Menu
2019-05-27T06:16:21+00:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Feriado lá fora desloca atenção para política interna

Londres e Nova York permanecem fechados hoje, por causa de feriado, o que abre espaço para repercutir as manifestações pró-governo Bolsonaro ontem

27 de maio de 2019
5:46 - atualizado às 6:16
velhapolitica
Mais que a dimensão, são as demandas dos protestos que interessam ao investidor

A última semana de maio começa com um feriado nas duas principais praças financeiras do Ocidente, em Londres e em Nova York, o que enxuga a liquidez dos mercados pelo mundo. Com isso, os negócios locais devem ter uma sessão arrastada nesta segunda-feira. Mesmo assim, os investidores tendem a repercutir as manifestações pró-governo ontem.

Todos os estados brasileiros e o Distrito Federal registraram atos de apoio ao governo, mostrando a capacidade de mobilização dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Os protestos ocorreram em defesa dele e tiveram como alvos a Corte Suprema (STF), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o chamado “Centrão”. As manifestações também foram a favor do pacote anticrime e da reforma da Previdência.

Para Bolsonaro, os atos deram um recado a quem “teima com velhas práticas”. Daí, então, que as manifestações podem azedar de vez a relação entre Congresso e Executivo, em meio à expectativa do governo de que os protestos funcionam como pressão para aprovar as medidas apresentadas pelo Palácio do Planalto.

As duas principais terão uma semana decisiva. O Senado analisa amanhã a proposta da reforma administrativa, que tirou das mãos do ministro Sergio Moro (Justiça) o controle do Coaf - órgão que combate a lavagem de dinheiro. Já a comissão especial encerra no dia 30 o prazo para apresentação de emendas à proposta de novas regras para aposentadoria.

Dois pesos, duas medidas

O problema é que, quando comparado com os protestos contra cortes na educação, ocorridos em 15 de maio, os atos deste domingo não foram tão fortes a ponto de emparedar o Legislativo, fazendo valer os desejos do Executivo. Melhor assim. Para o mercado financeiro, o que importa mesmo não é a dimensão das manifestações ontem e sim as demandas.

Afinal, não importa quem irá assumir o protagonismo na cena política, contanto que as medidas avancem e a reforma da Previdência seja aprovada em breve. No colegiado da Câmara, está mantida a previsão de apresentação do relatório do deputado Samuel Moreira até o dia 15 de junho.

Por ora, os investidores trabalham com a hipótese de que é o Congresso que está conduzindo o país, assumindo a “paternidade” das medidas. Em vez do presidente, Maia seria o responsável por reunir apoio e pautar a agenda de reformas - com o respaldo do ministro da Economia, Paulo Guedes. Essa suposição pode ganhar força, com o Congresso tentado melhorar sua imagem, após os protestos de domingo.

Aliás, o ambiente mais ameno em Brasília na semana passada propiciou uma correção positiva no mercado doméstico, com apreciação da Bolsa brasileira e do real, além de retirada dos prêmios na curva de juros. Caso esse cenário ganhe consistência, esse movimento dos ativos locais pode ter continuidade.

Exterior de lado

Os mercados internacionais amanheceram de lado nesta segunda-feira, dia de feriado nos Estados Unidos (Memorial Day) e no Reino Unido (Bank Holiday), o que esvazia a sessão de negócios no Ocidente. Na Ásia, os investidores elevaram a cautela, em meio à visita do presidente norte-americano, Donald Trump, ao Japão.

Ele foi o primeiro líder a conhecer o novo imperador japonês, Naruhito, que assumiu o trono no início deste mês, de modo a manter as relações com um importante aliado estratégico. Trump também tratou de questões comerciais com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e destacou “grande progresso”, antes das eleições para a Câmara Alta do país, em julho.

Nas bolsas, Tóquio teve leve alta de 0,31%, enquanto Hong Kong caiu 0,24% e Xangai subiu 1,38%. Os mercados na China continuam monitorando a escalada das tensões comerciais entre Pequim e Washington, ao passo que o governo chinês tenta combater as apostas de desvalorização do yuan (renminbi).

Na Europa, as principais bolsas iniciaram a semana em alta, após os principais partidos da União Europeia (UE) conquistarem espaço frente aos populistas nas eleições do Parlamento. Já o euro devolve os ganhos em relação ao dólar. Nas commodities, o petróleo cai e segue abaixo de US$ 60 por barril, enquanto o minério de ferro teve um novo salto.

PIB em destaque na semana

Os números do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e dos Estados Unidos referentes ao primeiro trimestre deste ano serão conhecidos na quinta-feira e são o grande destaque da agenda econômica nesta semana. No mesmo dia, por aqui, sai o IGP-M de maio. Um dia antes é a vez da inflação ao produtor (IPP) e, na sexta-feira, do desemprego no país (Pnad).

Entre hoje e quarta-feira saem índices sobre a confiança na construção civil, na indústria e no setor de serviços. Já nesta segunda-feira, merece atenção o relatório de mercado Focus, do Banco Central (8h25), que pode trazer nova revisão para baixo na estimativa para o crescimento econômico neste ano - a décima terceira seguida.

A pesquisa também pode reduzir a previsão para a taxa básica de juros neste ano, em meio ao cenário de preços ainda comportado - apesar da valorização do dólar e dos reajustes nas tarifas da conta de luz - e à tendência de baixa na recuperação da atividade econômica. É crescente a pressão sobre o BC para cortar a Selic, rumo a novos pisos históricos.

Já no exterior, o calendário norte-americano reserva vários indicadores sobre o setor imobiliário e sobre a confiança do consumidor, a partir de amanhã. Além do PIB, também merece atenção os dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo, na sexta-feira, juntamente com o índice de preços PCE.

No eixo Europa-Ásia, saem dados sobre a confiança de diferentes agentes econômicos na zona do euro, amanhã, e números sobre a atividade nos setores industrial e de serviços na China, na quinta-feira. Entre os eventos de relevo, acontece a eleição no Parlamento Europeu e o presidente do BC japonês (BoJ), Haruhiko Kuroda, discursa.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Racha no PSL

Esperava mais respeito e gratidão, diz Joice Hasselmann

Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro usou a Presidência da República para interferir no Legislativo. “O próprio presidente estava ligando e pressionando deputados para assinar uma lista”, disse.

mudança de planos

Governo adia reforma tributária e prioriza redução de R$ 30 bi em gastos

Com dificuldade para articular uma ampla agenda de reformas até o fim do ano, equipe econômica decidiu enxugar o pacote de medidas estruturais

Em crise

Crise EUA e China ameaça o mundo, diz chefe do FMI

A perspectiva global é precária, afirma Georgieva na apresentação de sua agenda política imediata. O conjunto de riscos, acrescenta, está ligado em primeiro lugar a uma possível ampliação das tensões no comércio e a crescentes vulnerabilidades financeiras.

situação complicada

16 Estados tiveram piora nas contas ou ficaram estagnados em 2018

Lista foi elaborada segundo o critério “solidez fiscal” – definido como a capacidade de o governo administrar as contas públicas

de olho no desempenho

Produção de petróleo da Petrobras cresce 16,9% no terceiro trimestre

Segundo especialista, resultado abre caminho para que outras empresas se interessem pelo investimento no Brasil. 

em meio a disputa tarifária

Resultado trimestral de PIB da China tem avanço mais lento em 27 anos

Indicador avançou 6% no terceiro trimestre de 2019; resultado foi ligeiramente abaixo de expectativas de analistas ouvidos pelo Wall Street Journal, que previam alta de 6,1%.

hora da partilha

Bolsonaro sanciona lei que divide recursos do megaleilão do petróleo

Leilão do excedente de petróleo da chamada cessão onerosa está marcado para 6 de novembro e tem previsão de arrecadar R$ 106,6 bilhões

sem EUA por ora

Crise no PSL deixa indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada em suspenso

Auxiliares de Bolsonaro afirmam que, apesar da peregrinação, Eduardo não conseguiu convencer um número suficiente de senadores a apoiarem seu nome

clima tenso

Flávio e Eduardo Bolsonaro são destituídos de diretórios do PSL

Destituições são mais um capítulo da crise interna do partido que opõe parlamentares que apoiam Bivar aos aliados do presidente da República

Agora vai?

Após anos de decepção, PIB vai surpreender de novo, mas agora para cima, dizem gestores de fundos

Responsáveis pela gestão de mais de R$ 30 bilhões, Ibiúna, Kapitalo e Legacy veem espaço para Banco Central manter o processo de queda de juros, mas piso para a Selic é ponto de discórdia. Eles também contam onde estão investindo e quais os riscos no radar

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements