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O país reúne ativos naturais raros no mundo, mas ainda precisa transformar potencial em capacidade real de execução

O Brasil vive um momento decisivo na corrida global pelos investimentos verdes. Em meio à reorganização geopolítica do mundo, o país passou a ser visto como um dos destinos mais promissores para o capital voltado à descarbonização, à transição energética e à segurança de recursos naturais estratégicos.
A busca global por autossuficiência e pela redução da dependência de fornecedores únicos — como aconteceu com o gás russo na Europa e com o petróleo do Oriente Médio — acelerou o interesse por cadeias de valor sustentáveis em diversos locais.
É nesse cenário que o Brasil entra no radar internacional. Em entrevista ao Seu Dinheiro, Anna Lúcia Horta, diretora executiva da Capital for Climate no Brasil, e Marina Cançado, fundadora da Converge Capital, afirmam que o país reúne ativos naturais raros no mundo, mas ainda precisa transformar potencial em capacidade real de execução.
As discussões estarão no centro da Brazil Climate Investment Week, evento realizado na terça-feira (19), na cidade de São Paulo, que pretende aproximar investidores, family offices, fundos, empresas e desenvolvedores de projetos para acelerar o fluxo de capital climático no país.
A proposta do encontro é tirar a agenda verde do campo das promessas e avançar para o desembolso efetivo de recursos.
Segundo Cançado, o mundo vive uma reorganização econômica. A pauta ambiental era tratada principalmente sob a ótica da preservação. Agora, ela ganhou um novo peso: virou questão econômica, industrial e de segurança energética.
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Minerais críticos, fontes renováveis de energia, água, biodiversidade e capacidade de geração limpa passaram a ser vistos quase como ativos de segurança nacional. É justamente aí que o Brasil ganha relevância.
O país reúne uma combinação rara de ativos estratégicos. Entre as áreas consideradas prioritárias estão a produção de hidrogênio verde, o combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês), o mercado de carbono, a geração renovável em larga escala, a atração de data centers globais e a industrialização de cadeias ligadas à transição energética.
Para Cançado, porém, a grande discussão não é mais sobre potencial. “Agora vamos ver se a gente vai ter a capacidade para se colocar como um player relevante dentro dessa cadeia de valor”, diz.
Na avaliação das especialistas, o Brasil pode seguir diferentes caminhos dentro da economia verde global.
O mais simples seria continuar atuando principalmente como exportador de matéria-prima e recursos naturais. O mais ambicioso envolveria agregar valor industrialmente, desenvolvendo cadeias produtivas completas dentro do território brasileiro.
Apesar do entusiasmo internacional, as entrevistadas afirmam que o Brasil ainda enfrenta dificuldades estruturais para transformar interesse na transição energética em investimento real.
Um dos principais gargalos é regulatório.
Projetos ligados a hidrogênio verde, SAF, minerais críticos e mercado de carbono dependem de regras claras, estabilidade institucional e previsibilidade jurídica para atrair capital de longo prazo.
Sem isso, investidores internacionais tendem a adiar decisões ou direcionar recursos para outros países considerados mais seguros.
Outro problema central é o custo de capital no Brasil.
Como muitos projetos verdes exigem investimentos altos no início e maturação lenta, juros elevados acabam reduzindo a atratividade econômica. “Não dá para desconectar toda essa conversa de pensar num equilíbrio fiscal ou da economia brasileira”, afirma Marina.
Cançado avalia que o Brasil ainda opera de forma fragmentada. “O Brasil já tem várias peças e iniciativas bem-sucedidas, mas ainda falta amarrar, orquestrar e organizar tudo isso numa direção comum.”
Depois de anos de compromissos públicos e metas anunciadas por governos e empresas, o mercado entrou no que especialistas chamam de “década da implementação”. Ou seja: o foco saiu das promessas e passou para a execução dos projetos.
É justamente nesse contexto que a Brazil Climate Investment Week tenta posicionar o Brasil como destino relevante para capital climático.
O evento busca manter o interesse internacional despertado por agendas recentes como o G20 e a COP30.
A preocupação do setor é que o país desperdice a janela de oportunidade aberta pela combinação entre geografia, recursos naturais e reorganização geopolítica global.
Segundo Anna Lúcia Horta, uma das mudanças mais importantes dos últimos anos foi o amadurecimento do mercado de investimento climático.
Ela afirma que ainda existe a percepção equivocada de que sustentabilidade significa apenas custo ou filantropia.
“As pessoas ainda acham que isso é só para mandar dinheiro, mas isso pode dar muito dinheiro”, afirma.
Ela destaca o avanço das chamadas naturetechs — startups e empresas que desenvolvem soluções ligadas à natureza, biodiversidade e sustentabilidade. “Naturetechs podem gerar retorno de 15% a 20% no horizonte de cinco a sete anos.”
A lógica, segundo ela, funciona de maneira semelhante ao venture capital tradicional: investidores entram em estágios iniciais apostando em crescimento acelerado ao longo do tempo.
Mesmo assim, ainda existe um desafio importante de conexão entre projetos e capital. Muitos investidores têm interesse na agenda climática, mas encontram dificuldade para localizar projetos maduros, com governança adequada e perfil de risco compatível. Por outro lado, desenvolvedores de projetos frequentemente não conseguem acessar os investidores certos.
A proposta da Brazil Climate Investment Week é justamente fortalecer esse tipo de conexão prática.
Dentro dessa estrutura, os family offices aparecem como atores cada vez mais importantes.
Segundo Cançado, muitos projetos ligados à transição energética e soluções baseadas na natureza ainda estão em estágio inicial de crescimento — uma fase considerada mais arriscada para grandes bancos e investidores tradicionais.
“É uma fase que falta muito capital e onde o capital mais paciente de famílias empresárias pode fazer a diferença.”
Ela afirma que esses investidores costumam ter horizonte mais longo, maior flexibilidade e disposição para apostar em projetos ainda em desenvolvimento.
Outro ponto que preocupa o setor é o baixo volume de recursos filantrópicos destinados à agenda climática no país.
Embora o Brasil registre mais de R$ 5,8 bilhões anuais em doações privadas, apenas 6% desse valor vai para iniciativas da agenda climática, segundo dados do Grupo de Instituto, Fundações e Empresas (Gife).
Historicamente, a filantropia brasileira concentra recursos em educação, saúde e combate à desigualdade.
Mas Cançado defende que a crise climática precisa passar a ser incorporada dentro dessas próprias agendas sociais.
“Clima e natureza também requerem bastante capital filantrópico para que a gente consiga avançar em algumas pautas que não necessariamente vão ser resolvidas pelo mercado", afirma ela, acrescentado que eventos extremos, problemas de infraestrutura, impactos na saúde pública e riscos sociais já estão diretamente ligados às mudanças climáticas.
Hoje, boa parte dos recursos filantrópicos voltados ao clima no Brasil ainda vem de organizações internacionais, como a Rockefeller Foundation e o Bezos Earth Fund.
O objetivo do setor é criar uma base nacional mais forte de investidores e filantropos engajados com a agenda climática.
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