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Trump afirma que vai elevar tarifa sobre US$ 200 bilhões de produtos chineses para 25% e joga um balde de água fria nas expectativas de fim da guerra comercial
A semana começa negativa no mercado financeiro, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevar o tom com a China às vésperas de uma nova rodada de negociação. Bastou uma mensagem na rede social para jogar um balde de água fria na expectativa de fim da guerra comercial, levando os investidores a fugir do risco, em busca de proteção.
Trump afirmou ontem, no Twitter, que irá elevar de 10% para 25% a tarifa de importação sobre US$ 200 bilhões de produtos chineses a partir desta sexta-feira. Segundo ele, as negociações comerciais com Pequim estão agora “muito devagar”, sendo que os chineses querem “renegociar”.
“Não!”, escreveu Trump, que também ameaçou sobretaxar “em breve” outros US$ 325 bilhões em importações chinesas para 25%. A postura do presidente norte-americano pegou a China e o mercado financeiro de surpresa, uma vez que, até então, a Casa Branca vinha dizendo que as conversas com os chineses estavam “indo bem” e eram “produtivas”.
A decisão foi tão inesperada que Pequim considera nem mais comparecer à capital dos EUA nesta semana, como era previsto. O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, deveria desembarcar em Washington na quarta-feira, com uma delegação composta por cerca de cem representantes para costurar um acordo que seria assinado pelo líder Xi Jinping. Por ora, a China mantém uma posição conciliadora, buscando uma cooperação responsável.
Mas os tweets de domingo de Trump marcaram uma reviravolta abrupta na posição dos EUA desde a trégua assinada em dezembro do ano passado. À época, o prazo de entendimento entre as duas maiores economias do mundo era de 90 dias, mas essa data limite foi estendida até que se alcançasse um acordo final - esperado para este mês.
Assim, a mudança de postura de Trump reflete a frustração dos EUA nas negociações com a China, principalmente na questão de tecnologia, o que encorajou a Casa Branca a adotar uma linha mais dura. O problema é que a principal exigência de Pequim era a derrubada das barreiras já existentes e a garantia de que não haveria novas sobretaxas.
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Há, portanto, uma quebra de confiança, e os tweets de Trump adicionam incerteza ao cenário econômico global, já que se imaginava estar na fase final de negociação da guerra comercial. Afinal, é improvável que a ameaça de Trump seja apenas uma tentativa de extrair mais concessões da China dias antes de uma nova rodada de conversas.
Considerando-se o estilo durão, há quem diga que Trump fez o que no pôquer é conhecido como all-in. Trata-se de uma estratégia no jogo de cartas, na qual o jogador aposta todas as suas fichas em um único lance. Mas se é apenas um blefe, o tiro parece ter sido pela culatra, com os chineses se retirando da mesa e se recusando a negociar com uma arma apontando para suas cabeças, podendo ainda retaliar qualquer medida dos EUA.
Ou seja, os riscos de uma guerra comercial plena estão aumentando, o que derruba os ativos financeiros pelo mundo. A Bolsa de Xangai voltou do feriado prolongado pelo Dia do Trabalho em queda acelerada e tombou 5,6%, ao passo que o yuan chinês (renminbi) atingiu o menor valor em três anos, perto da faixa de 6,80 por dólar.
O iene, por sua vez, disparou, rumo à barreira de 110 ienes, em meio à fuga para ativos seguros, enquanto o dólar australiano conduz as perdas entre as moedas correlacionadas às commodities. Aliás, o petróleo tem forte baixa, de até 3%, com o barril do tipo WTI voltando à marca de US$ 60. Entre os metais básicos, o minério de ferro afundou 1%.
De volta às bolsas, Wall Street deve despencar hoje, em meio à queda de quase 2% sinalizada pelos índices futuros das bolsas de Nova York, o que contamina o pregão na Europa. As principais praças do velho continente abriram em baixa ao redor de 2%, mas a liquidez financeira na região é prejudicada por um feriado em Londres.
Esse desempenho no exterior projeta um dia feio para a Bolsa brasileira e o dólar, que pode testar a marca de R$ 4,00 já na abertura do pregão. Já o Ibovespa pode ser contaminado não só pelo recuo esperado para em Nova York, mas também pela fraqueza das commodities. À esse cenário externo hostil soma-se o ambiente político ainda conturbado.
A reforma da Previdência volta ao radar do mercado doméstico amanhã, quando acontece a primeira sessão da comissão especial. No total, os 49 deputados têm um prazo de dez sessões para apresentar as emendas à proposta aprovada na CCJ e o período deve ser dedicado a discussões, o que pode ocasionar ruídos aos negócios locais.
São necessários 25 votos para aprovar a matéria na comissão especial e a estimativa do governo é de que há cerca de 20 integrantes a favor da reforma e 13 que aceitam aprovar a proposta, com algumas mudanças. Ainda assim, o governo ainda precisa conquistar o apoio de muitos parlamentares para quando a proposta chegar ao plenário da Câmara.
Afinal, de nada adianta fazer um texto que atenda apenas aos membros da comissão especial. É aí que entra a articulação política e o diálogo do Executivo com o Legislativo, de modo a ampliar o número de votos favoráveis. Para aprovar o texto em plenário, em dois turnos, são necessários 308 votos, cada.
A agenda econômica desta semana está carregada, tanto no Brasil quanto no exterior. Os destaques locais ficam com a decisão de política monetária do Banco Central (Copom), na quarta-feira, e com a inflação ao consumidor (IPCA) em abril, na sexta. Entre essas divulgações, saem as vendas do varejo em março, na quinta-feira.
Hoje, as atenções se voltam para o relatório de mercado Focus (8h25), que deve trazer a décima revisão seguida para baixo na estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Aliás, aos poucos, essa previsão deve ficar cada vez mais próxima dos 1%, em meio à perda de dinamismo da atividade doméstica na virada de 2018 para 2019.
Com isso, o mercado financeiro renova as esperanças em relação a um corte na taxa básica de juros (Selic) neste ano. O problema é que a decisão pode ser um tiro no pé, considerando-se o cenário atual de real depreciado, com o dólar flertando com a marca de R$ 4,00, e inflação pressionada por choques de oferta (combustíveis, alimentos etc.).
O que se pode dizer, por ora, é que não tem espaço para subir em 2020 - nem a Selic nem o PIB. Ainda no calendário doméstico, merecem atenção os dados da indústria automotiva (amanhã), o IGP-DI de abril (quarta-feira) e a estimativa revisada para a safra agrícola neste ano (quinta-feira).
Na safra de balanços, destaque para os resultados trimestrais das peso-pesado Ambev, amanhã, Petrobras, na quarta-feira e Vale, na quinta-feira. Um dia antes, a mineradora publica o relatório de produção referente aos três primeiros meses deste ano, período marcado pela tragédia em Brumadinho (MG).
Já no exterior, após o crescimento acima do esperado do PIB dos EUA no início deste ano e da sinalização do Fed, de que o cenário de inflação fraca é “transitório”, o índice de preços ao consumidor (CPI) norte-americano em abril, na sexta-feira, é o destaque da agenda econômica no exterior.
Até lá, serão conhecidos dados de atividade na zona do euro, já nesta segunda-feira, além da produção industrial na Alemanha, na quarta-feira. Nesse mesmo dia, o Banco Central do Japão (BoJ) publica a ata da última reunião de política monetária, quando afirmou que os juros no país seguirão baixos por mais tempo.
Ainda na quarta-feira, a China informa os números de inflação ao produtor (PPI) e ao consumidor, que já podem refletir o impacto do surto da peste suína. Além disso, dados da balança comercial e de crédito devem trazer novos sinais sobre o ritmo da atividade chinesa.
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