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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

RENDA FIXA EM DÓLAR

Bonds da Raízen (RAIZ4), Aegea e Brava (BRAV3): as escolhas do BTG para a carteira de renda fixa internacional em fevereiro

Banco vê oportunidade de ganho significativo em dólar, investindo em empresas brasileiras e conhecidas

Monique Lima
Monique Lima
4 de fevereiro de 2026
10:45 - atualizado às 10:02
Dólar Real Investimentos Estados Unidos EUA Brasil
Imagem: iStock.com/Rmcarvalho

Em um momento de juros globais ainda altos e mercado latino‑americano recebendo o fluxo de capital dos estrangeiros, os bonds — títulos de dívida emitidos em dólar — ganham espaço como forma de buscar renda em moeda forte.

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Neste mês, a carteira recomendada de renda fixa internacional do BTG destacou o apetite por risco e o aumento de emissões na América Latina. Para os analistas, este é um cenário favorável para o crédito corporativo, especialmente no Brasil.

O banco está “overweight” (com exposição acima do mercado) no país e enxerga prêmios interessantes nas novas captações de empresas locais via bonds.

O bond é um título de dívida emitido em moeda internacional, geralmente em dólar. Ao comprar esse título, o investidor empresta dinheiro à empresa emissora, recebe juros periódicos e, no vencimento, o valor principal volta. É bastante parecido com o crédito privado local.

Porém, há um ponto importante: os ratings de crédito dos bonds são na escala internacional, diferente da escala local. Como o próprio rating soberano do Brasil não é grau de investimento nas principais agências, os prêmios exigidos para empresas do país são mais altos.

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Na prática, isso significa que empresas bastante consolidadas por aqui precisam pagar juros maiores lá fora — o que aumenta o potencial de ganhos em dólar.

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Os bonds de brasileiras recomendados pelo BTG

Raízen em destaque

No relatório de fevereiro, o BTG mantém a Raízen (RAIZ4) como destaque entre os investimentos de renda fixa internacional.

A tese é a mesma: o mercado penalizou demais o preço da dívida em dólar e, por consequência, o investidor hoje recebe um juro alto para o nível de risco que o banco enxerga na empresa.

O bond RAIZBZ 2035 negocia com desconto, perto de 77,5% do seu valor de mercado, com retorno real estimado para esse preço em 9,5% ao ano — patamares próximos aos de empresas BB, embora a dívida conte com grau de investimento pela Fitch (BBB).

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Para o BTG, é um dos maiores players de combustíveis do Brasil e dona de uma operação integrada, que vai de etanol e açúcar à distribuição de combustíveis e lubrificantes. Além disso, conta com o apoio de Cosan (CSAN3) e Shell, acionistas do negócio.

O banco reconhece as margens mais fracas no curto prazo, mas entende que nada disso muda a estrutura de crédito. A continuidade dos desinvestimentos também ajuda a tese de recuperação da empresa.

Aegea e a previsibilidade

A Aegea aparece como uma aposta defensiva no portfólio de bonds do BTG.

Líder privada de saneamento no país, com atendimento a mais de 39 milhões de pessoas em 15 estados, a companhia opera sob contratos longos, reajustes atrelados à inflação e metas de expansão — desenho que dá previsibilidade ao caixa.

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Em fevereiro, o AEGEBZ 2036 oferece um retorno real estimado de 7,9% ao ano, em dólar, considerando um desconto em seu valor de mercado de 97,9%.

Trata-se de um nível que, na visão do BTG, remunera bem o risco setorial, ainda que a empresa tenha que lidar com os desafios típicos do negócio, ritmo de expansão acelerado e exposição regulatória.

A Brava, ex-3R

A Brava (ex‑3R Petroleum) aparece na carteira como uma posição tática no segmento de óleo e gás, segundo o relatório do BTG.

“Uma história de revitalização de campos maduros, com investimentos de execução rápida e ganhos de eficiência que se traduzem em queda de custos de extração e aumento de produção”, descrevem os analistas.

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O bond RRRPBZ 2031 oferece um retorno estimado em 8,3% diante de um preço mais esticado, com ágio de 104,6%.

A visão do banco é que, conforme os poços recém-adquiridos (Potiguar e Papa Terra) avancem na produção e os números se consolidem, a percepção de risco sobre a empresa tende a diminuir e os títulos, a se valorizar, beneficiando o investidor.

Os riscos principais seguem sendo a execução dos projetos e a volatilidade do preço do petróleo e do câmbio.

Eldorado paga mais que Suzano e Klabin

Para o BTG, a tese da Eldorado combina juro alto em moeda forte com o melhor custo entre companhias de papel e celulose.

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A empresa tem uma grande fábrica de celulose em Três Lagoas (MS) e, diferentemente das concorrentes, usa florestas próprias para obter toda a madeira necessária — e ainda sobra. Na prática, isso significa que ela não depende de fornecedores externos e consegue produzir por um custo muito menor, já que controla do plantio até a fabricação.

Essa estrutura torna a produção mais eficiente e estável, permitindo que a empresa continue competitiva mesmo quando o preço da celulose no mercado internacional cai.

No relatório de fevereiro, o bond ECELUP 2032 aparece com um preço acima do valor de mercado (cerca de 104,6%), o que mostra que o papel já se valorizou, mas ainda paga um juro alto — algo próximo de 7,5% ao ano.

Mesmo assim, o BTG chama atenção para o fato de que esse título ainda entrega um retorno maior do que o de outras empresas do mesmo setor, como Suzano, Klabin e LD Celulose.

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Para o banco, esse “pagamento a mais” não faz muito sentido para uma companhia com fundamentos fortes — e justamente por isso o papel continua sendo visto como uma boa oportunidade na renda fixa internacional.

FS Bioenergia de vencimento mais longo

Em fevereiro, o BTG trocou o título da FS Bioenergia que vencia em 2033 por outro que vence em 2036. O objetivo foi buscar juros maiores em dólar, um prêmio extra sobre os títulos do Tesouro americano e mais facilidade de negociação — tudo isso sem enxergar aumento relevante de risco por alongar o prazo.

O novo papel (FSBIOE 2036) paga 8,4% ao ano de retorno estimado, com o preço um pouco abaixo do valor de mercado (cerca de 98% do “par”), e a possibilidade de a empresa recomprar o título a partir de 11/02/2031.

A tese para a escolha da empresa é parecida com a da Eldorado. A FS faz etanol de milho com custo muito baixo e ainda ganha dinheiro com subprodutos do processo (ração animal), criando uma segunda fonte de receita.

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Como mantém estoques de milho, consegue planejar a produção e sofrer menos oscilação do que quem depende de safra de cana.

Para o BTG, o prêmio atual pago por esse título compensa os riscos — basicamente preços do milho e do etanol e regras do setor — e mantém a empresa entre os destaques de bonds brasileiros do mês.

Top Picks de bonds brasileiros do BTG  

Empresa  Ticker / Bond  Cupom  Vencimento  Rating (Fitch)*  
Raízen  RAIZBZ 2035  5,70%  17/01/2035  BBB  
Eldorado  ECELUP 2032  8,50%  01/12/2032  BB  
Brava  RRRPBZ 2031  9,75%  05/02/2031  BB-  
FS Bioenergia  FSBIOE 2036  8,125%  11/02/2036 BB  
Aegea  AEGEBZ 2036  7,625%  20/01/2036  BB  
*São ratings de dívida internacional, com avaliação diferente da dívida local. Como o próprio Brasil não tem grau de investimento, suas empresas têm percepção de risco maior. Fonte: BTG Pactual.

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