Menu
2019-06-05T06:14:07-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Em meio a incertezas, mercado aposta no otimismo

Mercado financeiro está “enviando convites” para a festa do corte de juros nos EUA e no Brasil, relutando em reconhecer os riscos a esse cenário

5 de junho de 2019
5:37 - atualizado às 6:14
incertezaseotimismo
Dúvidas sobre impacto da guerra comercial na inflação e diluição da reforma da Previdência são relegadas

O mercado financeiro está convencido de que novos cortes nas taxas de juros norte-americana e brasileira serão bem-vindos, pacificando o clima tenso por causa da guerra comercial e dando um impulso adicional à economia doméstica, que segue em ritmo lento. Mas ainda existem dúvidas sobre os efeitos nos ativos de risco do conflito comercial entre Estados Unidos e China, bem como da aprovação da reforma da Previdência.

O fato é que ainda são desconhecidos os impactos, na atividade e na inflação, da disputa tarifária entre as duas maiores economias do mundo. Os sinais de desaceleração econômica global são cada vez mais latentes, mas a percepção de aumento dos custos - às empresas e ao consumidor - ainda não foi confirmada. Ao Federal Reserve, resta a missão de tentar compreender esses efeitos, que ainda são incertos, e agir de modo “apropriado”.

Da mesma forma, o posicionamento conservador do Banco Central brasileiro sobre renovar o piso histórico da Selic traz dúvidas quanto à necessidade de estímulos monetários adicionais, em meio ao andamento da agenda de reformas no Congresso. Apesar da percepção de que as novas regras para aposentadoria serão aprovadas, as prováveis emendas e a economia fiscal a ser gerada são pontos que não estão consolidados.

Não se trata, portanto, de uma discussão sobre se o Fed e o Comitê de Política Monetária devem (ou não) cortar os juros básicos. A questão é saber qual cenário econômico o mercado financeiro está antecipando, quando prevê até três cortes de juros no Brasil e nos EUA ainda neste ano, e o quanto dessa estimativa está condizente com a economia real, em meio a uma avaliação que dá motivos para seguir otimista.

Exterior segue em alta

Diante dessas incertezas, os investidores tiram proveito do benefício da dúvida e mantêm o apetite por ativos de risco, vendo a porta aberta para cortes nos juros norte-americanos, após a fala suave (“dovish”) do presidente do Fed, Jerome Powell. Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram no terreno positivo, um dia após Wall Street registrar fortes ganhos, o que embala a abertura do pregão na Europa.

A alta no Ocidente, porém, não embalou o pregão na Ásia, onde apenas Tóquio subiu firme (+1,8%). Hong Kong avançou 0,5%, enquanto Xangai oscilou em baixa, digerindo a forte desaceleração no setor de serviços chinês. Segundo o Caixin, o índice dos gerentes de compras (PMI) escorregou a 52,7 em maio, de 54,5 em abril, contrastando-se com o índice oficial, que mostrou estabilidade na atividade.

Nos demais mercados, o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) segue acima de 2,10%, enquanto o dólar perde terreno para as moedas de países emergentes e correlacionadas às commodities. Destaque para o peso mexicano, que afunda, após o presidente norte-americano, Donald Trump, dizer que “não estava blefando” em relação ao aumento das tarifas de importação ao México por causa da imigração ilegal.

Já o petróleo segue em queda, cotado nos níveis mais baixos em 20 semanas, ao passo que o ouro avança pela sexta sessão seguida, ao maior patamar em 15 semanas.

Prévia do payroll é destaque na agenda

Os dados sobre a criação de emprego no setor privado dos EUA em maio, divulgados pela ADP, são o destaque da agenda econômica desta quarta-feira. Os números, tidos como uma prévia do relatório oficial de emprego no país (payroll), serão conhecidos às 9h15 e a previsão é de abertura de 185 mil postos de trabalho, ante +275 mil vagas em abril.

Ainda na agenda econômica no exterior, serão conhecidos ao longo da manhã dados de atividade do setor de serviços nos EUA e na Europa, além das vendas no varejo e do índice de preços ao produtor (PPI) na zona do euro em abril, logo cedo. Às 11h30, é a vez dos estoques norte-americanos de petróleo bruto e derivados na semana passada.

À tarde, às 15h, também merece atenção o Livro Bege do Federal Reserve, com um compilado sobre a avaliação da situação econômica nos EUA. Já no Brasil, o calendário econômico está mais fraco, trazendo apenas o resultado de maio do fluxo cambial, com dados sobre a entrada e saída de dólares do país (12h30).

Entre os eventos de relevo, destaque para a retomada da sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), a partir das 14h, sobre a necessidade de autorização do Congresso Nacional para a venda de ativos de empresas estatais. No Legislativo, destaque para as votações do crédito suplementar para a regra de ouro e a proposta do Orçamento Impositivo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

fluxo cambial

Saída de dólar supera entrada em US$ 15,818 bilhões no ano até dia 31 de julho, diz BC

O fluxo cambial total do ano até 31 de julho foi negativo em US$ 15,818 bilhões, informou nesta quarta-feira, 5, o Banco Central. No mesmo período de 2019, o resultado havia sido negativo em US$ 2,209 bilhões

agenda de privatizações

Capitalização será retomada no 2º semestre e venda em 2021, diz Eletrobras

Apesar da crise na economia trazida pela pandemia do covid-19, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, disse confiar que o processo de capitalização da estatal será retomado no Congresso Nacional ainda neste segundo semestre

US$ 2 bilhões em 12 dias

Warren Buffett compra mais de US$ 300 milhões em ações do Bank of America e passa a deter 12% do banco

Conglomerado do bilionário continua aumentando sua posição no BofA. Em menos de 15 dias, a fatia já cresceu 9%

SD Premium

Mapa dos balanços: veja as datas de divulgação das empresas do Ibovespa

É a primeira vez que os balanços compreendem um período totalmente impactado pela pandemia; números ajudam a calibrar tomada de decisão dos investidores

Quem te viu, quem te vê

Ações da Petrobras e PetroRio disparam na B3 com rali do petróleo

Ambas as empresas se beneficiam das cotações internacionais do petróleo, em meio a um movimento de valorização generalizada das commodities

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements