Menu
2019-11-26T16:23:25-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Palestra

Brasil tem que escolher entre céu do juro baixo ou inferno da crise, diz Tony Volpon

Segundo economista do UBS, Tony Volpon, não há meio termo para a economia, ou terminamos o ajuste fiscal ou cairemos em crise fiscal e financeira

26 de novembro de 2019
16:23
Economista-chefe do UBS para o Brasil, Tony Volpon
Economista-chefe do UBS para o Brasil, Tony Volpon - Imagem: Divulgação

Segundo o economista-chefe do UBS para o Brasil, Tony Volpon, a queda da taxa de juros que estamos vivenciando pode mudar a cara da economia brasileira. A grande questão é que temos de seguir com a agenda de reformas, caso contrário vamos para um cenário de crise fiscal e financeira.

Em palestra durante evento do jornal “Correio Braziliense”, Volpon disse que vivemos entre o céu do juro baixo e o inferno da crise. Não tem mais como voltar ao purgatório no qual vivemos durante muitos anos de aumento do gasto público acima da inflação e juros reais elevados.

Segundo o economista, é difícil dizer o que é cíclico e o que é estrutural nessa queda da taxa de juro real (juro nominal descontada a inflação) para a linha de 2% a 3% ao ano. “O que sabemos é que se não completarmos o ajuste fiscal, com certeza, a taxa de juros não é essa que estamos olhando agora. Ela será mais alta. Voltamos em um filme que é insustentável”, afirmou.

Ainda de acordo com Volpon, olhando o estoque atual de endividamento, uma volta dos juros aos patamares anteriores resultaria em crise financeira, cenário do qual escapamos raspando durante 2015/2016.

“Se retroagirmos no ajuste, não voltamos ao passado, voltamos a uma crise. E nada destrói renda e cria caos social como uma crise financeira, pois seria acompanha de uma recessão. É céu ou inferno, não tem como voltar ao purgatório que tivemos por muitos anos”, explicou.

Para o economista, o grande risco para o ano de 2020 é a complacência. “O risco é a classe política olhar para o mercado e ver esse quadro de ‘final feliz’ e achar que não tem que completar o ajuste fiscal, que não tem urgência.”

Ganhadores e perdedores

Segundo Volpon, a queda do juro está reduzindo o custo de capital para as empresas, algo que deve impulsionar os investimentos.

O juro baixo também está promovendo uma mudança na postura do investidor brasileiro, que sempre teve duas características típicas. Grande parte do capital em renda fixa de curto prazo e todo seu dinheiro aplicado no Brasil.

Segundo Volpon, pela primeira vez na história, o volume de recursos captados por todos os fundos que não são classificados como renda fixa ultrapassou o volume de CDBs, que “são a pura expressão do rentismo”. Essa é a gasolina que vai movimentar o investimento.

“Se conseguirmos solidificar os níveis de juros, vamos destruir o rentismo no Brasil”, disse.

Só que nem todo mundo ganha nesse cenário. Tem um mercado que perde com a queda da taxa de juros que é a taxa de câmbio.

Segundo Volpon, do lado do investidor que aplicava em Brasil, muito desse investimento estava calcado no juro alto, que não existe mais. Então, algumas estratégias não fazem mais sentido e temos saída de recursos.

No lado das empresas, era mais barato fazer captações externas a se endividar por aqui. Outro paradigma que mudou com a queda do juro. As empresas, agora, recompram dólares, pagam suas dívidas e captam no mercado local.

“O mix ótimo do passivo das empresas tem mudado. Do ponto de vista do país é excelente. Mas com essa mudança de estoque de passivos de investidores e empresas temos um fluxo muito negativo no mercado de câmbio”, explicou.

Estamos passando por esse ajuste. Parte dele é financiado pelo BC, que vem ofertando dólares das reservas, e parte é termos de conviver com dólar mais caro, disse, replicando a avaliação do ministro Paulo Guedes.

Em tom de brincadeira, Volpon disse que quem viaja muito para a Disney não vai gostar do mercado de câmbio nos próximos anos. A brincadeira entre seus amigos de mercado é dizer: cancela a Disney e vai pro Beto Carrero World.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Substituto do Bolsa Família

Renda Brasil terá R$ 51,7 bilhões e vai pagar benefício médio de R$ 232, prevê governo

Hoje, o Bolsa Família inclui 13,2 milhões de famílias, o que alcança 41 milhões de pessoas a um custo de cerca de R$ 32 bilhões ao ano

Mais lidas Seu Dinheiro

MAIS LIDAS: Os 10 anos bem vividos da Tesla na bolsa

Nos dez anos que separam a abertura de capital da Tesla na Nasdaq e o último dia 29 de junho, as ações da companhia subiram vertiginosos 4.125%, enquanto o principal índice da bolsa americana de tecnologia teve alta de “apenas” 345%. E a companhia do bilionário Elon Musk pôde comemorar o aniversário de uma década […]

Avião-problema

Fabricante de aviões trilha novo caminho: Boeing aposta no MAX

Mesmo começando a ficar otimista com relação ao futuro do Max, acredito que comprar ações da Boeing continua sendo mau negócio

ranking

Os títulos públicos mais rentáveis do 1º semestre; indicações do Seu Dinheiro estiveram entre eles

Em março, levantamos a bola para uma oportunidade aberta no Tesouro Direto com a alta dos juros no mês, e alguns dos títulos indicados ficaram entre os mais rentáveis do semestre. Confira a lista completa dos melhores e piores títulos públicos do ano até agora

Recuperação mais lenta

Ipea diz que efeitos da pandemia tendem a persistir sobre mercado de trabalho

“É provável que a taxa de desemprego continue alta, mas não por uma piora do mercado de trabalho, e sim pela melhora da percepção das pessoas sobre o ambiente para procurar emprego”, diz diretor da instituição

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements