Plano de reestruturação do Deutsche Bank prevê demissão de 18 mil pessoas e redução drástica de custos
Para crescer e tentar competir com bancos americanos, o alemão assumiu riscos demais e até mesmo se envolveu em escândalos como manipulação de taxas de juros e lavagem financeira que mancharam a sua reputação.

O banco alemão Deutsche Bank anunciou um plano de reestruturação neste domingo (7) que prevê troca de comando, cortes de custos, demissões e mudanças na estratégia de negócios. O banco ainda sofre as consequências da crise de 2008. Para crescer e tentar competir com bancos americanos, o alemão assumiu riscos demais e até mesmo se envolveu em escândalos como manipulação de taxas de juros e lavagem financeira que mancharam a sua reputação.
Considerando os custos de reestruturação, o banco informou que estima um prejuízo líquido de 2,8 bilhões de euros no segundo semestre. Os números serão apresentados no próximo dia 24.
Veja as principais ações previstas pelo Deutsche Bank no seu plano de reestruturação:
- Reduzir seu custo anual de 17 bilhões de euros para 6 bilhões até 2022;
- Cortar 18 mil funcionários para um quadro de 74 mil pessoas em 2022;
- Criar uma nova divisão de negócios batizada de "Corporate Bank" para abarcar a divisão que atende empresas na Alemanha e suas transações internacionais;
- Fim da operação de negociação de ações;
- Transferência de 74 bilhões de euros em ativos de alto risco para uma nova unidade, que ficará encarregada em vender parte desse montante;
- O banco decidiu não pagar dividendos aos acionistas em 2019 e 2020;
- O banco reafirmou que pretende devolver US$ 5 bilhões aos acionistas por meio de recompra de ações e dividendos a partir de 2022, após a venda de ativos;
- Investir 13 bilhões de euros em tecnologia até 2022 para dar mais eficiência ao banco e melhorar seus produtos e serviços.
Nova direção, no duplo sentido
Quem está à frente da reestruturação é o CEO, Christian Sewing, especialista em gestão de crises que assumiu a liderança do banco em abril do ano passado. Junto com a revisão de planos, ele anunciou a saída de três diretores e uma reorganização de funções.
"Hoje anunciamos a transformação mais fundamental do Deutsche Bank em décadas. Estamos lidando com o que é necessário para liberar nosso verdadeiro potencial: nosso modelo de negócios, custos, capital e equipe de gerenciamento. Estamos construindo nossas forças. Este é um recomeço para o Deutsche Bank - para o benefício a longo prazo de nossos clientes, funcionários, investidores e sociedade”, disse, em comunicado.
Na prática, as mudanças significam que o Deutsche Bank tentará ser um banco menor, porém mais saudável. O banco cresceu muito no passado com a sua divisão de investimentos, que operou com ativos de riscos, como os derivativos, e agora dá um passo atrás. O banco também manteve a oferta de crédito a clientes considerados muito arriscados pelos seus concorrentes, como as empresas de Donald Trump.
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