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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
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3 impactos que seu bolso pode sofrer por culpa dos porcos chineses

Pode parecer estranho, mas um problema que afeta a população suína lá do outro lado do mundo pode impactar as suas finanças

24 de maio de 2019
5:30 - atualizado às 18:58

De vez em quando, coisas para as quais a gente nem costuma dar atenção geram impacto direto ou indireto no nosso bolso. Para quem investe dinheiro, é bom nunca esquecer que o desempenho das suas aplicações guarda correlação com a realidade, a chamada economia real. Não se trata apenas de um punhado de números que sobem e descem no mundo virtual. Prova disso é que um problema que está acontecendo na criação de porcos na China pode impactar o seu consumo e os seus investimentos.

No vídeo a seguir eu te conto como os porcos criados lá do outro lado do mundo podem mexer com o seu dinheiro:

Veja a seguir a transcrição do vídeo sobre como os porcos da China podem afetar o seu bolso

Segundo uma lenda urbana, se todos os chineses pulassem ao mesmo tempo, a Terra poderia sair de órbita. Exageros à parte, é fato que o tamanho da população da China faz com que qualquer coisa que aconteça no gigante asiático tenha reflexos significativos no resto do mundo.

Como a China é o principal parceiro comercial do Brasil, os padrões de consumo do maior mercado do planeta têm impacto direto no nosso bolso, de maneiras que às vezes nem conseguimos imaginar. O mais recente abalo vindo do extremo Oriente é uma doença que vem afetando os porcos chineses e que pode ter pelo menos três consequências importantes por aqui. Peste suína na China: e eu com isso?

De meados de 2018 para cá, a China vem sendo afetada pela peste suína africana, uma doença inofensiva para os seres humanos, mas extremamente letal para os porcos. Com a epidemia, algo entre 150 e 200 milhões de suínos dos rebanhos chineses já morreram, provocando grandes mudanças no mercado mundial de proteína animal.

É que a China é o país que mais produz e consome carne de porco no planeta. O consumo per capita desse tipo de proteína no gigante asiático equivale ao nosso consumo per capita de frango. Um baque dessas proporções na produção chinesa abre caminho para diversos países aumentarem as exportações de todo tipo de carne para a China, entre eles o Brasil.

Essa mudança de dinâmica pode afetar o bolso do brasileiro de três formas. A primeira e mais óbvia é no desempenho das ações das empresas de alimentos que vendem produtos de proteína animal. É o caso do frigorífico Marfrig; da BRF - dona das marcas Sadia e Perdigão; e da JBS - dona das marcas Seara e Friboi. As ações dessas três companhias, aliás, foram as que mais subiram em abril entre as ações do Ibovespa.

O segundo impacto, menos evidente, se dá na inflação. Com o aumento da demanda global por proteína animal, os preços desses produtos tendem a subir. Ou seja, de cara, o seu churrasco ou mesmo o seu franguinho grelhado podem ficar mais caros. Além disso, nos países onde o consumo de carnes tem peso relevante no cálculo dos índices de preços, como é o caso do Brasil, a inflação pode ficar pressionada. Muitos economistas e instituições financeiras revisaram para cima as suas expectativas para a inflação brasileira.

Isso leva à terceira consequência: a falta de espaço para a taxa básica de juros, a Selic, cair mais. Como a Selic está no seu menor patamar histórico, ela em tese poderia sofrer novos cortes, já que a nossa economia não está engrenando de jeito nenhum. Mas com o aumento da pressão inflacionária, o mais provável é que ela fique onde está.

Como consequência, quem investe em renda fixa conservadora continua ganhando pouco - e agora com um rendimento real menor, já que a inflação tende a subir - e quem investe em renda fixa prefixada ou em renda variável deixa de se beneficiar dos ganhos que quedas adicionais nos juros trariam.

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