Menu
2018-11-08T16:39:17-02:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Balanços

Bancões voltam a fazer dinheiro com seu principal negócio: dar crédito

Saldo dos financiamentos no Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander encerrou setembro em R$ 2,2 trilhões, uma alta de 7,3% em 12 meses. É importante ficar de olho no crédito porque provavelmente é daí que os bancos vão manter os seus lucros bilionários em alta – e fazer a alegria dos acionistas na bolsa

8 de novembro de 2018
16:01 - atualizado às 16:39
Bancos - Itaú - Santander - Bradesco - Banco do Brasil
Lucro dos quatro grandes bancos subiu 12% no trimestre, para R$ 18,4 bilhões Imagem: Montagem Andrei Morais / Estadão Conteúdo / Shutterstock

Depois de um longo inverno, os grandes bancos brasileiros voltaram a ser… bancos. Ou melhor, voltaram a fazer o que se espera deles, que é ganhar dinheiro com a concessão de crédito. Pelo menos foi o que os resultados do terceiro trimestre mostraram.

O saldo dos financiamentos nos balanços de Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander atingiu R$ 2,227 trilhões em setembro. Isso representa uma alta de 1,6% no trimestre e de 7,3% nos últimos 12 meses. O crescimento seria ainda maior não fosse o BB, que ainda segue em marcha lenta.

É importante ficar de olho no desempenho do crédito porque provavelmente é daí que os bancões vão manter os seus lucros bilionários em alta - e fazer a alegria dos acionistas na bolsa.

A margem financeira, linha do balanço onde entram as receitas com crédito (descontado o custo de captação), somou R$ 56,4 bilhões no terceiro trimestre nos quatro bancos.

Trata-se de uma alta de 2,2% quando se compara com o mesmo período do ano passado uma reversão da trajetória de queda que vinha até o trimestre anterior.

Durante a crise, os bancos fecharam a torneira dos financiamentos com o aumento dos calotes - e ainda jogaram as taxas nas alturas. Mas a queda da Selic colocou pressão para a redução dos spreads bancários. Isso significa que, para manter os resultados em alta, os bancos precisam emprestar mais.

“Achamos que o crédito continuará crescendo até mais vigorosamente no futuro”, disse o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, na teleconferência com jornalistas para comentar o balanço.

O Santander teve a vantagem de sair na frente, mas resta saber como o banco vai reagir ao avanço dos concorrentes maiores. Em entrevista na estreia do Seu Dinheiro, o presidente do banco, Sergio Rial, deu a receita: buscar clientes na base da pirâmide e no interior do país.

Rentabilidade

No terceiro trimestre, o resultado somado dos quatro grandes de capital aberto foi de R$ 18,4 bilhões. O número, que representa um avanço de 12% em relação ao mesmo período do ano passado, ficou 6% acima das projeções do mercado, de acordo com a Bloomberg.

Além do lucro, os bancões entregaram uma rentabilidade maior no trimestre. O Itaú se mantém tranquilo na liderança nesse quesito, mas a briga pelo segundo lugar entre Santander e Bradesco ficou ainda mais acirrada.

O Banco do Brasil segue na lanterna, mas vem melhorando o índice a cada trimestre na tentativa de reduzir a distância para os concorrentes privados.

De onde vieram os lucros?

A melhora no crédito representa principalmente uma sinalização para o futuro, mas o grosso dos resultados deste trimestre veio mesmo da melhora da inadimplência. As despesas de provisão para calotes os quatro bancos recuaram 22% na comparação com o período de julho a setembro do ano passado.

A expectativa é que os bancos ainda tenham alguma gordura para queimar nesse quesito, o que pode ajudar a melhorar os lucros dos próximos trimestres.

"Pelas novas safras de crédito que nós observamos devemos continuar tendo melhoria nessa linha", afirmou a jornalistas o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.

Taxas e tarifas

Com o crédito devagar, quase parando, durante a crise, os bancos buscaram ampliar as fontes de receita com prestação de serviços. Ou seja, com a cobrança de taxas e tarifas na conta corrente e em cartões, por exemplo.

Para os bancos, as receitas com serviços ainda trazem a vantagem de não consumir capital, o que torna a atividade potencialmente mais rentável.

O cenário só não é melhor para os bancos porque foi justamente daí que começaram a surgir os focos de concorrência mais evidentes de empresas independentes e de tecnologia financeira (fintechs).

Em meio à competição acirrada nos negócios de maquininhas de cartões e nas plataformas de investimento, os bancos tiveram de derrubar suas taxas na tentativa de defender seu mercado.

Outro caminho adotado é o da diversificação. O Itaú tem sido o mais atuante nessa vertente, com a compra da participação no capital da XP Investimentos e a entrada no negócio de benefícios com a aquisição de 11% da Ticket Serviços, além da associação com o PayPal em serviços de pagamento digital.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Aviso aos caminhoneiros

Em meio a debates sobre alta do diesel, ANTT aumenta o frete em até 8,58%

Pela legislação, a ANTT tem de reajustar os valores do frete a cada seis meses ou quando a variação do preço do diesel for igual ou superior a 10%

Exile on Wall Street

Governo dos 100 dias

O período entre a fuga de Napoleão do exílio na Ilha de Elba em março de 1815 e sua derrota definitiva na batalha de Waterloo é bastante conhecido. Enquanto o Congresso de Viena tenta restabelecer a ordem e a monarquia na Europa depois das guerras napoleônicas, foi subitamente surpreendido pela aclamação de Napoleão, cujo objetivo […]

MERCADOS HOJE

Ibovespa opera em queda com repercussão do PIB e novas mudanças na Petrobras

A votação da PEC emergencial e a divulgação do livro bege ficaram para tarde, o que não deve afetar a bolsa, por enquanto, nesta manhã

Varejista avança

Com nova aquisição, Magazine Luiza quer virar o seu supermercado digital

A empresa fechou a compra da VipCommerce, uma plataforma que permite a supermercados e atacarejos venderem online usando suas próprias marcas

Controle do orçamento

Líderes do Senado querem tirar Bolsa Família do teto

Os senadores pegaram carona na ideia e concordaram em ampliar a sugestão para tirar o Bolsa Família do teto de gastos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies