
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