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Entre 1,9 milhão de pequenas e médias empresas analisadas, 41% apresentam perfil associado à busca por capital de giro

Quando se fala em crédito para empresas, é comum imaginar negócios em fase de expansão, buscando recursos para abrir novas unidades, investir em equipamentos ou acelerar o crescimento. Mas a realidade da maior parte das pequenas e médias empresas brasileiras é outra.
Um levantamento da Serasa Experian divulgado nesta quarta-feira (10) mostra que o crédito continua sendo usado principalmente para manter a operação funcionando. Entre 1,9 milhão de PMEs analisadas, 41% apresentam perfil associado à busca por capital de giro.
"Como esse tipo de crédito costuma estar associado à gestão do fluxo de caixa, fornecedores, estoques e outras despesas recorrentes, os resultados sugerem uma demanda importante por recursos voltados à sustentação da operação das empresas", diz Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian.
Os dados ajudam a desenhar o perfil de quem mais procura financiamento no país: empresas já consolidadas no mercado e com estruturas enxutas. Segundo o estudo, mais de oito em cada dez PMEs têm até nove funcionários.
O retrato também sugere que a demanda por crédito não está concentrada em empresas recém-criadas ou em negócios de rápido crescimento. Na maior parte dos casos, trata-se de empreendimentos maduros: quase 79% estão em atividade há mais de cinco ano. Além disso, cerca de 72% faturam até R$ 1,35 milhão por ano.
O levantamento também mostra que a busca por crédito está fortemente ligada ao setor de comércio.
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Quase 40% das empresas analisadas atuam nas áreas de comércio e reparação de veículos, tornando esse o segmento mais representativo dentro da base estudada.
Ao mesmo tempo, 28% das PMEs apresentam perfil de tomador de crédito para pessoa jurídica, reforçando a importância do financiamento como ferramenta de suporte operacional para os negócios.
Outro dado que chama atenção é o tamanho dos limites de crédito disponíveis para essas empresas. De acordo com a pesquisa, 95,7% das PMEs brasileiras possuem limite estimado de até R$ 570 mil.
O número reforça o perfil predominante encontrado no estudo: empresas de menor porte, com necessidades financeiras mais relacionadas à gestão da operação do que a projetos de grande escala.
Embora exista um perfil predominante, a pesquisa mostra que o universo das PMEs está longe de ser homogêneo quando o assunto é saúde financeira.
Quase metade das empresas analisadas (48,3%) aparece nas faixas mais baixas do Score PJ, indicador utilizado para avaliar o comportamento financeiro e a capacidade de pagamento dos negócios.
Por outro lado, 21,4% estão nas faixas mais elevadas da pontuação, entre 701 e 1.000 pontos, mostrando que também existe uma parcela relevante de empresas com perfil de crédito considerado mais sólido.
Para o mercado financeiro, essa diferença ajuda a explicar por que a análise de crédito para pequenas e médias empresas exige avaliações cada vez mais detalhadas. Empresas parecidas em porte, faturamento ou setor podem apresentar comportamentos financeiros bastante diferentes.
Os dados revelam ainda uma característica interessante das PMEs brasileiras.
Mais da metade das empresas analisadas possui algum tipo de restrição ativa. Ainda assim, entre aquelas com histórico conhecido de pagamento, 72,5% estão na faixa mais alta de pontualidade no cumprimento de suas obrigações financeiras.
Na avaliação da Serasa Experian, o cenário reforça a importância de uma análise mais ampla do perfil financeiro das empresas, especialmente em um ambiente marcado por juros elevados e maior rigor na concessão de crédito.
"As PMEs seguem sendo um dos principais motores da economia brasileira, mas o estudo mostra que esse mercado é muito diverso e exige leituras mais sofisticadas sobre comportamento financeiro e acesso ao crédito", afirma Moura.
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