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Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Previdência volta à pauta

CCJ do Senado deve votar hoje parecer da reforma da Previdência que, se aprovado, será encaminhado ao plenário da Casa

1 de outubro de 2019
5:27 - atualizado às 6:24
reformaPassa
Enquanto isso, no exterior, investidores iniciam quarto trimestre com clima otimista

O mercado financeiro resgata hoje a expectativa de aprovação da reforma da Previdência, com o tema voltando à pauta no Senado. Enquanto aguardam a votação do parecer do relator, Tasso Jereissati, sobre as novas regras para aposentadoria, a partir das 10h, os negócios locais monitoram o ambiente externo, onde os investidores iniciam o quarto trimestre com um clima otimista, ignorando uma série de riscos.

A expectativa é de que o texto sobre a Previdência seja aprovado na CCJ do Senado hoje, sendo encaminhado ainda na tarde desta terça-feira para a votação em primeiro turno no plenário da Casa. Mas preocupações quanto à conclusão da proposta em segundo turno até o dia 10 não estão descartadas, após a sensação de desentendimento entre os Poderes.

O calendário pode ser ameaçado pelo quórum esvaziado no Congresso na primeira quinzena deste mês, em meio às comemorações pelo feriado de 12 de Outubro. Além disso, os senadores podem priorizar a votação de créditos suplementares para emendas, além das diretrizes para o Orçamento de 2020 (LDO).

Só os próximos dias dirão, então, se o calendário será de fato cumprido. Ainda assim, espera-se que o plenário do Senado vote hoje (e encerre amanhã) ao menos a primeira rodada da reforma da Previdência. Pequenas alterações podem ocorrer no projeto atual, mas sem comprometer a economia fiscal ao redor de R$ 900 bilhões em dez anos.

Também há expectativa pela “PEC paralela”, projeto que trata da inclusão de estados e municípios na proposta e traz algumas mudanças ao texto aprovado na Câmara, após Jereissati ter acatado apenas uma das 77 emendas apresentadas à proposta. Dessa forma, as emendas recusadas serão tratadas nesse projeto paralelo.

Enquanto isso, no exterior

Enquanto aguardam “o dia mais importante do ano” em Brasília, os mercados domésticos monitoram o comportamento dos negócios no exterior, onde o destaque ficou com a decisão do Banco Central da Austrália (RBA), que cortou a taxa básica de juros dentro do esperado para o piso recorde de 0,75%. Foi a terceira queda seguida desde junho.

A economia australiana vem sofrendo com a desaceleração da atividade na China, em meio à menor demanda por minério de ferro. Em reação, a Bolsa de Sydney fechou em alta de 0,8%, ao passo que o dólar australiano tem queda firme ante o xará norte-americano. Nas demais praças da região Ásia-Pacífico, a sessão foi esvaziada pelo feriado chinês.

As bolsas de Xangai e de Hong Kong não abriram hoje, em meio às comemorações do 70º aniversário da revolução chinesa, que contou com desfile militar. Já a Bolsa de Tóquio subiu 0,6%, apesar do avanço do iene em relação ao dólar e do aumento do imposto nacional sobre vendas para 10%, enquanto Seul avançou 0,5%. Entre as commodities, o petróleo avança e o ouro cai pela terceira sessão consecutiva.

No Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York avançam, assim como as principais bolsas europeias, com os dois lados do Atlântico Norte relegando alguns problemas. Enquanto Wall Street ignora uma nova suspeita que recai sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desta vez, envolvendo a Austrália e a interferência russa nas eleições de 2016, o Velho Continente deixa de lado a ausência de pressões inflacionárias, apesar do desemprego baixo.

Atividade em destaque

A agenda econômica do dia está recheada de dados de atividade pelo mundo. No Brasil, a produção industrial deve crescer 0,6% em agosto, no primeiro resultado mensal positivo em quatro meses. Ainda assim, os números devem indicar um ritmo fraco da indústria brasileira no terceiro trimestre, com queda de 2,8% na comparação anual.

Os resultados efetivos serão conhecidos às 9h. Logo cedo, saem os dados sobre o desempenho da indústria na zona do euro como um todo, mas também merece atenção o resultado do setor na Alemanha a ser conhecido separadamente, uma vez que o enfraquecimento da manufatura global deve continuar pesando na indústria alemã.

Ainda pela manhã, nos EUA, sai a leitura revisada de setembro do índice dos gerentes de compras (PMI) sobre a atividade no setor industrial, às 10h45. Às 11h, é a vez do índice ISM sobre a manufatura norte-americana. No mesmo horário, saem os gastos com construção nos EUA em agosto.

O calendário econômico do dia traz também dados preliminares do mês passado da inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro. No Brasil, sai o índice de preços ao consumidor (IPC) referente ao mesmo período, medido pela FGV, pela manhã (8h). À tarde, será divulgado o resultado da balança comercial em setembro (15h).

Entre os eventos de relevo, destaque para o discurso do vice-presidente do Federal Reserve, Richard Clarida, em Washington, logo cedo. Outros membros da diretoria e do conselho do Fed também discursam, ao longo do dia, e podem dar pistas sobre o rumo da taxa de juros norte-americana até o fim do ano. Fique atento!

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