Menu
2019-04-04T13:45:51-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Uma questão de conveniência

15 de janeiro de 2019
5:39 - atualizado às 13:45
conveniencia
Mercado brasileiro ignora preocupações externas com desaceleração econômica global e aposta alto na agenda de reformas do governo Bolsonaro -

O mercado financeiro brasileiro ignorou ontem as preocupações dos investidores em relação à desaceleração econômica global, após dados fracos da balança comercial chinesa, e alcançou novas marcas importantes. Descolada do ambiente externo, a Bolsa brasileira superou os 94 mil pontos, renovando a máxima histórica, enquanto o dólar caiu abaixo de R$ 3,70, em meio à expectativa pela reforma da Previdência.

E esse tom positivo nos negócios locais pode continuar hoje, já que o ambiente internacional amanheceu mais favorável aos ativos de risco. Ou seja, diante do otimismo do mercado doméstico com o avanço da agenda reformista do governo Bolsonaro, os investidores blindam-se do cenário externo - quando lá fora está ruim; mas, convenientemente, “colam-se” ao comportamento global - quando estiver bom.

Nesta manhã, os índices futuros das bolsas de Nova York exibem ganhos firmes, após uma sessão positiva na Ásia, onde os investidores se apoiaram em medidas de estímulo na China para superar a desaceleração econômica. Autoridades do governo disseram que Pequim irá cortar impostos e manter uma política monetária flexível, de modo a impedir uma perda de tração mais intensa.

Em reação, as bolsas de Xangai, Hong Kong, Tóquio e Seul subiram ao redor de 1%. Já na Europa, os investidores estão apreensivos antes de uma votação-chave no Parlamento britânico sobre o acordo da saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit, que pode resultar em uma vitória histórica de Theresa May. Mais de 70 parlamentares, inclusive do Partido Conservador, devem se opor à proposta.

Antes da votação, a libra esterlina ganha terreno em relação ao dólar, com a moeda norte-americana mostrando menos vigor frente aos demais rivais. Esse movimento favorece o desempenho das commodities. O petróleo avança, com o barril do tipo WTI cotado acima de US$ 50. Já o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) está estável, ao redor de 2,7%.

Exterior em busca de pistas

Após a China colocar a desaceleração econômica global em evidência, os investidores esperam encontrar mais pistas sobre a perda de tração da atividade, agora, nos balanços das empresas. Depois de o Citigroup abrir ontem a temporada norte-americana entre os bancos, hoje é a vez de JPMorgan e Wells Fargo.

Os resultados trimestrais podem corroborar o temor de que o crescimento global está menor, depois que os números da balança comercial chinesa sinalizaram uma fragilidade da atividade ao final de 2018. Afinal, a queda das exportações e das importações da China em dezembro mostraram uma retração da demanda mundo afora.

Ou seja, não se trata apenas de um esfriamento da China, o que poderia elevar a pressão de Washington sobre Pequim por vantagens comerciais. Aliás, o presidente Donald Trump já indicou que irá usar o argumento de que os “problemas” na economia chinesa “estão aparecendo” para fechar um acordo com o país em breve.

A questão é que, diante do nível de abertura da economia chinesa, em termos de vendas de produtos, os números mostram que o mundo - o Ocidente, principalmente - está consumindo menos, diante do ritmo mais lento de expansão. Com isso, o foco se desloca para o encontro entre chineses e norte-americanos no fim deste mês.

Outra preocupação é o impacto na economia dos EUA da paralisação do governo (shutdown), que entrou na quarta semana, em meio à queda de braço da Casa Branca e os democratas sobre a construção de um muro na fronteira com o México. Trump reitera que não irá ceder, mas quer uma solução sobre os gastos públicos.

Por uma reforma mais ampla...

No Brasil, os investidores aguardam a proposta de reforma da Previdência do governo Bolsonaro e apostam em mudanças amplas e profundas. Entre elas, a fixação de idade mínima para aposentadoria, um prazo menor para o período de transição e um novo regime - o de capitalização, além da inclusão dos militares.

Por ora, o mercado financeiro brasileiro continua dando o benefício da dúvida ao novo governo. Essa lua de mel deve durar até após o carnaval, em março, quando se esperam avanços no processo de aprovação das reformas, com o Palácio do Planalto mostrando articulação política com o Congresso para cumprir o prometido.

Para tanto, será importante aferir a capacidade do líder do governo na Câmara, anunciado ontem pelo presidente Jair Bolsonaro. Caberá ao deputado Major Vitor Hugo, em primeiro mandato, articular com as bancadas aliadas a votação de projeto de interesse do governo.

A ideia é de que haja uma mudança na forma como o Palácio do Planalto e o Congresso se relacionam, mas sem que os partidos sejam “abandonados” nas conversas. Já para o cargo de porta-voz do governo, Bolsonaro escolheu o ex-chefe de comunicação do Exército, o general Otávio Santana.

Black Friday brasileira

A agenda econômica desta terça-feira traz como destaque as vendas no varejo brasileiro em novembro. O período foi marcado pelas promoções do comércio varejista em torno da Black Friday, data que vem a cada ano conquistando mais consumidores por causa dos preços atrativos e antecipando as compras de Natal.

Com isso, a previsão é de um desempenho robusto do setor no período, com alta ao redor de 1%. Se confirmado, o dado deve interromper dois meses seguidos de queda. Já na comparação anual, a previsão é de crescimento de 2% nas vendas em novembro deste ano, no quarto avanço seguido neste tipo de confronto.

Os números oficiais serão conhecidos às 9h. Antes, às 8h, sai o primeiro Índice Geral de Preços deste mês, o IGP-10.

Já no exterior, o calendário do dia traz, às 11h30, a inflação ao produtor (PPI) norte-americano em dezembro e o índice regional em Nova York em janeiro. Também merece atenção o discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, em evento de comemoração dos 20 anos da criação do euro.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

na suprema corte

Ministro do STF proíbe campanha do governo para fim do isolamento social

Luís Roberto Barroso avaliou que a situação é “gravíssima” e que “não há qualquer dúvida” de que a infecção por covid-19 representa uma ameaça à saúde e à vida da população

em brasília

Guedes condiciona auxílio de R$ 600 a aprovação da PEC emergencial e cria atrito com Maia

Presidente da Câmara falou em chamou de “transferência de responsabilidade” por parte do economista

momento de crise

Não adianta abrir comercio e as pessoas não irem às compras, diz Luiza Trajano

Para presidente do Conselho do Magazine Luiza, é preciso garantir que as medidas do governo cheguem a quem realmente precisa

Ursos à solta

Sim, você já sabe, a bolsa está em ‘bear market’. Mas o que a crise do coronavírus tem de diferente?

Eu preparei um histórico das crises que fizeram a bolsa sofrer e falei com especialistas para saber quanto tempo pode levar para as ações se recuperarem do tombo

IR 2020

Como declarar previdência privada no imposto de renda

Aprenda a declarar no imposto de renda as contribuições feitas a PGBL, VGBL e fundos de pensão, bem como os rendimentos recebidos dos planos de previdência privada

Números atualizados

País tem 201 mortes por coronavírus e 5.717 casos

Casos confirmados chegam a 5.717, segundo boletim

Novo pronunciamento

Bolsonaro muda o tom em novo pronunciamento, mas é alvo de panelaços

Presidente reconheceu a falta de um medicamento com eficácia confirmada para o combate à covid-19, citou a OMS e não pediu mais o fim do isolamento

Plano de negócios

Eletrobras prevê investimento de R$ 32,4 bilhões de 2020 a 2024

Segundo o documento, para 2020 está previsto um investimento de R$ 5,285 bilhões. Para o ano que vem, está prevista a cifra de R$ 6,7 bilhões

Sem tensão

Bolsonaro indica que Mandetta está mantido no cargo e não assina voucher nesta 3ª

O presidente Jair Bolsonaro amenizou o clima de tensão vivido nos últimos dias com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Renúncia

Petrobras informa renúncia de membro do Conselho de Administração

Segundo a estatal, a eleição de todo o Conselho de Administração para um novo mandato será deliberada na Assembleia Geral Ordinária da companhia prevista para 27 de abril.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements