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Estadão Conteúdo
Entrevista

‘O país balança, mas não cai’, diz fundador da Cyrela

Elie Horn, fundador de uma das maiores incorporadoras do Brasil, afirmou que as “intempéries políticas” são “um problema menor” e que as mudanças promovidas farão com que a economia “seja mais respeitada” no futuro

24 de junho de 2019
11:22 - atualizado às 14:24
elie horn
O empresário Elie Horn, presidente do conselho da Cyrela - Imagem: Leonardo Soares/Estadão Conteúdo

Avesso a entrevistas, o empresário Elie Horn, fundador da Cyrela, uma das maiores incorporadoras do Brasil, tornou suas aparições diante de jornalistas mais frequentes após deixar a presidência da empresa e passar a dedicar dois terços de seu tempo à filantropia. Apoiador do governo de Jair Bolsonaro, o empresário de 74 anos afirmou que as "intempéries políticas" são "um problema menor" e que as mudanças promovidas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, farão com que a economia "seja mais respeitada" no futuro. "Tudo vai no bom caminho. Falta só aprovar as reformas para se tirar o véu da escuridão", disse. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O fundo Abaporu, da sua família, planeja ampliar a atuação na área de saúde e ter 15 hospitais. Isso pode mudar com o desempenho fraco da economia?

Acho que estamos no começo de uma época pujante. Sou muito otimista. Tem a ação e a reação. Houve a crise durante cinco anos, agora virá uma época boa. Tudo vai no bom caminho. Falta só aprovar as reformas para se tirar o véu da escuridão.

No setor imobiliário, o sr. já sente melhora?

O setor imobiliário segue o País. O País vai em uma direção boa, o setor imobiliário melhorou demais. Tem altos e baixos, mas estamos muito melhor que em 2017 e 2018. Não tem nem comparação. O mercado está mais comprador. Tem mais demanda, menos medo e mais otimismo.

O sr. acha que o País também está nessa situação melhor?

Pena que estamos procrastinando as reformas, mas elas vão ter de passar e o País vai ter de melhorar. É como se fosse uma lei obrigatória.

O sr. também está otimista com a reforma da Previdência?

Vai passar. Não tem solução. O País balança, mas não cai. Na hora em que tiver em uma situação de perigo, (os políticos) vão acordar e vão fazer acontecer.

O País está há cinco anos em crise. Já não está numa situação de perigo?

Daqui a pouco vai se resolver. Sou otimista por natureza.

O sr. se diz otimista com o País, mas o desemprego não cede e o PIB recuou no primeiro trimestre...

Eu vejo o macro, não o micro. Vejo o todo. O todo está bem.

O que vai bem?

O presidente é honesto e quer fazer o bem. O superministro (Guedes) é competente. Conheço poucos do governo, mas esses poucos são bons. O (presidente do) Banco Central, (Roberto Campos Neto), é gente boa. Do BNDES também...

Mas o presidente do BNDES se demitiu semana passada...

Mas ele (Joaquim Levy) era bom e o novo cara (Gustavo Montezano) também é. Conheço poucas pessoas, mas os que conheço são bons. Isso me inspira a dizer que tem um bom ministério. Intempéries políticas são um problema menor. Quando você lê o jornal, poder ler duas coisas: o macro ou o micro. Eu detesto o micro. Fofocas e conversas bobas não levam a nada. O importante é a direção. No macro: tem um bom presidente, um bom ministro, bons técnicos no ministério (da Economia). Eles querem fazer o bem e vão poder fazer o bem. O único problema agora é a reforma da Previdência. Passando, acabaram os problemas macros.

O governo tem realmente conseguindo implementar coisas boas?

No todo, com certeza, tem mudança em curso. A economia vai ser muito mais respeitada que antes. Podemos ir melhor, mas estamos indo bem. Com a crise do passado, a diferença é brutal.

O sr. tem contato com o governo? O sr. é próximo do secretário da Comunicação, Fábio Wajngarten...

Ele é amigo (do presidente). Eu não. Fizemos um evento social para arrecadar recursos para a Unibes (União Brasileira Israelita do Bem Estar Social), com a primeira-dama (Michelle Bolsonaro). Eles (Michelle e Bolsonaro) nos prestigiaram.

E com Guedes? O sr. continua conversando sobre as políticas?

Infelizmente não porque ele se afastou da Bozano (gestora de recursos da qual o ministro era sócio e com a qual Horn fez parcerias). Ele se afastou, com razão, de tudo que era do passado, até para não falarem que tem interesse. Ele está fazendo a coisa certa. É acadêmico, não é empresário.

Antes das eleições, o sr. falou que não declarava voto, mas disse ser antirradical e antiextremista. Bolsonaro é apontado por muitos como radical...

O partido oposto é mais radical ainda.

Isso significa que ele também é radical?

Não vou falar mais do que devo falar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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