Vendedor sincero passa fome! Os cuidados na hora de embarcar nas recomendações de ações
É sempre importante saber o que os analistas da bolsa estão pensando. Tenha um olhar crítico, analise os números e sempre desconfie das intenções de quem te aconselha, inclusive as minhas, claro!
Meu plano era encerrar essa coluna com o seguinte parágrafo:
“Não se importe muito com as falas de Bolsonaro sobre o negócio da Embraer com a Boeing. No fim das contas, o que vai definir a decisão do governo brasileiro é o fato de que, sem a parceria, a vida da Embraer vai ficar muito complicada. A maior chance é de que o negócio saia como anunciado e de que o resultado seja positivo para os acionistas”.
Nas primeiras horas do dia 11 (sexta-feira), a notícia se espalhou: “Governo Bolsonaro aprova parceria entre Embraer e Boeing”. O papel chegou a bater quase 10% de alta, mas acabou fechando em modestos 2,57%.
Na quarta-feira, dia 16, tivemos o anúncio dos dividendos de US$ 1,6 bilhão (bom!) e fortes revisões para baixo do guidance (nada bom!). No líquido, fechamos o dia com um baita tombo: papel fechou o dia com queda de 1,19%.
Não adianta, não dá para planejar nada com muita antecedência no mercado – as coisas acontecem rapidamente e tudo muda da noite para o dia.
Se não dá para fazer planos, não dá para acreditar muito em previsões – quando comecei a trabalhar no mercado financeiro, olhava com espanto para os números dos analistas das grandes casas de análise: os caras colocam preço alvo de ação com vírgula e tudo!
Leia Também
Hoje, olho mais com desconfiança do que com admiração.
É muita precisão!
Mais do que técnica e conhecimento apurados, me parece um pouco de exagero acreditar que as planilhas de Excel sejam capazes de prever, com tamanha exatidão, quanto vale uma empresa com mais de 50 mil funcionários, dezenas de fornecedores e centenas de clientes espalhados por cinco continentes.
Acho, sinceramente, que ninguém nem sabe como será o mundo daqui a cinco anos – carro vai precisar de gasolina? As pessoas ainda vão assistir televisão?
No século XIX, se você falasse que a obesidade seria um problema endêmico, é provável que alguém te mandasse ler Malthus. Hoje, já tem gente falando que, em algumas décadas, ninguém mais vai morrer de velhice e/ou doenças.
Como prever vendas e custos daqui a dez anos?
Quando você olha para os relatórios da sua corretora, com as recomendações de compra ou venda e preço alvo das ações para o fim do ano é preciso ter um pouco de senso crítico: até que ponto dá para ter certeza na exatidão daqueles números?
Eu digo isso porque a ideia por trás desses alvos exatos, com precisão de dois dígitos e data para acontecer é exatamente essa: passar a mensagem de certeza, de exatidão técnica e robustez teórica.
Quanto mais você acredita nisso, maior o risco de exagerar a dose, concentrar demais seus investimentos e quebrara a cara com aquela “aposta certeira”.
Olha só: em agosto de 2017, fiz um estudo de atualização sobre Marcopolo (POMO4), a maior fabricante de carrocerias de ônibus do país. Eu já modelei a empresa algumas vezes, visitei a fábrica, estudei o mercado de ônibus e tenho um certo carinho pelas ações, dado que foi a primeira empresa de capital aberto que estudei profissionalmente.
Eu conheço bem o negócio, os gestores, o mercado e me sinto confortável em avaliar se é hora de comprar ou vender.
Eu tinha certeza de que o momento era bom e a coloquei em uma das minhas carteiras sugeridas.
Algumas semanas depois, a notícia de um incêndio na principal planta, em Caxias do Sul. Por sorte, o fogo foi rapidamente controlado e os estragos, apesar do susto, não foram muito grandes.
No fim das contas, as ações subiram e ganhamos dinheiro com a posição. Mas, se o estrago tivesse sido maior e uma porção relevante da fábrica tivesse sido destruída, é muito provável que nem mesmo o seguro contra lucros cessantes tivesse evitado o pior.
Por definição, meus modelos, e o de outros analistas, são incapazes de lidar com o imponderável. Acreditar na exatidão dos números frios é um convite ao fracasso.
O trabalho é vender para você
Além da questão técnica e da imprevisibilidade do futuro, há uma outra, mais profunda – o alinhamento de interesses.
Alguma vez já te falaram “olha, acho que você não deveria levar essa calça. Ela te deixa meio gorda” ou “poxa, acho que hoje não precisa fazer a barba não, dá uma passada na semana que vem” ?
Seu corretor pode ser a alma mais honesta da Faria Lima. O analista do bancão pode ser o mais premiado. Mas ambos precisam colocar comida na mesa e precisam que você opere e compra e venda um monte de ações para isso. Quanto mais melhor.
Reforço, nada tem a ver com a honestidade e caráter de nenhum deles. As pessoas respondem a incentivos e, mesmo que inconscientemente, são guiadas por instintos primitivos – na selva, quem fica parado não come e vendedor sincero passa fome.
No caso dos grandes bancos, há ainda outros interesses no meio da história – as empresas têm operações de crédito, folha de pagamento, fecham câmbio e uma infinidade de relações comerciais. Qual a chance de um banco soltar um relatório negativo sobre uma empresa para qual coordenou o IPO há poucos meses?
É sempre importante saber o que o mercado está pensando. Bom saber a opinião de analistas que, em sua maioria, são inteligentes, diligentes, bem informados e honestos. Eu, sempre que posso, leio os relatórios e converso com os (bons) amigos que tenho na indústria.
Mas eu não confio cegamente na opinião deles. Você também não deveria. Tenha um olhar crítico, analise os números e sempre desconfie das intenções de quem te aconselha, inclusive as minhas, claro!
O analista profissional pode ser muito bem informado e estudado, mas nenhuma das matérias do MBA envolve cartomancia e é pouco provável que os interesses dele sejam os mesmos do que os seus.
Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils
Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas