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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Bolsa e dólar hoje

Bolsa fecha em queda com ansiedade eleitoral; Qualicorp e Via Varejo despencaram

Avanço de Haddad nas pesquisas mete medo no mercado e derruba Ibovespa, que foi no sentido contrário das bolsas no exterior; Qualicorp e Via Varejo entraram em leilão após fortes quedas

1 de outubro de 2018
12:14 - atualizado às 12:13
Acordo entre EUA, Canadá e México fazem bolsas americanas subirem - Imagem: shutterstock

O Ibovespa fechou em queda de 0,91%, aos 78.623 pontos nesta segunda-feira (01), em um dia em que as ações brasileiras andaram na contramão das bolsas gringas. Enquanto aqui no Brasil os investidores permanecem cautelosos com as perspectivas eleitorais e ansiosos frente aos avanços de Haddad nas pesquisas, lá fora havia otimismo com o acordo fechado no fim de semana entre EUA, México e Canadá e o bom desempenho da economia americana.

Para investidores, o acordo norte-americano removeu um risco importante para a economia dos três países. Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,73%, aos 26.651 pontos; o S&P500 teve valorização de 0,36%, indo para os 2.924 pontos; e a Nasdaq caiu 0,11%, para 8.037 pontos.

O bom humor externo se refletiu em um enfraquecimento do dólar frente a moedas emergentes, como a lira turca, o peso argentino e o peso mexicano, além do próprio real. O dólar à vista fechou em queda de 0,52%, a R$ 4,0299. Por aqui, investidores estão na expectativa da divulgação da pesquisa Ibope no "Jornal Nacional" de hoje à noite.

Apenas sete ações do Ibovespa fecharam em alta. A maior valorização foi da Bradespar (BRAP4), que fechou em alta de 1,59%, seguida da Vale (VALE3), com alta de 0,97%. Depois vieram CCR (CCRO3), com alta de 0,71%; Ambev (ABEV3), com alta de 0,49%; Fibria (FIBR3), com alta de 0,33%; Lojas Renner (LREN3), com alta de 0,13%; e Magazine Luiza (MGLU3), com alta de 0,11%.

Na outra ponta do Ibovespa vimos despencar as ações da Qualicorp (QUAL3), que caíram nada menos que 29,37%, e as units da Via Varejo (VVAR11), com tombo de 14,88%. Ambas entraram em leilão nesta segunda.

Ações podem entrar em leilão quando sobem ou caem mais de 10% em relação ao preço de abertura ou ao preço de fechamento do dia anterior, para evitar mais oscilações bruscas. No leilão, a bolsa apenas registra as ofertas de compra e venda, e só fecha negócios quando consegue casar os  valores ofertados.

Entre as maiores quedas, tivemos ainda Eletrobrás, com quedas de 4,26% (ELET3) e 4,51% (ELET6); e Banco do Brasil (BBAS3), que recuou 4,21%.

Os juros futuros também fecharam em baixa, em razão do bom desempenho das moedas emergentes frente ao dólar. O DI para janeiro de 2020 encerrou em 8,24%, e o DI para janeiro de 2021 fechou a 9,52%. O DI para janeiro de 2023 caiu para 11,02%.

Qualicorp despenca 30%

As ações da Qualicorp (QUAL3), que comercializa planos de saúde coletivos, entraram em leilão nesta manhã depois de cair 23%, para R$ 12,69. Ao fim do dia, os papéis se desvalorizavam quase 30%. Só hoje, a companhia perdeu R$ 1,366 bilhão em valor de mercado.

Os investidores reagiram a um contrato que a companhia assinou com seu diretor presidente, José Seripieri Filho, acionista detentor indireto de cerca de 15% do capital da Qualicorp. O acordo estabelece que Seripieri receberá R$ 150 milhões à vista como indenização, o que os investidores consideraram um valor um tanto salgado. Além disso, o diretor presidente ficou obrigado a não vender suas quase 14 mil ações e a não competir com os negócios da companhia por um prazo de seis anos, extensíveis por mais dois. Cada ano adicional custaria mais R$ 25 milhões à companhia.

Em teleconferência com os acionistas, a diretora financeira e de Relações com Investidores da Qualicorp, Grace Cury Tourinho, disse que Seripieri poderia deixar a companhia quando quisesse durante o período de seis anos, mas que, neste caso, teria que devolver o dinheiro, proporcionalmente.

A decisão foi tomada pelo conselho de administração da Qualicorp, sem passar por assembleia de acionistas. O caso foi considerado exótico por investidores, gerando perda de credibilidade para a empresa e para o mercado brasileiro.  Ainda mais se tratando de uma empresa que integra o Novo Mercado, segmento com regras mais rigorosas de governança corporativa da bolsa brasileira.

Segundo o Broadcast, serviço de notícias do Estadão, o acordo foi caracterizado como "o maior escândalo societário do mercado brasileiro desde o caso Oi" por Mauro Cunha, presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec).

No caso da Oi, os acionistas controladores receberam R$ 600 milhões para não vender suas ações na época do investimento da Portugal Telecom. Ao Seu Dinheiro, Cunha afirmou, sobre a Qualicorp, que “a mensagem que passa, principalmente para o estrangeiro, é que o Brasil é o país onde o CEO passa no caixa da empresa e pega R$ 150 milhões”.

Vão vender o Pão de Açúcar?

As units da Via Varejo (VVAR11) controlada do Grupo Pão de Açúcar (GPA), também entraram em leilão ao despencarem 9,52%, para R$ 13,50, fechando o dia em queda de 14,88%. As ações do Pão de Açúcar (PCAR4) também caíram 3,15%. O motivo: rumores de que o controlador do grupo, o francês Casino, estaria procurando compradores para os negócios do GPA no Brasil e na Colômbia.

No fim de semana, a coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal "O Globo", já tinha levantado essa bola, noticiando que o Casino teria contratado o banco de investimentos Rothschild para buscar compradores interessados. Mas os franceses negam.

Expectativas frustradas na Cesp

E o tombo do dia fora do Ibovespa foi para as ações da Cesp (CESP3), que chegaram a cair mais de 7% com as chances cada vez menores de realização efetiva do leilão da companhia, adiado por mais 60 dias. Trata-se de uma suspensão feita pela Justiça, após apelo de sindicalistas do setor elétrico. As ações fecharam em queda de 4,44%.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

 

 

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