Menu
2019-04-05T15:46:12+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Dia de cão

Ibovespa cai 5,45% na semana após turbilhão político; dólar vai a R$ 3,90

A crise política ganhou um novo episódio e trouxe mais pessimismo ao mercado. E o exterior piorou ainda mais um dia que já era ruim

22 de março de 2019
10:26 - atualizado às 15:46
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa - Imagem: Seu Dinheiro

O início e o fim da semana nos mercados:

Segunda-feira, 18 de março: o mercado comemora a chegada do Ibovespa ao nível inédito dos 100 mil pontos, no auge da empolgação com a reforma da Previdência.

Sexta-feira, 22 de março: angustiado com a (falta de) articulação política, o mercado assume um tom de extrema cautela e o Ibovespa despenca mais de 3%, ao nível dos 93 mil pontos.

Esses dois cenários, aparentemente contraditórios, dão uma boa ideia do que foi a semana. Do êxtase dos 100 mil pontos à perplexidade com o noticiário político, o mercado precisou rever seu plano de voo. E a correção na trajetória foi brusca.

O Ibovespa fechou o pregão desta sexta-feira em forte queda de 3,1%, aos 93.735,16 pontos, a maior baixa percentual desde 6 de fevereiro, quando caiu 3,74%. Com a perda de hoje, o principal índice da bolsa brasileira amargou um recuo de 5,45% no acumulado da semana — uma diferença de quase 7 mil pontos em relação à máxima intradiária histórica, aos 100.438,87 pontos, registrada na terça-feira (19).

O dólar à vista não ficou para trás: encerrou o dia em alta de 2,65%, a R$ 3,9016, avançando 2,12% desde segunda-feira.

E como o mercado sofreu essa reviravolta?

Tudo começou na quarta-feira, quando o tom "ameno" da proposta de revisão da previdência dos militares trouxe desconforto ao mercado e aumentou a percepção de que a reforma como um todo poderia ser enfraquecida. Em Brasília, o texto também não foi bem recebido: as críticas à articulação política do governo começaram a ganhar volume.

Na quinta-feira, a prisão do ex-presidente Michel Temer trouxe mais um foco de apreensão: a tramitação da reforma seria afetada pelo evento? E, hoje, a tensão chegou ao ápice, com as ameaças do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o tom também muito negativo dos mercados globais.

De acordo com o jornal "O Estado de S. Paulo", Maia estaria ameaçando deixar a articulação política da Previdência, em meio aos desentendimentos com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e desgastes com o filho do presidente, Carlos Bolsonaro.

O presidente da Câmara até chegou a afirmar, via Twitter, que nunca deixaria de defender a reforma, o que trouxe um leve alívio aos mercados no fim desta manhã. Mas, no início da tarde, ele voltou a dar declarações fortes à imprensa — e o dia, que já estava ruim, ficou ainda pior.

"Não acho que essa crise vai chegar ao ponto de o Maia realmente largar tudo, mas essa situação, essa ameaça, incomoda bastante", diz um operador, classificando o presidente da Câmara como "o grande articulador da Previdência". Para ele, o papel de Maia é particularmente importante num contexto em que o próprio presidente, Jair Bolsonaro, hesita em defender a pauta da Previdência de maneira mais enfática.

"O mercado questiona as condições para o avanço das reformas. A articulação política está demorando demais", diz Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor.

O dia também foi de ajustes expressivos nos DIs: as curvas com vencimento em janeiro de 2020 avançaram de 6,355% para 6,48%, e as com vencimento em janeiro de 2021 sobem de 6,871% para 7,14%. Entre os DIs longos, as correções foram ainda maiores: as curvas para janeiro de 2023 tiveram alta de 7,942% para 8,29%.

Exterior muito ruim

E, como se esse quadro não bastasse, os ventos vindos de fora também foram desfavoráveis nesta sexta-feira, em meio aos temores crescentes de fraqueza no ritmo de crescimento da economia mundial — a Alemanha e os Estados Unidos divulgaram hoje dados decepcionantes de atividade em março.

O Dow Jones caiu 1,77%, o S&P 500 recuou 1,9% e o Nasdaq teve perda de 2,5%. Na Europa, o Stoxx 600 fechou em queda de 1,22%.

"Se não tivesse nada acontecendo no Brasil, o dia já seria negativo por causa do exterior. Mas veio toda essa nuvem negra na política, essa falta de capacidade de articulação, e o mercado aproveita para vender", diz Álvaro Frasson, analista da Necton Investimentos.

Petróleo vai mal... e a Petrobras também

Esse turbilhão político afetou negativamente quase todas as ações do Ibovespa, mas alguns papéis foram particularmente mal. É o caso das ações ON da Petrobras, que caíram 4,77%, enquanto as PNs recuaram 5,46%. Além do noticiário local negativo, os ativos da estatal foram afetados pela queda de mais de 1,5% do petróleo WTI.

Bancos? Nem pensar

Os bancos também sofreram com esse movimento de aversão ao risco. As ações PN do Bradesco recuaram 3,53% e os ativos PN do Itaú Unibanco tiveram perda de 2,95% — na semana, esses papéis acumularam queda de mais de 8%.

Para Frasson, da Necton, o setor bancário é particularmente afetado por sua grande importância na composição do Ibovespa. "Se alguém quer vender Brasil, vende banco", diz ele, destacando que a falta de drivers positivos mais evidentes para o segmento bancário faz com que eles estejam particularmente expostos neste momento.

"A Petrobras ainda tem questões próprias, como a cessão onerosa e o plano de desinvestimentos", diz ele — no acumulado da semana, as ações da Petrobras tiveram perdas de 2% a 5%, desempenho bem melhor que o dos bancos.

Altas isoladas

Somente duas duas ações do Ibovespa fecharam em alta hoje: Kroton ON (+0,37%) e Suzano ON (+1,19%). Operadores e analistas destacam que o viés exportador da Suzano faz com que ela se beneficie do dólar na faixa de R$ 3,90. "Nesses momentos de incerteza local e dólar forte, as exportadoras são um hedge natural", diz um operador.

Natura conversa com Avon — e despenca

As ações ON da Natura ampliaram as perdas na reta final do pregão e fecharam em queda de 7,78%, após a empresa confirmar que está em discussões com a Avon Products a respeito de uma possível transação envolvendo as companhias.

CCR cai após balanço

As ações ON da CCR aparecem entre os piores desempenhos do Ibovespa, em queda de 4,96%, após apresentar resultados trimestrais que ficaram abaixo do esperado pelos analistas ouvidos pela Bloomberg. A companhia registrou queda de 56,5% no lucro líquido no ano de 2018 e fechou em R$ 782,7 milhões. No quarto trimestre, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 307,1 milhões e, com isso, reverteu lucro de R$ 329,1 milhões apresentado no mesmo período de 2017.

Lojas Americanas e B2W seguem em baixa

As ações PN da Lojas Americanas (-8,1%) e as ON da B2W (-9,09%) sofreram pelo segundo dia, após divulgarem seus balanços trimestrais na noite de quarta-feira — analistas destacaram que os resultados trouxeram pontos decepcionantes. O Itaú BBA, por exemplo, cortou ainda ontem as recomendações de ambos os papéis para "market perform", classificação semelhante à neutro.

Frasson ressalta que o setor de varejo como um todo reage mais rapidamente às expectativas do mercado em relação à atividade econômica — mais cedo, o ministério da Economia revisou para baixo a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, de 2,5% para 2,2%. "E Lojas Americanas e B2W, como divulgaram balanços não tão bons recentemente, acabam sofrendo mais".

 

 

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Bandeira branca no radar?

EUA devem estender licença da chinesa Huawei para atender clientes do país

Movimento dos EUA pode ser visto como positivo para o fim da guerra comercial com a China já que a companhia foi um dos focos de tensões entre os gigantes

Governador de Minas

‘Governo entra em pautas minúsculas’, avalia Romeu Zema

Em entrevista, governador de MG nega que esteja sendo “tutelado” pelo partido Novo e avaliou que o presidente Jair Bolsonaro deveria “focar em coisas maiores, grandiosas”

Corrida contra o tempo

Tarifa de importação do Mercosul pode cair já em 2020

Com receio de que o grupo político da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner volte ao poder, o governo brasileiro tem pressa

Agora vai?

Governo enviará ao Congresso na próxima semana projeto para destravar privatização da Eletrobras

Proposta deve conter os mesmos itens que estavam na Medida Provisória 879, que não foi votada pela Câmara

Olha quem apareceu

Rede de varejo Le Biscuit, da Vinci Partners, estreia no comércio online

Entrada da empresa no mundo online ocorrerá em etapas e segue uma tendência mundial

Olha a oportunidade aí

Movimentos para ofertas de ações no 2º semestre aceleram

Reuniões com os bancos de investimento se intensificam e companhias começam a fechar acordos para levar as ofertas adiante

Eita!

Chefes da Receita Federal ameaçam entrega de cargos por interferência política

De acordo com apuração, seis subsecretários do órgão estão fechados nessa posição

À beira do abismo

Sob pressão financeira, Oi procura bancos para encontrar saída

Operadora precisa levantar R$ 2,5 bilhões, mas ainda não tem ideia de como fará essa captação de recursos

Batalha contra a desaceleração

China divulga reforma de juros para reduzir custo de financiamento de empresas

Movimento anunciado deve reduzir ainda mais as taxas de juros reais para as companhias do país

Entrevista

Criador da CVM diz que mercado brasileiro não precisa de mais regulação

Para Roberto Teixeira da Costa, momento é de libertar a capacidade criativa das pessoas; em entrevista ao Seu Dinheiro, ele fala sobre mercado de capitais, economia brasileira e a figura do analista de investimentos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements