Menu
2019-08-02T05:56:15+00:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Grande tacada

Gestora de fundos criada por Paulo Guedes tem retorno de seis vezes com investimento na Afya

Fundo da Crescera, que teve o ministro como sócio até a ida dele para o governo, investiu pouco mais de R$ 600 milhões e detém hoje 37,5% do capital do grupo de educação voltado a cursos de medicina Afya. Essa participação agora é avaliada em aproximadamente R$ 3,6 bilhões

2 de agosto de 2019
5:55 - atualizado às 5:56
Paulo Guedes
Guedes é fundador da Bozano Investimentos, que mudou de nome para Crescera após a ida dele para o governo - Imagem: Alan Santos/PR

Se ainda é cedo para avaliar o trabalho de Paulo Guedes no governo, o ministro da Economia acaba de passar com louvor em um teste dos tempos em que atuou como gestor de fundos. O investimento realizado na Afya, grupo de educação voltado a cursos de medicina, obteve até o momento um retorno que já chega a seis vezes o capital investido.

Você não leu errado. O dinheiro investido pela gestora criada por Guedes na Afya, que abriu o capital no mês passado na bolsa americana Nasdaq, multiplicou-se por seis.

O aporte na empresa de educação foi realizado pelo fundo captado em 2015 pela Bozano Investimentos, que mudou de nome para Crescera após a ida de Paulo Guedes para o governo Bolsonaro.

A gestora investiu pouco mais de R$ 600 milhões e detém hoje 37,5% do capital da Afya, uma empresa criada neste ano a partir da união da NRE Educacional, maior grupo de faculdade de Medicina do país, com a Medcel, marca de cursos digitais preparatórios para provas de residência médica.

Depois do IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) da empresa na Nasdaq, essa participação – que ainda não foi vendida – passou a ser avaliada em aproximadamente US$ 960 milhões (R$ 3,6 bilhões).

Os cálculos do retorno obtido pela Crescera foram feitos a meu pedido por uma fonte do mercado de “private equity”, como são conhecidos os fundos investem na compra de participações em empresas, com o objetivo de vendê-las com lucro no futuro. Os números têm com base as cotações de quarta-feira do dólar e das ações da Afya na bolsa americana.

Ou seja, quem deixou seu dinheiro aos cuidados do “Posto Ipiranga” de Bolsonaro não tem do que reclamar. Infelizmente, esse é um tipo de aplicação restrita aos chamados investidores profissionais, que detêm pelo menos R$ 10 milhões para investir.

Isso porque, como toda aplicação com perspectiva de retornos elevados, o risco também é altíssimo. Além disso, não há liquidez. Ou seja, os investidores só têm os recursos devolvidos depois do prazo de duração do fundo, o que costuma levar de oito a dez anos.

O fundo tem entre os principais cotistas a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, o BNDES e o grupo de mídia alemão Bertelsmann, além do dinheiro de famílias milionárias.

A gestora que tinha o ministro entre os sócios se especializou em investir em empresas na área de educação, como a Abril Educação e a Ânima. Apesar dos bons resultados para os cotistas, a atuação de Guedes no mercado de compra de participações em empresas atraiu a atenção do Ministério Público.

Em outubro, logo depois do primeiro turno das eleições presidenciais, o MP do Distrito Federal abriu uma investigação para investigar supostas irregularidades nos investimentos realizados nas empresas HSM, de educação executiva, e na Enesa, de engenharia. Procurado, o MP informou que as investigações continuam em andamento e correm em sigilo.

Taxa de performance no bolso

O desempenho final do investimento do fundo de Paulo Guedes na Afya só será conhecido quando a participação for vendida. A gestora optou por não se desfazer de seus papéis no IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações).

A decisão se mostrou correta. A ação da Afya estreou no dia 19 de julho valendo US$ 19. Na última quarta-feira, os papéis já haviam se valorizado para o patamar de US$ 28,50.

Mas nem todo o retorno obtido com esse investimento vai parar no bolso dos cotistas. Os gestores de private equity cobram dos investidores uma taxa de performance quando o retorno ultrapassa o indicador de referência (benchmark).

Pelos cálculos da minha fonte, a Crescera deve levar para casa aproximadamente R$ 820 milhões pelo desempenho acima da meta obtido pelo fundo. Ainda assim, a rentabilidade líquida para os cotistas deve ficar em algo como 4,6 vezes o capital investido.

A dúvida que fica é se Paulo Guedes terá direito a uma parte do que a Crescera tem a receber, já que o investimento na Afya foi feito quando ele fazia parte do quadro de sócios. Ele deixou a gestora em dezembro, depois de aceitar o convite de Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Economia. Eu procurei a Crescera, mas a gestora informou que não tem por hábito comentar assuntos ou negócios que ainda não tenham sido finalizados.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Seu Dinheiro no domingo

Liberais não fazem pacotes

Dentro de mais alguns dias conheceremos o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. O resultado será magro e há quem fale em recessão técnica. Na sequência veremos uma nova onda de críticas e demandas na linha: “o governo tem quem fazer alguma coisa! Tem que impulsionar a demanda! Esse BC está errado!”. Sinto desapontar […]

Trilhando caminhos

Jovens precisam ter resiliência e iniciativa, dizem executivos sobre ser um novo empresário

Executivos falam sobre os comportamentos que um jovem ingressante numa grande empresa deve ter para trilhar um caminho profissional de sucesso

Crise partidária

Pedro Simon, ex-governador do RS: ‘existe o risco de o MDB desaparecer’

Em entrevista ao Estadão, o filiado ao MDB desde 1965 diz que seu partido precisa fazer uma “profunda reflexão”

Barrado na embaixada?

Consultoria do Senado diz que indicação de Eduardo Bolsonaro configura nepotismo e senadores se articulam para rejeitar seu nome

Parecer foi embasado no entendimento da Súmula Vinculante nº 13, do Supremo Tribunal Federal, que trata sobre nepotismo

Analisando a situação dos hermanos

Crise Argentina, feitiço do tempo

Os grandes desafios econômicos de Maurício Macri também parecem reimpressões de velhos e bem conhecidos problemas argentinos

O HOMEM MAIS RICO

Jeff Bezos: paciência para esperar o lucro da Amazon fez o maior bilionário do mundo

Como o empresário transformou uma pequena livraria online em uma das maiores varejistas do mundo e desbancou Bill Gates da lista da Forbes com uma fortuna estimada em US$ 148 bilhões.

Demissão anunciada

Ministro da Fazenda da Argentina renuncia ao cargo e traz novas turbulências ao mercado internacional

Anúncio foi feito por meio de uma carta enviada a Mauricio Macri em que Nicolás Dujóvne justifica a necessidade de uma renovação na área econômica

Bandeira branca no radar?

EUA devem estender licença da chinesa Huawei para atender clientes do país

Movimento dos EUA pode ser visto como positivo para o fim da guerra comercial com a China já que a companhia foi um dos focos de tensões entre os gigantes

Governador de Minas

‘Governo entra em pautas minúsculas’, avalia Romeu Zema

Em entrevista, governador de MG nega que esteja sendo “tutelado” pelo partido Novo e avaliou que o presidente Jair Bolsonaro deveria “focar em coisas maiores, grandiosas”

Corrida contra o tempo

Tarifa de importação do Mercosul pode cair já em 2020

Com receio de que o grupo político da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner volte ao poder, o governo brasileiro tem pressa

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements