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Banco vê oportunidade de ganho significativo em dólar, investindo em empresas brasileiras e conhecidas
Em um momento de juros globais ainda altos e mercado latino‑americano recebendo o fluxo de capital dos estrangeiros, os bonds — títulos de dívida emitidos em dólar — ganham espaço como forma de buscar renda em moeda forte.
Neste mês, a carteira recomendada de renda fixa internacional do BTG destacou o apetite por risco e o aumento de emissões na América Latina. Para os analistas, este é um cenário favorável para o crédito corporativo, especialmente no Brasil.
O banco está “overweight” (com exposição acima do mercado) no país e enxerga prêmios interessantes nas novas captações de empresas locais via bonds.
O bond é um título de dívida emitido em moeda internacional, geralmente em dólar. Ao comprar esse título, o investidor empresta dinheiro à empresa emissora, recebe juros periódicos e, no vencimento, o valor principal volta. É bastante parecido com o crédito privado local.
Porém, há um ponto importante: os ratings de crédito dos bonds são na escala internacional, diferente da escala local. Como o próprio rating soberano do Brasil não é grau de investimento nas principais agências, os prêmios exigidos para empresas do país são mais altos.
Na prática, isso significa que empresas bastante consolidadas por aqui precisam pagar juros maiores lá fora — o que aumenta o potencial de ganhos em dólar.
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No relatório de fevereiro, o BTG mantém a Raízen (RAIZ4) como destaque entre os investimentos de renda fixa internacional.
A tese é a mesma: o mercado penalizou demais o preço da dívida em dólar e, por consequência, o investidor hoje recebe um juro alto para o nível de risco que o banco enxerga na empresa.
O bond RAIZBZ 2035 negocia com desconto, perto de 77,5% do seu valor de mercado, com retorno real estimado para esse preço em 9,5% ao ano — patamares próximos aos de empresas BB, embora a dívida conte com grau de investimento pela Fitch (BBB).
Para o BTG, é um dos maiores players de combustíveis do Brasil e dona de uma operação integrada, que vai de etanol e açúcar à distribuição de combustíveis e lubrificantes. Além disso, conta com o apoio de Cosan (CSAN3) e Shell, acionistas do negócio.
O banco reconhece as margens mais fracas no curto prazo, mas entende que nada disso muda a estrutura de crédito. A continuidade dos desinvestimentos também ajuda a tese de recuperação da empresa.
A Aegea aparece como uma aposta defensiva no portfólio de bonds do BTG.
Líder privada de saneamento no país, com atendimento a mais de 39 milhões de pessoas em 15 estados, a companhia opera sob contratos longos, reajustes atrelados à inflação e metas de expansão — desenho que dá previsibilidade ao caixa.
Em fevereiro, o AEGEBZ 2036 oferece um retorno real estimado de 7,9% ao ano, em dólar, considerando um desconto em seu valor de mercado de 97,9%.
Trata-se de um nível que, na visão do BTG, remunera bem o risco setorial, ainda que a empresa tenha que lidar com os desafios típicos do negócio, ritmo de expansão acelerado e exposição regulatória.
A Brava (ex‑3R Petroleum) aparece na carteira como uma posição tática no segmento de óleo e gás, segundo o relatório do BTG.
“Uma história de revitalização de campos maduros, com investimentos de execução rápida e ganhos de eficiência que se traduzem em queda de custos de extração e aumento de produção”, descrevem os analistas.
O bond RRRPBZ 2031 oferece um retorno estimado em 8,3% diante de um preço mais esticado, com ágio de 104,6%.
A visão do banco é que, conforme os poços recém-adquiridos (Potiguar e Papa Terra) avancem na produção e os números se consolidem, a percepção de risco sobre a empresa tende a diminuir e os títulos, a se valorizar, beneficiando o investidor.
Os riscos principais seguem sendo a execução dos projetos e a volatilidade do preço do petróleo e do câmbio.
Para o BTG, a tese da Eldorado combina juro alto em moeda forte com o melhor custo entre companhias de papel e celulose.
A empresa tem uma grande fábrica de celulose em Três Lagoas (MS) e, diferentemente das concorrentes, usa florestas próprias para obter toda a madeira necessária — e ainda sobra. Na prática, isso significa que ela não depende de fornecedores externos e consegue produzir por um custo muito menor, já que controla do plantio até a fabricação.
Essa estrutura torna a produção mais eficiente e estável, permitindo que a empresa continue competitiva mesmo quando o preço da celulose no mercado internacional cai.
No relatório de fevereiro, o bond ECELUP 2032 aparece com um preço acima do valor de mercado (cerca de 104,6%), o que mostra que o papel já se valorizou, mas ainda paga um juro alto — algo próximo de 7,5% ao ano.
Mesmo assim, o BTG chama atenção para o fato de que esse título ainda entrega um retorno maior do que o de outras empresas do mesmo setor, como Suzano, Klabin e LD Celulose.
Para o banco, esse “pagamento a mais” não faz muito sentido para uma companhia com fundamentos fortes — e justamente por isso o papel continua sendo visto como uma boa oportunidade na renda fixa internacional.
Em fevereiro, o BTG trocou o título da FS Bioenergia que vencia em 2033 por outro que vence em 2036. O objetivo foi buscar juros maiores em dólar, um prêmio extra sobre os títulos do Tesouro americano e mais facilidade de negociação — tudo isso sem enxergar aumento relevante de risco por alongar o prazo.
O novo papel (FSBIOE 2036) paga 8,4% ao ano de retorno estimado, com o preço um pouco abaixo do valor de mercado (cerca de 98% do “par”), e a possibilidade de a empresa recomprar o título a partir de 11/02/2031.
A tese para a escolha da empresa é parecida com a da Eldorado. A FS faz etanol de milho com custo muito baixo e ainda ganha dinheiro com subprodutos do processo (ração animal), criando uma segunda fonte de receita.
Como mantém estoques de milho, consegue planejar a produção e sofrer menos oscilação do que quem depende de safra de cana.
Para o BTG, o prêmio atual pago por esse título compensa os riscos — basicamente preços do milho e do etanol e regras do setor — e mantém a empresa entre os destaques de bonds brasileiros do mês.
| Empresa | Ticker / Bond | Cupom | Vencimento | Rating (Fitch)* |
|---|---|---|---|---|
| Raízen | RAIZBZ 2035 | 5,70% | 17/01/2035 | BBB |
| Eldorado | ECELUP 2032 | 8,50% | 01/12/2032 | BB |
| Brava | RRRPBZ 2031 | 9,75% | 05/02/2031 | BB- |
| FS Bioenergia | FSBIOE 2036 | 8,125% | 11/02/2036 | BB |
| Aegea | AEGEBZ 2036 | 7,625% | 20/01/2036 | BB |
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