Menu
2019-10-03T06:33:30-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Recessão e Previdência elevam cautela

Wall Street ensaia melhora um dia após o pior início de trimestre desde 2008, mas medo de recessão nos EUA é crescente

3 de outubro de 2019
5:34 - atualizado às 6:33
cautela
No Brasil, aprovação da reforma da Previdência pode ficar para depois do dia 15

O mercado financeiro parece estar caindo na real em relação ao impacto da guerra comercial na atividade e começa a olhar com maior preocupação para os indicadores econômicos dos Estados Unidos. Após a indústria norte-americana cair ao nível mais baixo desde a última recessão e a geração de vagas no setor privado do país reforçar os sinais de desaceleração, os investidores elevam a cautela hoje, à espera do payroll, amanhã.

A criação de 135 mil postos de trabalho nas empresas norte-americanas em setembro, menos que a previsão de 165 mil, foi acompanhada de uma revisão para baixo na abertura de vagas em agosto e abre precedente para um dado igualmente fraco do relatório oficial sobre o mercado de trabalho nos EUA. Se confirmada essa premissa, cresce a percepção de que as contratações estão perdendo força junto com a economia em geral.

Ao que tudo indica, após um longo período em que ignorou os efeitos da disputa entre as duas maiores economias do mundo, apoiando-se em mensagens vazias pelo Twitter e promessas rasas dos bancos centrais, o mercado financeiro se dá conta de que a guerra comercial está afetando a economia global, chegando, enfim, à atividade norte-americana. E quanto mais prolongado for o conflito, maiores tendem a ser os estragos.

Com isso, além de aguardar pelos números do payroll, na sexta-feira, os investidores já operam em compasso de espera pela décima terceira rodada de negociações entre EUA e China, provavelmente no fim da semana que vem. Pequim ainda comemora os 70 anos da Revolução Comunista, paralisando a atividade em todo o país e esvaziando o noticiário sobre o encontro em Washington.

NY ensaia melhora

Essa ausência de novidades castiga os mercados internacionais, que ainda sofrem com o volume financeiro mais fraco por causa de feriados. Hoje, além da China (Continental), Coreia do Sul e Alemanha também estão fechadas, por causa de festividades locais, esvaziando a liquidez dos negócios.

Na Ásia, as bolsas que abriram afundaram, em meio às fortes perdas em Wall Street na véspera. Tóquio recuou 2%, mas Hong Kong subiu. Já na Europa, as praças tentam acompanhar a recuperação ensaiada nesta manhã em Nova York, relegando os planos dos EUA de impor tarifas de 25% contra US$ 7,5 bilhões de produtos da União Europeia (UE).

Do outro lado do Atlântico Norte, os índices futuros das bolsas norte-americanas ensaiam ganhos, um dia após o Dow Jones e o S&P 500 registrarem o pior início de trimestre desde a crise de 2008, com perdas de 3% em dois dias. Ainda assim, o temor de recessão nos EUA é crescente, diante do aumento de sinais sobre a fraqueza da economia doméstica.

Esse receio eleva as chances de o Federal Reserve aumentar o tamanho do corte na taxa de juros dos EUA, para meio ponto, na reunião de outubro - o que não acontece desde a última crise. Ao mesmo tempo, os investidores ampliam a busca por proteção em ativos seguros, com o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) caindo abaixo de 1,6%, ao passo que o ouro resgatou o nível psicológico de US$ 1,5 mil por onça-troy. Já o petróleo recua, enquanto o dólar mede forças em relação às moedas rivais.

Preocupações com a saída do Reino Unido da UE, prevista para o próximo dia 31, e com o drama político na Casa Branca, envolvendo o pedido de impeachment do presidente Donald Trump, também estão na lista. Já no Brasil, os investidores voltaram a ficar mais sensíveis com o noticiário vindo de Brasília.

Ruídos políticos

Por aqui, foi evitado o risco de evitar novas desidratações no texto da reforma da Previdência, após a derrota sofrida pelo governo em relação ao abono salarial. O Senado rejeitou ontem todos os outros destaques à proposta, que poderiam reduzir em mais R$ 200 bilhões o impacto fiscal esperado com as novas regras para aposentadoria.

Com isso, a economia a ser gerada aos cofres públicos, até o momento, está em torno de R$ 800 bilhões em dez anos. O perigo a ser evitado, agora, é de que haja novas surpresas na votação em segundo turno, com riscos de o texto poder retornar à Câmara, se houver mudanças adicionais.

A esperança é de aprovação do texto no Senado preservando a versão aprovada pelos deputados - inclusive com a retirada do destaque sobre o abono salarial. Mas a preocupação ainda é em relação ao calendário de votação. Legislativo e Executivo ainda precisam chegar a um acordo sobre as emendas parlamentares e o pacto federativo.

Se houver um consenso, a Previdência pode voltar à pauta até o dia 10. Mas já se fala abertamente em aprovação final em 15 de outubro, sob o risco de novos atrasos por causa do intervalo entre a primeira e a segunda votação da proposta. Outra preocupação vem do andamento da chamada “PEC paralela”, que trata da inclusão de estados e municípios na reforma. Já a Previdência dos militares nem se ouve falar...

Mais dados de atividade

A agenda econômica desta quinta-feira está esvaziada no Brasil, o que desloca as atenções para os indicadores no exterior. O destaque fica com as leituras revisadas de setembro dos índices dos gerentes de compras (PMI) do setor de serviços em países europeus e na zona do euro como um todo, além dos Estados Unidos, ao longo da manhã.

Também serão conhecidos os dados de agosto sobre a inflação ao produtor e as vendas no varejo na região da moeda única. Já o calendário norte-americano traz ainda os pedidos semanais de auxílio-desemprego (9h30) e as encomendas às fábricas em agosto (11h). Além disso, as fabricantes de veículos divulgam as vendas no mês passado.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

APRENDENDO COM O PROFESSOR BESSEMBINDER

O clube dos 900%: o que você pode aprender com os maiores casos de geração de riqueza da Bolsa americana

Empresas quebrando são mais frequentes que empresas dominando o mundo em algumas décadas. Mas poucos acertos podem rechear a sua carteira e garantir sua aposentadoria precoce.

Entrevista

‘Desemprego alto e déficit público nos deixam cautelosos’, diz presidente da Whirlpool

CEO da fabricante das marcas Consul e Brastemp diz estar cauteloso para investir em produção e em relação à sustentabilidade da demanda, por conta de desemprego e da situação fiscal

Mercadores da noite

Bolsa, dólar e juros subindo: qual dos três está mentindo?

Quando a Bolsa, o dólar e as taxas de juros estão subindo ao mesmo tempo, um dos três está mentindo – qual deles será e o que fazer?

Infraestrutura

Novo marco legal para ferrovias vai a votação no Senado na próxima semana

Legislação promete organizar regras do setor e permitir novos formatos para a atração de investimentos privados

Telecomunicações

Operadoras cobram transparência do governo na definição da tecnologia 5G

Teles se dizem preocupadas com as “incertezas” relativas ao processo, depois de governo sinalizar banimento da chinesa Huawei

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies