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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

RENDA FIXA

Empresas estão ‘perdendo a vergonha’ de pôr credor para pagar a conta, diz sócio da Vinland, diante de enxurrada de recuperações

Em evento do Bradesco BBI, executivo defendeu uma lei de falência mais pró-credor, ante tantas recuperações judiciais e extrajudiciais

Monique Lima
Monique Lima
8 de abril de 2026
19:30 - atualizado às 18:28
Imagem criada por inteligência artificial para ilustrar o aumento de processos de recuperação judicial e extrajudicial no Brasil.
Imagem criada por inteligência artificial para ilustrar o aumento de processos de recuperação judicial e extrajudicial no Brasil. - Imagem: Dall-E/ChatGPT

Há duas âncoras segurando o crescimento do crédito privado neste momento: os prêmios dos títulos públicos e uma lei de falências complacente. Esta é a análise do sócio da Vinland Capital, Jean-Pierre Cote Gil

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Em participação no painel de renda fixa do 12º Fórum de Investimentos no Brasil, do Bradesco BBI, Cote Gil afirmou que a recuperação judicial e extrajudicial está se tornando algo “corriqueiro”. 

“Mesmo com as revisões recentes, a Lei de Falências ainda deixa espaço para o devedor chamar o credor e dizer assim: ‘divide a conta aqui comigo’. É ineficiente e muito ruim para o mercado de crédito”, disse o gestor. 

Para ele, pesa ainda mais diante do perfil de investidores do Brasil, que é bastante avesso a risco. 

Cote Gil argumentou que, em um ambiente com disseminação de casos de proteção contra credores como o atual, competir com as taxas altas dos títulos públicos é inviável. 

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Se de um lado você tem o investidor capturado pelas taxas do crédito privado, que parecem altas por causa dos juros, do outro, o gestor está de mãos atadas com os spreads fechados, que dificultam uma alocação eficiente, equilibrada entre risco e retorno. 

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Spread, vale lembrar, é a diferença entre as taxas dos títulos públicos e as taxas do crédito privado, que remunera o risco que o investidor toma ao comprar um título de dívida empresarial em vez de um título do Tesouro, mais seguro. 

“A próxima pernada [para o mercado de crédito privado] depende desses fatores. Uma Lei de Falências mais pró-credor e deixar de competir com o financiamento do governo”, afirmou o gestor. 

Em busca do equilíbrio  

Os próximos meses devem ser desafiadores para os gestores de crédito. 

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Cote Gil avalia que perder dinheiro é muito sensível para o investidor brasileiro, de tendência mais conservadora. “Ganhar é ótimo, o investidor fica feliz. Mas perder é onde dói, é o que afasta o investidor”, afirmou no evento. 

E o momento é de correções nos preços e nas taxas dos títulos de crédito privado do país. 

Os ajustes que aumentam as taxas e diminuem os preços prejudicam a rentabilidade dos fundos de crédito. Desde o começo do ano, essa classe de ativos, que ganhou muito no ano passado, começou a registrar retornos negativos. 

Para o investidor, este pode ser um sinal amarelo. Os resgates já começaram, mas ainda em volumes baixos. Entretanto, há uma expectativa de aumento dessas retiradas de recursos nos próximos meses. 

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“O que estamos fazendo é acalmar os clientes, explicar que é um movimento natural de períodos de estresse, mas que tende a melhorar com o tempo”, afirmou o gestor da Vinland. 

Do ponto de vista técnico, Alexandre Muller, sócio e gestor da JGP, acredita que as melhores oportunidades de alocação estão aparecendo agora. Com as correções de preços, os prêmios de risco estão melhorando. 

“São ciclos. Depois da euforia do ano passado, estamos agora em um pico de desconfiança. Vai levar um tempo, mas a confiança será restabelecida e os padrões normalizam de novo”, afirmou Muller. 

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